Conheça as atrações protegidas pelo Iphan

O núcleo original de Fortaleza é do século XVII. A ideia de Portugal era estabelecer no local um forte que servisse para defender a região contra estrangeiros e facilitasse o contato com o norte do Brasil. Durante o período colonial, o domínio português no Ceará foi interrompido em dois momentos pelos holandeses que queriam o domínio da província: em 1637, quando conquistaram o forte de São Sebastião, e em 1649, com a construção do forte de Schoonemborch. Com o retorno do domínio português, em 1699 foi criada a vila de Fortaleza que permaneceu sem expressão política e econômica por mais de um século. No final do século XVIII, a produção e comércio de algodão foi o pilar da economia cearense, favorecendo o seu desenvolvimento comercial e político, criando as condições necessárias para a separação de Pernambuco em 1799. Fortaleza foi elevada à categoria de cidade em 1823, um reconhecimento ao crescimento e à importância política que apresentava.

O processo de expansão da cidade e do aumento de sua população intensificou-se a partir da segunda metade do século XX. Hoje, Fortaleza não é só um grande centro urbano, mas também uma das principais metrópoles do Brasil, com uma população de 2,4 milhões de habitantes. A cidade tem no turismo um dos seus principais atrativos. Dentre as principais atrações culturais e naturais da cidade, destacam-se os bens protegidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan, como o Teatro José de Alencar (1908), a Casa natal de José de Alencar, o Passeio Público (1880), o prédio da Assembleia Provincial – Museu do Ceará (1857), o prédio do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, e a Fortaleza Nossa Senhora da Conceição.

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Outras quatro cidades no Estado do Ceará possuem conjuntos urbanos protegidos pelo Iphan: Icó, Viçosa, Sobral e Aracati. A primeira a receber esse tipo de tombamento foi Icó, em 1998. Uma das maiores expressões dessa cidade é o centro histórico, que remonta ao período colonial, onde se configura o estilo barroco, com referência ao neoclássico francês. Durante os ciclos do ouro e do charque, nos séculos 18 e 19, Icó progrediu como importante entreposto comercial do interior da Província do Ceará. Desse período também permanecem inúmeras construções, verdadeiros documentos da ocupação do sertão nordestino pela pecuária. Viçosa e Aracati também são cidades com rico patrimônio acrescido das belezas naturais dos monólitos de Quixadá. 

Fortaleza mantem várias das tradições culturais do estado como a literatura de cordel, uma das mais importantes criações dos cearenses, que mantem uma expressiva coleção no Museu do Ceará e que tem no poeta popular Patativa do Assaré o seu maior expoente. A acessibilidade a Fortaleza pode ser feita pelo aeroporto internacional Pinto Martins; de carro pelas BR-101 BR-406, BR-304 e BR-116, BR-135, BR-316, BR-343 e BR-222; por ônibus de empresas que têm saídas das principais capitais do país.

Monumentos selecionados

Casa natal de José de Alencar
A casa onde nasceu o romancista José de Alencar fica no antigo sítio do Alagadiço Novo, nos arredores de Messejana. As terras que pertenciam ao Senador Alencar, pai do escritor, hoje pertencem à Universidade Federal do Ceará. Além da casa, subsistem as ruínas de um antigo engenho, o primeiro do Ceará a funcionar com energia a vapor. A casa é simples, com piso em tijoleira, paredes em tijolo em cal, madeiramento em carnaúba tipo caibro  e cobertura em telha vã. Todavia, apresenta importante significado arquitetônico porque documenta o estágio evolutivo do emprego da carnaúba como material de cobertura nos primeiros anos do século XIX, período provável de sua construção.

Foto: Embratur#

Teatro José Alencar (foto acima)
Com capacidade para 776 pessoas, o Teatro fica na Praça José de Alencar, no Centro de Fortaleza. A construção teve início em 1908 e a inauguração ocorreu em 17 de junho de 1910, sintetizando os ideais de Civilização e Progresso, do início do século XX, na capital cearense. Em 1918, o Teatro passou por uma primeira reforma, quando recebeu instalação elétrica e teve o piso de betume do jardim trocado por ladrilhos hidráulicos. Em 1957, as cadeiras austríacas com assentos em palhinha foram substituídas por poltronas de estofamento plástico. Na década de 1970 foi completamente restaurado. Na mesma época, foi executado um jardim lateral, projetado pelo paisagista Roberto Burle Marx.

Passeio Público
Nos primeiros anos do século XIX, área hoje ocupada pelo Passeio Público e pela Santa Casa de Misericórdia, era chamada de Campo da Pólvora ou Largo da Misericórdia. Após a confederação do Equador, passou a ser conhecida como Praça dos Mártires, pois lá foram fuzilados, em 1824, alguns líderes do movimento como o Padre Mororó e Pessoa Anta. Na metade do século, quando a cidade iniciou um tímido processo de aformoseamento, o Presidente da Província Fausto Augusto de Aguiar, escreveu em relatório de 1º de julho de 1850 sobre a necessidade do ajardinamento da Praça dos Mártires, afim de torna-lo um “Belo Passeio Público”. Ainda hoje, nos jardins permanece impávido um baobá centenário plantado pelo Senador Pompeu, no logradouro que serviu de palco às cenas de fuzilamento

Assembleia Provincial – Museu do Ceará
Em 1835, o Presidente da Província, Joaquim Vilela de Castro Tavares, em relatório apresentado à Assembleia Provincial do Ceará, chamou atenção para a “necessidade de uma casa condigna às funções que exerciam os legisladores da Província, visto como a que existia mais parecia edifício destinado às sessões de alguma municipalidade de aldeia”. Foi inaugurada em 1871. Além de sediar a Assembleia Provincial, o edifício teve outros usos em diferentes momentos da história do Ceará: abrigou a Faculdade de Direito, a Biblioteca Pública, o Tribunal Regional Eleitoral, o Instituto do Ceará e a Academia Cearense de Letras.

Solar Carvalho Mota – Museu das Secas
O imóvel que serviu de residência ao Vice-Presidente do Estado, Coronel Antônio Frederico de Carvalho Mota, construído em 1907. Dois anos mais tarde a Inspetoria de Obras Contra as Secas se instalou no local.  Atualmente, a casa abriga o Museu das Secas que conta a história das secas no Nordeste com fotografias, plantas de açudes e equipamentos. O Museu fica na Rua Pedro Pereira, 683 e está aberto à visitação de terça-feira à sexta-feira, das 8h às 11h30.

Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário – Aracati
Uma capela coberta de palha deu origem à Igreja que começou a ser construída nos primeiros anos do século XVIII e foi concluída na segunda metade do século XIX. No entanto, o templo ruiu em 1745 e foi reconstruído em 1761. A igreja possui algumas imagens e mesa de comunhão em jacarandá, de belíssimo desenho, incluindo uma bandeira da porta do batistério, entalhada à ponta de faca, e uma portada de arenito baiano, com portas de almofada em relevo, arrematadas por motivos fitomórficos. Em frente à Igreja há um grande cruzeiro, com os símbolos dos sofrimentos da paixão, de 1859.

Fotos: Iphan#

Casa de Câmara e Cadeia – Aracati (foto acima)
A Casa de Câmara e Cadeia de Aracati foi construída na segunda metade do século XVIII, para servir de câmara, audiência, cadeia para homens e mulheres. Um dos documentos mais importantes para reconstituição da história do edifício é uma aquarela de José dos Reis Carvalho pertencente ao Museu de História Nacional. Aluno de Debret na Academia Imperial, e pintor da Comissão Científica de Exploração, José dos Reis percorreu o Ceará sob direção do Botânico Freire Alemão, entre 1859 e 1861.

Sítio Histórico de Aracati
Aracati surgiu de um fortim construído em 1603, por uma expedição de pacificação. A povoação cresceu a partir do processo de ocupação do interior e pela economia de apoio aos grandes latifúndios, com a comercialização de produtos da pecuária. Como era porto navegável, logo se tornou um centro de atração das fazendas ao redor. Elevada a vila em 1747 teve, ao longo dos séculos XVIII e XIX, um importante papel como centro da área de produção de gado do Ceará. As ruas de Aracati, seus sobrados, suas igrejas, sua casa de câmara e cadeia, e tantas outras edificações contam como viviam as gerações passadas.

Casa de Câmara e Cadeia – Quixeramobim
Edificada por um construtor açoriano entre 1818 e 1832, nela funciona ainda hoje a Câmara Municipal. Trata-se de uma construção em que se misturam, na composição da coberta, elementos populares com francos sinais de tardia influência oriental, solução tantas vezes observada na arquitetura luso-brasileira antiga.

Casa de Câmara e Cadeia - Caucaia
Construída na primeira metade do século XVIII, a Casa de Câmara e Cadeia de Caucaia foi restaurada em 1962 e em 1987, quando foi adaptada para função de biblioteca. Na última intervenção, acrescentou-se um anexo de apoio à edificação: bloco hidráulico e depósito. O prédio foi entregue restaurado à comunidade em 27 de fevereiro de 1988.