Centro tombado

Cuiabá, capital do Mato Grosso, foi fundada em decorrência da mineração aurífera no início do século XVIII que, apesar de intensa, só durou de 1722 a 1730. Após a Guerra do Paraguai, com a abertura do rio à navegação, a cidade ganhou novo dinamismo, recebendo melhorias urbanas, como jardins com chafarizes e coretos. Interrompido por duas décadas, o processo de expansão foi retomado durante o Estado Novo (1930-1945). 

A arquitetura da área urbana inicial de Cuiabá, como em outras cidades históricas brasileiras, é tipicamente colonial, mas com o tempo sofreu modificações e adaptações a outros estilos (como o neoclássico e o eclético). Bem preservado até meados do século XX, o Centro Histórico perdeu parte de sua originalidade com o crescimento demográfico e o desenvolvimento econômico. Vários prédios foram demolidos, entre eles a antiga igreja matriz, em 1968, para dar lugar à atual.

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As ações para a recuperação desse patrimônio tiverem início na década de 1980. Em 1987, o centro foi tombado provisoriamente como patrimônio histórico nacional pelo IPHAN e, em 1992, esse tombamento foi homologado pelo Ministério da Cultura. Desde então vários prédios foram restaurados, entre os quais estão as Igrejas do Rosário e São Benedito, do Bom Despacho e do Nosso Senhor dos Passos, o Palácio da Instrução (hoje museu histórico e biblioteca), o antigo Arsenal da Guerra (hoje centro cultural mantido pelo SESC), o mercado de peixes (atualmente Museu do Rio Cuiabá) e um sobrado onde hoje funciona o Museu da Imagem e do Som de Cuiabá (o MISC). A área tombada pelo IPHAN é a que mais preserva as feições originais. As antigas ruas de Baixo, do Meio e de Cima (hoje, respectivamente, as ruas Galdino Pimentel, Ricardo Franco e Pedro Celestino) e suas travessas ainda mantêm bem preservadas as características arquitetônicas das casas e sobrados.

Foto: Embratur#

Cuiabá ainda possibilita outras opções aos visitantes, como o zoológico, o Museu Rondon  e o Museu de Arte e Cultura Popular, além do marco do centro geodésico da América do Sul. Nas comunidades ribeirinhas é possível conhecer o modo de vida e o artesanato local e os rios e baías frequentados para banho e pesca.

O município é cercado por três grandes ecossistemas: a Amazônia, o Cerrado e o Pantanal; está próximo da Chapada dos Guimarães e ainda é considerado a porta de entrada da Floresta Amazônica. A vegetação predominante é o cerrado, desde suas variantes mais arbustivas até as matas mais densas à beira dos cursos d'água. 

Cuiabá é famosa pelo seu forte calor, apesar da temperatura no outono e inverno poder baixar esporadicamente de 10°C, causado pelas frentes frias que vêm do sul, e que pode durar apenas um dia ou até uma semana, para logo em seguida voltar ao calor habitual. A temperatura média em Cuiabá gira em torno de 32°C. O clima é tropical e úmido. Via tráfego aéreo, chega-se a Cuiabá pelo Aeroporto Internacional Marechal Rondon. A cidade é também servida por ônibus coletivos e táxis e moto-táxi.

Monumentos selecionados

A igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito de Cuiabá
A igreja é um dos marcos de fundação de Cuiabá. Foi construída em arquitetura de terra em torno de 1730, próximo ao córrego da Prainha, onde Miguel Sutil descobriu as minas de ouro que impulsionariam a colonização da região. A fachada típica da arquitetura colonial brasileira guarda a decoração barroca-rococó nos altares, com rica talha dourada e prateada, única com esses detalhes no país. Tombada pelo IPHAN, a igreja é o palco da Festa de São Benedito, mais longa festividade religiosa do estado. A igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito é considerada a mais antiga igreja remanescente de Cuiabá. Está localizada na Praça do Rosário, no Centro Histórico de Cuiabá. Foto: Wikipedia 
 
Catedral Basílica do Senhor Bom Jesus do Cuiabá
O templo, inicialmente de pau-a-pique, foi construído em 1722 em frente a dois córregos, o ponto alto da cidade. A Catedral deu início ao processo de urbanização já que, para fundar uma vila era essencial uma igreja. Com o desenvolvimento da vila, o templo passou por várias reformas, reconstruções, ganhou uma segunda torre, deixou de ser Matriz para passar a ser Catedral. Em 14 de agosto de 1968, a edificação original foi demolida e erigido o templo atual. Localizada em frente à Praça da República, possui imagens do século XVIII como o Senhor Bom Jesus de Cuiabá. A igreja é composta por três altares. Do lado direito fica a capela do Bom Jesus Padroeiro. No centro, o altar principal onde são celebradas todas as missas comunitárias e também a Cátedra, reservada ao Bispo. A cripta fica no subsolo, onde estão enterradas autoridades da igreja católica de Mato Grosso, entre eles, o fundador de Cuiabá Pascoal Moreira Cabral Leme.
 
Igreja do Senhor dos Passos
Instalada há 214 anos num recanto discreto do Centro Histórico, a Igreja guarda muitas histórias e lendas que se confundem e revelam muitos aspectos do folclore, das crendices e do espírito religioso da Cuiabá antiga. Sua planta é típica das igrejas do período colonial, dividida em nave e capela-mor. Possui, no entanto, somente um corredor lateral à esquerda e salas ao fundo. Na sua fachada principal, à esquerda, está localizada a alta e esbelta torre sineira. A Igreja do Senhor dos Passos é um dos mais belos e admirados patrimônios de Cuiabá.
 
Conjunto Arquitetônico e Urbanístico e Paisagístico de Cuiabá 
O Sítio tombado existe desde o final do período colonial e hoje é uma parte da área central de Cuiabá (cerca de 10% do centro urbano). Além do conjunto paisagístico, também foi tombada pelo IPHAN, em 1975, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e de São Benedito. Nesse conjunto estão as ruas mais antigas de Cuiabá e equipamentos que documentam momentos marcantes da história da cidade, desde o colonial até as primeiras décadas do século XX, tanto no que se refere aos materiais e técnicas de construção, como no que diz respeito a estilos. Ao mesmo tempo, reúne edificações da elite e típicas pequenas casa das camadas subalternas.
 
Foto: Iphan#
Museu do Rio Cuiabá
Construído em 1899 para abrigar o Mercado do Peixe, o prédio foi recuperado em 1999, retomando suas características originais e passou a abrigar o Museu do Rio Cuiabá Hid Alfredo Scaff, em homenagem ao descendente árabe, morador da região e principal negociante do antigo mercado e que explorou por muito tempo a navegação fluvial no rio Cuiabá. A construção Mercado do Peixe, em 1899, fazia parte de um complexo de casarios nas ruas e becos, com nomes interessantes como Beco Quente, Beco da Confusão e Rua da Lama. Atualmente, além do museu que registra a história do tradicional Bairro do Porto, o espaço cultural possui nove salas, um restaurante, maquetes da região da antiga Cuiabá e peças de artes sacras. O Museu do Rio está localizado as margens do Rio Cuiabá, av. Beira Rio, s/nº, bairro Porto.
 
Palácio da Instrução (Museu Histórico e Biblioteca)
A obra, inaugurada em 15 de agosto de 1914, seguia a arquitetura da época, com alicerces em pedra canga e cristal, paredes de adobes, com 80 centímetros de largura. O Palácio da Instrução cumpriu sua função de educandário por 57 anos, abrigando as escolas Liceu Cuiabano, Normal, Modelo Barão de Melgaço e o Museu de História Nacional e Antropologia. Também funcionaram no prédio o Arquivo Público e extintas Secretaria de Interior e Justiça. Em 1975, com a criação da Fundação Cultural de Mato Grosso, o imóvel foi escolhido como o mais adequado para abrigar a produção cultural do Estado, quando se a Biblioteca Pública se instalou definitivamente no Palácio da Instrução.
 
O Memorial da Água 
Inaugurado em maio de 2008, depois da revitalização das Estações de Tratamento de Água. São obras dos anos de 1940 e 1970 que continuam em funcionamento e, ao mesmo são espaço de visitação. O Memorial busca ressaltar a importância da água na vida urbana, destacando todo o processo tratamento, desde a captação até a distribuição, e também a necessidade da preservação ambiental.
 
Antigo Arsenal da Guerra
Criado, com o nome Real Trem de Guerra, por Carta Régia de D. João VI em 1818, era destinado para o conserto e fabricação de armas militares. A construção teve início em 1819 e só ficou pronta em 1832, quando foi inaugurada. A obra utilizou técnicas construtivas e materiais da região para erguer um edifício neoclássico, nos moldes franco-lusitanos que caracterizavam a maioria das construções oficiais do Rio de Janeiro. Em 1831 por determinação legal, foi criado o Arsenal de Guerra da Província de Mato Grosso. O edifício foi ampliado e adaptado em 1848, com a construção dos varandões dos flancos. As insígnias da Casa Militar estão nos frisos em relevos simétricos. As cores ocre para as áreas planas e branco para os relevos acentuam a composição e tornam ainda mais expressiva a linearidade clássica.
 
Museu da Imagem e do Som de Cuiabá (MISC)
Inaugurado em 2006, o Museu abriga documentos fotográficos e sonoros que retratam a cidade em seu cotidiano desde 1910. As imagens foram capturadas pelos fotógrafos Eurípedes Andreato – aproximadamente 8 mil fotos, e Lázaro Papazian – mais de 25 mil. Há também grande quantidade de discos em vinil, fitas de vídeo VHF e fitas cassete. Localizado no Centro Histórico, o museu ocupa uma das construções mais significativas da cidade, o sobrado do Alferes Joaquim Moura, na rua Voluntários da Pátria, nº 75, e funciona das 14h às 18h. Também oferece cursos de fotografia, oficinas diversas, mostras e exposições.
 
Museu de Pré-história Casa Dom Aquino
O imóvel foi construído em 1842, em estilo colonial e formato de U. O imóvel possui 12 cômodos e fachada voltada para o rio Cuiabá que fica a poucos metros de distância. Esta residência é conhecida por alguns historiadores como a Casa Predestinada, pois nela nasceram duas personalidades ilustres do estado: Dom Aquino (bispo, arcebispo, governador de província, escritor e poeta) e Joaquim Murtinho (político, engenheiro e médico, precursor da Medicina Homeopática no Brasil). O Museu de Pré-história foi inaugurado no dia 7 de dezembro de 2006, através de uma parceria entre a Secretaria de Estado de Cultura (SEC) e o Instituto Ecossistemas e Populações Tradicionais (ECOSS). O museu abriga uma exposição permanente de Arqueologia e Paleontologia e uma reserva técnica de mais de cem mil peças. Entre os fósseis estão a preguiça gigante, dinossauros e animais marinho do período que Chapada dos Guimarães foi mar.
 
Museu Rondon 
Criado em 1972 para ser um centro de indigenismo, pesquisa e divulgação das culturas indígenas em Mato Grosso, possui um acervo com mais de mil peças, incluindo adornos plumários, indumentárias, armas, artefatos de ritual mágico, cerâmicas, instrumentos musicais, tecelagem, trançados, utensílios. Há ainda material fotográfico retratando o cotidiano das aldeias. Seu nome é um tributo ao matogrossense marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, pela sua determinação na defesa dos direitos indígenas. O interior do Museu Rondon coloca o visitante em contato com o ambiente mais íntimo da casa indígena, com as redes, a terra batida, a lenha, o fogo. Ao lado do prédio, em meio aos coqueiros e à sombra das árvores do cerrado, foi construída uma casa indígena no modelo ovalado xinguano, que exigiu dos índios Bakairi a recuperação da sua própria memória.
 
Marco do centro geodésico da América do Sul
A cidade de Cuiabá fica na parte mais central da América do Sul, exatamente no seu centro geodésico, sendo, portanto a cidade do coração da América do Sul. O marco do centro geodésico está na atual praça Pascoal Moreira Cabral, a 15º35’56” de latitude sul e a 56º06’55”, local determinado por Marechal Cândido Rondon, em 1909 e confirmado pelo Exército Brasileiro, em 1975. A praça era conhecida como Campo d'Ourique, era o local onde castigavam escravos e também realizavam as cavalhadas e touradas. O marco simbólico com as coordenadas gravadas foi construído em alvenaria pelo artesão Júlio Caetano, ainda em 1909. Atualmente, um obelisco com 20 metros de altura, todo em mármore, preserva o marco original, protegido por vidros.
 
Chapada dos Guimarães 
O Parque Nacional da Chapada dos Guimarães é caracterizado por gigantescas esculturas de pedra, um céu multicolorido e um corredor eletromagnético. É um antigo pasto de dinossauros com 46 sítios arqueológicos catalogados em 33 mil hectares de área onde estão gravadas inscrições e pinturas rupestres. O parque é considerado um museu a céu aberto com ossos de dinossauros do período Jurássico, fósseis de inúmeros outros animais e conchas. O Parque está sobre uma das antigas placas tectônicas do planeta. A vegetação é o Cerrado, com árvores contorcidas e uma grande variedade de espécies de flores perfumadas. Também é considerado uma farmácia a céu aberto porque possui centenas de ervas medicinais, todas ameaçadas de extinção. A fauna tem como representantes principais os cágados e o jacaré-coroa, além do lobo-guará, veado-campeiro, gato-palheiro, tamanduá-bandeira e tatu canastra. De maio a setembro, época da seca, as trilhas são acessíveis, mas entre dezembro e abril chove muito na região e as trilhas ficam muito perigosas. Entre os locais mais visitados estão cachoeiras (Véu da Noiva, Cachoeirinha), sítios arqueológicos e monumentos históricos. O Parque é aberto à visitação todos os dias da semana, das 8h às 17h. O município Chapada dos Guimarães fica a nove quilômetros do parque.

Patrimônio Imaterial

Viola de Cocho
Instrumento musical encontrado nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, recebe este nome por ser confeccionada em tronco de madeira inteiriço, esculpido no formato de uma viola e escavado na parte que corresponde à caixa de ressonância. É feito da mesma maneira como se faz um cocho, objeto lavrado em um tronco maciço de árvore usado para colocar alimentos para animais na zona rural. Nesse cocho é afixado um tampo e as partes que caracterizam o instrumento, como o cavalete, o espelho, o rastilho e as cravelhas. A Viola-de-Cocho foi reconhecida como patrimônio nacional pelo IPHAN em dezembro de 2004.
 
Foto: Markus Malt/Iphan#
 
Ritual Yaokwa do Povo Indígena Enawene Nawe - MT (foto)
O Ritual Yaokwa é considerado a principal cerimônia do complexo calendário ritual dos Enawene Nawe, povo indígena de língua Aruak, da região noroeste de Mato Grosso. Com duração de sete meses, o ritual define o princípio do calendário Enawene, quando os homens deixam a aldeia para a pesca coletiva de barragem. O ritual estende-se durante o período da seca, época marcada pelas interações com os temidos seres naturais do subterrâneo, os Yakairiti, condenados a viver com uma fome insaciável e precisam dos Enawene Nawe para satisfazer seu desejo voraz por sal vegetal, peixe e alimentos derivados do milho e da mandioca. Assim, os Enawene Nawe devem estabelecer uma relação de troca com esses espíritos para manter sua ordem social e cósmica.
 
Siriri e Cururu
Tradições seculares de origem indígena, o Siriri e Cururu são duas manifestações folclóricas típicas da região pantaneira, mais populares nas zonas rurais e ribeirinhas. Até hoje, há pouca bibliografia sobre o assunto e os estudos que existem se baseiam normalmente nos relatos e na memória de alguns personagens que, aos 50, 60, 70, 80 e quase 90 anos de idade, contribuem para manter a tradição viva. Tem a viola de cocho como um dos instrumentos-base que, mesmo com poucas notas, é um elemento fundamental para o ritmo. As manifestações foram consideradas como patrimônio imaterial pelo IPHAN.

Fonte: Ministério da Cultura/Iphan