Do modernismo ao colonial

Belo Horizonte situa-se na região mais rica em minérios à qual todo o Estado deve seu nome – Minas Gerais – já existia, com o nome Arraial D’el Rey, desde o século XVIII. Sua história iniciada com a chegada dos bandeirantes teria sido a mesma de qualquer vilarejo mineiro, não tivesse havido a proclamação da República, em 1889 e a divulgação de ideais republicanos infundindo a ideia da criação de uma nova capital. Belo Horizonte foi escolhida para substituir a então capital, Ouro Preto. O local apresentava maior viabilidade econômica e não oferecia limitações topográficas, que impedissem o livre desenvolvimento urbano.

Metrópole dinâmica, Belo Horizonte possui um dos mais emblemáticos conjuntos arquitetônicos modernistas do Brasil: a Pampulha. Situado às margens da lagoa de mesmo nome que o emoldura, o conjunto é  formado pela Igreja de São Francisco de Assis, pela Casa de Baile, pelo Ia te Clube e pelo Cassino, hoje um Museu de Arte Moderna, todos projetados por Oscar Niemeyer, com participação de Burle Marx no paisagismo e de Candido Portinari nos magníficos painéis. Todo o conjunto e tombado pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

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Por estar localizada na principal região mineradora do período colonial, Belo Horizonte é vizinha das mais importantes cidades históricas mineiras, o que permite conhecer as grandes obras da arte e da arquitetura colonial, e uma grande diversidade de artesanato, culinária e folclore. Dentre essas cidades destaca-se Ouro Preto, a primeira cidade histórica tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, em 1938, considerada Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade, pela UNESCO. Além de outras como Sabará, Mariana, Tiradentes, São João Del Rey, Congonhas, Diamantina, Santa Bárbara, Caetés também tombadas pelo Iphan, pelo órgão estadual, ou por órgãos municipais de preservação do patrimônio cultural.

Pode-se chegar a Belo Horizonte pelo Aeroporto Internacional de Confins, por diversas linhas de ônibus interestaduais, por trem ou de carro pelas vias de acesso que ligam a cidade a outros estados do Brasil, como a BR-040, BR-381 e a BR-262.

Monumentos selecionados

Foto: Cristiano Mascaro/2008#

Pampulha (foto acima)
O Conjunto da Pampulha é uma obra ícone do Modernismo criado por Oscar Niemeyer. Construído nos anos 40 do século XX, e tombado pelo Iphan em 1997, o conjunto é formado por várias construções: um cassino, uma igreja, uma casa de baile, um clube , além de uma lagoa  feita especialmente para o projeto, através da construção de uma barragem que fechou um vale largo e sinuoso, formando um espelho d’água de vários quilômetros. Todo o conjunto é emoldurado pelo paisagismo de Burle Marx, cujo jardim acompanha a sinuosidade das construções. (Conjunto da Pampulha – acesso pela Avenida Otacílio Negrão de Lima).

Santuário de Bom Jesus de Matosinhos – Congonhas do Campo
O Santuário de Congonhas forma o maior e mais notável conjunto arquitetônico e artístico do país. Considerada a obra máxima de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, foi realizado em várias etapas, iniciando-se em 1757. O conjunto é formado pela capela de Bom Jesus, pórtico, e seis capelas localizadas ao longo do trajeto que leva ao Santuário, no alto de uma colina, onde estão representadas, em tamanho natural, as cenas da Paixão de Cristo. As imagens foram esculpidas em madeira por Aleijadinho e pintadas por Manuel da Costa Athayde. Neste santuário também trabalharam outros mestres como Antônio Roiz Falcato, Francisco de Lima, Tomás de Maya Brito e Manuel Rodrigues Coelho. É considerado Patrimônio Mundial da UNESCO. (Praça da Basílica).

Praça da Liberdade – Belo Horizonte (foto acima)
Construída na época da fundação da nova capital mineira (1895-1897), a Praça fica no ponto mais alto da área inicial da cidade e foi criada para abrigar a sede do poder mineiro. A construção paisagística da Praça da Liberdade foi arquitetada em conjunto com as funções e valores sociopolíticos das estruturas de seu entorno. A partir da Avenida João Pinheiro, a visão segue em linha reta até o Palácio do Governador. Um olhar mais atento percebe diversos ambientes intermediários, como as fontes e o coreto, e agradáveis espaços abertos para o lazer ou a realização de eventos artísticos. Com a mudança da sede do governo, em 2010, a Praça da Liberdade ganhou em seu entorno instituições relacionadas à cultura, como museus e um planetário. (A Praça da Liberdade fica entre as ruas Gonçalves dias, Bias Fortes e Avenida Brasil).

Mercado Central (foto acima)
O Mercado Central, antigo Mercado Municipal de Belo Horizonte, foi criado em 1929, para centralizar o abastecimento da cidade. Em 1964, diante da possibilidade de fechamento do local, os comerciantes criaram uma cooperativa e construíram o galpão que hoje abriga o mercado. A construção ocupa um quarteirão inteiro do centro de Belo Horizonte e no seu interior existe uma mistura de religiosidade, cultura popular e tradição pela variedade de produtos existentes e que vai de verduras, frutas, ervas a utensílios domésticos, artesanato, artigos religiosos, entre outros que tornam o local popular e democrático. Também existem vários restaurantes que servem a comida típica mineira. (Av. Augusto de Lima, 744. Centro).

Museu da Inconfidência e Praça Tiradentes – Ouro Preto
A Casa de Câmara e Cadeia de Ouro Preto, atual Museu da Inconfidência, é uma edificação de grandes dimensões e caráter monumental. Nos ângulos do prédio estão estátuas que representam a Justiça, a Temperança, a Caridade e a Fortaleza. O museu é dedicado à preservação da memória da Inconfidência Mineira e também oferece um rico painel da sociedade e cultura mineiras no período do ciclo do ouro e dos diamantes no século XVIII, incluindo obras de Manuel da Costa Ataíde e Aleijadinho. Localiza-se na Praça Tiradentes, em frente ao monumento a Joaquim José da Silva Xavier. O Museu da Inconfidência foi criado por meio da decisão de Getúlio Vargas, em 1936, de resgatar os despojos dos heróis da Inconfidência Mineira, na África, para onde tinham sido degredados. (Praça Tiradentes, 139 – Centro).

Igreja de São Francisco de Assis – Ouro Preto
Essa igreja representa uma das expressões mais admiráveis do estilo mineiro do final do século XVIII com fachada que segue o traçado português das grandes igrejas matrizes. Sua construção teve início em 1766, época em que Ouro Preto vivia o ápice da sua história. A construção é um marco religioso, social, artístico da cidade e do estado, com projeto arquitetônico, risco da portada e elementos ornamentais como púlpitos, retábulo-mor, lavabo e teto da capela-mor da lavra de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e pinturas de Manuel da Costa Ataíde. O forro da nave é totalmente coberto pela pintura de Ataíde, e representa a assunção de Nossa Senhora da Conceição (padroeira dos franciscanos). Esta igreja é considerada por especialistas como a obra-prima de Aleijadinho e Ataíde. (Largo de Coimbra, s/nº, Centro).

Casa dos Contos – Ouro Preto
A Casa dos Contos, construída pelo contratador de ouro João Rodrigues de Macedo, foi depois confiscada pela Coroa, que nela instalou a Casa dos Contos e da Intendência. No local estiveram presos alguns dos inconfidentes, e em uma de suas dependências foi encontrado morto o poeta Cláudio Manuel da Costa. Entre 1820 a 1844, a casa foi ampliada, incorporando à Casa dos Contos a Casa de Fundição do Ouro e a Casa da Moeda, para poder exercer a função de Secretaria da Fazenda no mesmo local ocupado pelo Tesouro Nacional.

Igreja Matriz do Pilar – Ouro Preto
A construção da atual Matriz do Pilar foi iniciada entre 1728 e 1730, em substituição ao mais antigo templo da Vila dedicado à Virgem do Pilar.  A construção iniciou-se pela nave, em 1731, ocasião em que o Santíssimo Sacramento e Imagens foram trasladados, para outra capela.  Construída em adobe e taipa, em 1733 já estava praticamente concluída, ocorrendo uma procissão solene que assinalou o retorno do Santíssimo Sacramento e Imagens para a nova Matriz. A Igreja de Nossa Senhora do Pilar é um dos mais importantes exemplares do barroco mineiro do Ciclo do Ouro. Além das imagens de excelente qualidade, a igreja abriga o Museu da Prata. Em corredor anexo ao Consistório, conserva-se o Arquivo da Matriz, o mais completo dos arquivos de Ouro Preto.

Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos – Ouro Preto
A Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos (1785) é dedicada à santa padroeira dos negros e mulatos e possui o desenho mais original de todas as igrejas barrocas mineiras. Em forma de elipse o teto da nave se assemelha a uma quilha de navio. O interior impressiona pela acústica e pela clareza. Os altares laterais são dedicados a Santa Helena, Santa Efigênia, Santo Antônio da Núbia, Nossa Senhora Mãe dos Homens, Santo Elesbão e São Benedito. Alguns pesquisadores afirmam que as imagens de Santo Antonio e São Benedito foram feitas por Padre Félix, irmão mais velho de Aleijadinho.                

Igreja de Nossa Senhora do Carmo – Ouro Preto (foto)
Construída no período da terceira fase do barroco, com a parte principal pronta em 1772 e as obras de embelezamento e acabamento finalizadas em 1848. Participaram de sua ornamentação artistas como Manoel Francisco Lisboa, Manoel da Costa Ataíde, entre outros. Localiza-se no alto de uma ladeira alcançada através de extensa escadaria e era frequentada pela aristocracia de Vila Rica. Os azulejos portugueses dos dez painéis da Igreja do Carmo de Ouro Preto devem ter custado muito ouro à Irmandade religiosa que a financiou. Vindos de Portugal, os azulejos desembarcaram no Rio de Janeiro e seguiram para Minas Gerais em lombo de burro. (Rua Brigadeiro Musqueira).

Antigo Palácio dos Governadores (Escola de Minas e Metarlugia da Universidade Federal de Ouro Preto) – Ouro Preto
O Palácio dos Governadores foi construído no mesmo local onde funcionou a Casa de Fundição e Moeda. Coube ao Governador Gomes Freire de Andrade, em 1735, a iniciativa de mandar adaptá-la à sua nova função. A edificação, em pedra e cal, tem início a partir de 1741. Com a obra concluída, Gomes Freire de Andrade reinstalou a Casa de Fundição na parte térrea do prédio, além da Contadoria e Junta da Fazenda, Casa do Corpo da Guarda e Secretaria do Governo, o Palácio dos Governadores serviu de moradia oficial a todos os governadores da capitania e província de Minas Gerais até 1898. A casa hospedou os dois Imperadores do Brasil. Com a mudança da capital do Estado para Belo Horizonte, em 1897, o prédio passou a ser sede da Escola de Minas e Metalurgia, criada em 1876, pelo Imperador Pedro II. (Praça Tiradentes).

Capela de Nossa Senhora do Rosário do Padre Faria – Ouro Preto
O nome dessa Igreja deve-se ao Padre João de Faria que encomendou a construção nos primeiros anos do século XVIII. Originalmente a capela era em invocação a Nossa Senhora do Carmo e, por volta de 1740, a Capela do Padre Faria passou a abrigar também os irmãos brancos da Irmandade do Rosário. O Iphan realizou o tombamento dessa capela em 1939. A partir de então foram realizadas sucessivas obras de restauração inclusive para o restabelecimento de sua feição original, na qual o exterior singelo contrasta com a suntuosidade interior. A capela do Padre Faria constitui-se no único exemplar no perímetro urbano de Ouro Preto representativo das construções primitivas da Serra de Ouro Preto, sendo considerada por muitos  a mais requintada de todas. (Rua Padre Faria, s/n)

Chafariz da Praça de Marília – Ouro Preto
O nome Chafariz de Marília se deve ao fato de se situar próximo da casa em que residiu Maria Dorotéia Joaquina de Seixas, a Marília de Dirceu. O chafariz foi construído por iniciativa do Senado da Câmara de Vila Rica, através de concorrência pública, conforme auto de arrematação de 11 de dezembro de 1758, sendo as obras arrematadas por Manuel Francisco Lisboa, pai do Aleijadinho. Sua construção teve início em 1759 e é bastante forte a hipótese da participação de Aleijadinho nos ornatos de pedra-sabão. O Chafariz de Marília é considerado um dos mais importantes do Brasil. Possui quatro carrancas com as respectivas bicas e tanque com quatro cavidades em forma de campânula invertida. Na parte de baixo, grande taça recebendo a água. (Largo do Dirceu)

Igreja de Santa Efigênia ou de Nossa Senhora do Rosário – Ouro Preto
A igreja de Santa Efigênia foi construída no ano de 1736. Vários artistas trabalharam na obra, entre eles estão Manoel Francisco Lisboa, Francisco Xavier de Brito, Manuel Gomes da Rocha. É a célebre Igreja de Chico Rei, rei africano trazido ao Brasil como escravo. Conta a história que foi Chico Rei, devoto da Santa Efigênia, quem mandou erguer um templo em culto à santa, em “uma igreja no alto do morro para ser vista por todos!” Os recursos para a obra vieram do ouro extraído de uma mina arrendada por Chico Rei, que utilizava o ouro para alforriar outros escravos. (Rua Cruzeiro).

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, de Antônio Dias – Ouro Preto
Situada entre a Praça Barão de Queluz e a Praça Tiradentes, a Matriz teve sua construção iniciada em 1727 e suas obras se prolongaram até a segunda metade do século XVIII. O empreiteiro Manuel Francisco Lisboa, pai do Aleijadinho, trabalhou na construção da igreja, onde ambos estão enterrados. Das mais antigas paróquias de Minas Gerais (1707), a Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias merece destaque também por ser das maiores em tamanho e suntuosidade. Na antiga sacristia está instalado o Museu Aleijadinho, onde podem ser admiradas várias obras do mestre, como os leões de essa, a imagem de São Francisco de Paula e um Cristo crucificado. (Praça Antonio Dias).

Patrimônio Imaterial

O queijo de Minas (foto) é um dos mais característicos alimentos brasileiros. O modo de fazer o queijo do Serro é um patrimônio cultural que tem suas raízes no norte do estado de Minas Gerais, onde comunidades rurais preservam essa tradição. Em Belo Horizonte, o Mercado Central de Abastecimento e Serviços possui inúmeras lojinhas especializadas em queijos e outros derivados de leite, onde os visitantes podem provar e comprar os queijos de Minas. Mais do que um produto, a produção do queijo em Minas Gerais é fruto de um saber-fazer fortemente vinculado aos modos de vida de cada uma das regiões produtoras (Av. Augusto de Lima, Nº 744, Centro, Tel.: 31. 3274.9434, www.mercadocentral.com.br).

Fonte: Ministério da Cultura/Iphan