As tradições à mesa

O sul brasileiro tem temperatura mais baixa que o restante do País, abriga o bioma dos Pampas e duas sedes da Copa do Mundo da FIFA 2014: Porto Alegre (RS) e Curitiba (PR). A rica vegetação campestre se integra às florestas de araucárias nos três estados sulistas, o Paraná (PR), Santa Catarina (SC) e Rio Grande do Sul (RS). A mata oferece dois ingredientes típicos da região: o pinhão, uma semente largamente encontrada durante os meses de maio e junho. Pode ser consumido depois de assado ou cozido e descascado e serve de base para várias receitas, misturado a carnes, incrementando molhos ou mesmo em forma de doce. A erva mate é a base do chimarrão. Para se ter uma ideia da importância desses frutos da mata, basta saber que o Paraná adotou os ramos de araucária e de erva mate como símbolos do estado e parte da decoração de sua bandeira. A Araucária, inclusive, está presente no cartaz de Curitiba para a Copa do Mundo.

Chimarrão

Em qualquer lugar do país, se você encontrar um gaúcho (como são chamados os nascidos no Rio Grande do Sul), ele provavelmente terá na bagagem uma garrafa térmica para a água e a cuia para beber o chimarrão. O hábito era cultivado por indígenas da região e ainda é fortemente arraigado. Gaúchos mais tradicionais só bebem o chimarrão seguindo determinadas regras. É, afinal, uma bebida comunitária, obrigatória em reuniões de famílias e na hora de receber os visitantes. Quem prepara a bebida é também o primeiro a tomar, pois o primeiro chá da erva-mate é o mais amargo. Depois de encher novamente a cuia com água morna, ela é passada ao próximo, que deve beber toda a água antes de repor e repassar.

Comida de fronteira

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A culinária do sul do país compartilha tradições com os países que fazem fronteira – Argentina, Paraguai e Uruguai – e que abrigam do mesmo bioma. O churrasco é o principal fruto dessa proximidade.

Churrasco: dos grandes rebanhos bovinos e ovinos que pastam pelos campos dos pampas vem as carnes preparadas em forma de churrasco. A refeição inclui partes variadas da carne e linguiças temperadas no sal grosso e assadas na brasa de carvão vegetal. Os acompanhamentos mais comuns são arroz branco, salada de maionese, farofa de farinha de mandioca torrada e pão. É uma refeição tipicamente servida para grandes grupos de pessoas, seja em família ou reuniões de amigos. Em restaurantes, é comum as carnes serem servidas em sequencia. É o chamado espeto corrido ou rodízio.

Cozinha italiana

As famílias descendentes das colônias italianas instaladas por toda a região incluíram em nossa culinária a polenta, as massas, os embutidos, o consumo de frango, os vinhos. Algumas cidades da região, como Curitiba (PR), têm bairros de tradição italiana com diversas opções de restaurantes especializados. E há, ainda, cidades que se originaram diretamente de colônias italianas, como Caxias do Sul (RS), que faz da cozinha tradicional italiana um atrativo turístico.
Polenta: a receita básica leva fubá (uma farinha derivada do milho), água e sal, e pode ser cozida, feita na chapa ou frita. Pode ser servida em porções ou acompanhar outros pratos.
Sopa de capelete: o caldo inclui peito de frango, temperos e capelete.
Galeto Al Primo Canto: a carne do frango jovem é assada sobre a brasa.
Café da Colônia: também chamado de Café Colonial, essa refeição tem, na verdade, origem alemã. Mas é bastante comum o visitante encontrar essa opção nas cidades de origem italiana. Nessas colônias, a refeição pode incluir café, leite, pão colonial (caseiro), biscoito, bolos, geleias, salame, omelete, polenta, sucos, frutas da estação e vinhos.

Tradição alemã

Os alemães mantêm a tradição das receitas com joelho de porco, salsichas, batatas e o consumo de cerveja. A visita à cidade de Blumenau, em Santa Catarina, no mês de outubro, deve incluir a Oktoberfest, um festival de tradições germânicas. O principal atrativo é a cerveja, mas outras iguarias da culinária alemã são servidas na festa.
Eisbein: o prato é feito com o joelho de porco cozido com temperos e servido com purê e salsichas.
Cuca: é uma espécie de bolo-pão, que leva coberturas doces variadas.
Café da Colônia: o café colonial das cidades alemãs podem incluir pães variados, manteiga, queijos, bolos, embutidos, leite, salsichas, cuca, carne de porco, tortas, conservas, mel, entre outros.
Queijo colonial: encontrado principalmente no oeste catarinense e na serra gaúcha, é um queijo branco feito de forma caseira, passando por envelhecimento. Tem interior macio, picante e crosta grossa.

Comida tropeira

Do movimento dos tropeiros, comerciantes de carnes vindos do Rio Grande do Sul para os estados do Sudeste, criou-se uma tradição de comida tropeira em toda essa rota. A base dessa culinária é o arroz, o feijão, carnes salgadas desfiadas (o charque) e ingredientes comuns ao caminho. Era importante que a comida durasse ao longo das viagens – daí o uso de ingredientes secos e muita gordura. Acompanham toucinho, torresmo, farinha de mandioca e de milho.

Outros pratos típicos

Barreado: encontrado em algumas cidades costeiras do Paraná, como Morretes e Antonina, barreado é feito nos sítios dos pescadores. A base do prato é a carne bovina cozida por longas horas em uma panela de barro vedada com uma massa à base de farinha de mandioca. A carne é servida com o caldo quente sobre a farinha, formando um pirão, e com banana amassada na mistura.

Sequência de camarão: em Florianópolis (SC), os camarões são servidos em sequencia nos restaurantes ao redor da Lagoa da Conceição.

Arroz de carreteiro: mistura de arroz com charque originalmente preparado pelo carreteiro, o que conduzia carretas de carga puxadas por bois pelo RS.