Trinta bens tombados no Rio Grande do Norte

O surgimento da cidade de Natal teve origem com a expedição organizada em 1597 para expulsar franceses da região. Para isto, foi construída uma fortaleza na foz do Rio Potengi que resultou posteriormente na povoação da área. No local foi erguida a primeira capela de Natal, hoje a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, situada na Praça André de Albuquerque, marco zero da cidade.

Por sua posição geográfica estratégica, Natal conviveu em 1920 com o advento da aviação e serviu de sede a bases militares das forças aliadas na II Guerra Mundial. O período possibilitou intensas transformações físicas e culturais, marcadas na memória popular e na estrutura citadina. A partir das décadas de 1950 e 1960, a área urbana se expandiu rapidamente, ocupando a margem norte do rio de forma mais intensa em 1980.

» Tesouros brasileiros: os museus em Natal

Repleta de belas praias, com dunas de areia clara, lagoas e enseadas, Natal se destaca no cenário turístico nacional e internacional pela beleza de suas paisagens naturais. Além disso, abriga um patrimônio cultural diversificado e representativo da identidade potiguar, composto por elementos de natureza material e imaterial. 

Foto: Embratur#

Este patrimônio está expresso nos ofícios tradicionais das rezadeiras e bordadeiras, dos mangaeiros e pescadores. Na culinária, a confecção de queijos, de manteiga e de coalho, e de doces, como o grude – tradicional de Extremoz –, o alfenim, o beiju, rapadura e o chouriço, oriundo da região do Seridó. Na praia da Redinha, é tradicional a ginga com tapioca. Entre as danças, há o Boi Calemba – presente na Vila de Ponta Negra e no bairro de Felipe Camarão, em Natal, e em cidades próximas, como Nísia Floresta e São Gonçalo do Amarante –, os congos e a Araruna. As festas de Nossa Senhora dos Navegantes e de Santos Reis são forte tradição natalense. Constitui ainda este patrimônio a poesia popular de Dona Militana e a produção do folclorista Câmara Cascudo, entre outras manifestações. 

Existem hoje 30 bens materiais tombados nacionalmente no estado, o que inclui edificações de destaque, em sua maioria do período colonial, um acervo de obras de arte sacra, e o Centro Histórico de Natal. Este sítio possui um conjunto arquitetônico e urbanístico preservado, de expressivo valor histórico, com elementos urbanos que remontam ao núcleo colonial, e outros que evidenciam a trajetória de modernização da cidade ao longo da República. Exemplares de arquitetura civil colonial e barroca, edifícios ecléticos e modernistas, emoldurados pelo Rio Potengi, compõe uma paisagem de elevada importância para a memória potiguar, onde hoje estão instalados a maior parte dos espaços culturais da cidade.

A arquitetura reúne todos os estilos, do colonial ao contemporâneo, sendo a grande maioria das edificações construídas no século XX, com exceção das igrejas do século XVIII e alguns monumentos do final do século XIX. Apesar das intervenções contemporâneas incorporadas ao longo dos anos, a área que deu início à cidade ainda conserva conjuntos de edifícios e bairros com suficiente representatividade histórica. Por toda essa riqueza, no ano de 2010, o centro foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). 

Entre tantos outros bens, estão o Forte dos Reis Magos, monumento histórico mais importante de Natal e marco inicial da história da Cidade, o Teatro Alberto Maranhão e o Palácio Potengi. Já o Morro do Careca é o principal patrimônio natural de Natal e situa-se a um dos extremos da Praia de Ponta Negra. É uma formação montanhosa que supera os 100 metros de altura formada por uma impressionante duna de areia branca de grande pendente, rodeada de uma frondosa vegetação. 

A cidade conta com excelente infraestrutura hoteleira, bares, restaurantes e locais de ambiente noturno animado. O clima de Natal é o tropical úmido, com temperatura média em torno de 28 °C. Por estar localizada a menos de cem metros de altitude, o município recebe ventos constantes. Natal e região metropolitana são servidas pelo Aeroporto Internacional Augusto Severo, situado em Parnamirim, a 18 quilômetros da capital potiguar e o principal aeroporto do Rio Grande do Norte.

Monumentos selecionados

Marco de Touros
O padrão quinhentista português, confeccionado em pedra-lioz, mede aproximadamente 1,62m de altura e ostenta o relevo da Cruz da Ordem de Cristo e a representação das armas do Rei de Portugal, Dom Manuel. Acredita-se que a esquadra portuguesa saída de Lisboa em 1501, comandada pelo capitão-mor André Gonçalves, trazia a bordo este padrão, assentado na costa norte-rio-grandense como índice oficial de domínio no mesmo ano. O marco foi identificado por historiadores em 1928, na atual Praia do Marco, tombado pelo Iphan em 1962 e levado em 1976 para o Forte dos Reis Magos, onde se encontra atualmente.

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação
A igreja foi construída na Rua Grande, atual Praça André de Albuquerque, onde ocorreu a missa comemorativa da fundação da cidade de Natal, em 1599. A data de fundação e a feição primitiva da capela não são conhecidas. Sabe-se que, após diversas obras de ampliação e melhoramentos, o templo foi inaugurado com a conclusão da torre, seguindo projeto original, em 1862. Esse importante monumento da arquitetura colonial religiosa potiguar, primeiro templo católico da cidade, foi tombado pelo Governo do Estado em 1992 e, após última restauração, devolvido à comunidade natalense, em agosto de 1995.

Igreja de Santo Antônio
Foi a terceira igreja erguida em Natal e é também conhecida como Igreja do Galo. Integra um harmonioso conjunto de edificações históricas, do qual fazem parte a Casa do Bispo, o antigo Erário Público, a Igreja Matriz, entre outros. As obras foram provavelmente concluídas em 1766, data inscrita no alto da porta principal. A construção, feita por partes, recebeu acréscimos para adaptação às diversas atividades que abrigou o quartel policial, o colégio diocesano e, finalmente, o Convento de Santo Antônio. Este templo destaca-se pelo porte e beleza, constituindo-se num exemplar representativo do estilo barroco na cidade de Natal. É tombada em nível estadual desde 1983

Fotos: Iphan#

Forte dos Reis Magos (foto)
Em 1597, o Governador Geral do Brasil, D. Francisco de Souza, determinou a organização de uma expedição para expulsar os franceses da Capitania do Rio Grande, que previa a construção de uma fortificação na barra do Rio Grande (Rio Potengi), e a posterior fundação de uma cidade. Em 6 de janeiro de 1598, começou a ser construída a fortaleza, chamada de Reis Magos em homenagem aos Santos Reis, comemorado naquele dia.   A obra foi concluída em 1630, após melhoramentos. Seu traçado, atribuído ao padre jesuíta Gaspar de Sampères, segue teorias arquitetônicas renascentistas italianas do século XVI.

Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos
É o segundo templo católico de Natal. A data de fundação é desconhecida, mas sabe-se que em 1714 já estava concluída. Construída para o atendimento às classes sociais menos favorecidas – escravos, negros libertos e pobres – ocupa uma localização privilegiada, sob um platô de onde se descortina a paisagem do estuário do Rio Potengi. Embora não haja registros de sua fábrica original, comprovou-se que a torre, a sacristia e a ala lateral foram acrescidas posteriormente, o que indica que foi originariamente erguida de forma semelhante a uma capelinha de engenho. Tombada em nível estadual em 1987, passou por uma última restauração e foi reinaugurada em 1988