Multicultural por natureza

Porto Alegre fica no extremo Sul do Brasil e nasceu de uma pequena colônia de  açorianos que se estabeleceram na região por volta de 1752. Nos séculos seguintes, a cidade acolheu imigrantes de todo mundo, e esse conjunto de múltiplas expressões e origens étnicas e religiosas fez de Porto Alegre uma cidade multicultural por natureza.

A capital do Rio Grande do Sul é também a capital dos Pampas, como é conhecida a região de fauna e flora características formada por extensas planícies que dominam a paisagem do Sul do Brasil e parte da Argentina e do Uruguai. Nessa região que nasceu o gaúcho, figura histórica, dotada de bravura e espírito guerreiro, resultado de lendárias batalhas e revoltas por disputas de fronteiras entre os Reinos de Portugal e Espanha, a partir do século XVI.

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Porto Alegre tem uma vida cultural diversificada, com intensa atividade nas mais diversas expressões artísticas, esportes e ciências, além de possuir ricas tradições folclóricas e um significativo patrimônio histórico em edificações centenárias, e numerosos museus. As diversas casas noturnas atendem a variado público, dos mais conservadores aos mais vanguardistas e irreverentes, possuindo uma grande quantidade de bares, pubs, cafés, casas de espetáculo e danceterias.

O conjunto de ilhas fluviais, parques e de áreas de preservação natural, somado à área rural e ao elevado índice de arborização das vias públicas, fazem de Porto Alegre uma cidade verde. O clima é classificado como subtropical úmido, tendo como característica marcante a grande variabilidade.

Do Aeroporto Internacional Salgado Filho, um dos maiores do país, são apenas 15 minutos até o centro da cidade. O transporte público urbano, servido por ônibus, táxis e lotações oferece ampla mobilidade, e o metrô de superfície liga rapidamente a Capital às cidades metropolitanas.

Monumentos selecionados

Igreja de Nossa Senhora das Dores (foto abaixo)
Construção em estilo eclético, iniciada em 1833, sobre edificação anterior, utilizada como capela mor, conservando-se a imagem de sua padroeira. Concluída em 1901 pelo arquiteto de origem alemã, Júlio Weise, sua decoração interna e as talhas dos altares são obra do mestre português João do Couto e Silva. As pinturas dos forros foram feitas por Germano Traub. Possui escadaria para a antiga Rua da Praia, atual dos Andradas. A antiga edificação, cuja construção iniciara-se em 1807 tinha, em seu projeto original, torres barrocas com cúpulas arredondadas, ao gosto português. O acesso era feito pela Rua da Ponte, atual Riachuelo.

Fotos: Iphan#

Solar dos Câmara
O Solar dos Câmara foi construído entre 1818 e 1824. A casa, além de se tornar um marco da paisagem porto-alegrense, foi também cenário para reuniões e encontros políticos, como testemunho de importantes decisões. Foi construído por José Feliciano Fernandes Pinheiro, primeiro Presidente da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, como sua residência. Concebida inicialmente em estilo colonial português, a casa passou por uma grande reforma em 1874, atendendo ao estilo neoclássico. O prédio foi ampliado e os ambientes internos receberam requintes como veludos, lustres, tapetes e cristais. Em 1963, o prédio foi tombado como Patrimônio Histórico Nacional IPHAN, pois além de seu valor histórico, passou a ser o remanescente mais antigo de arquitetura residencial do século XVIII em Porto Alegre.

Antigo prédio dos Correios e Telégrafos – Memorial do Rio Grande do Sul
Sua construção foi iniciada em 1910 e concluída em 1913. A execução do projeto foi confiada ao Engenheiro Rodolfo Ahrons e ao Arquiteto Teodor Wiederspahn. O estilo arquitetônico é marcado pela tendência às formas abarrocadas. O grupo principal de esculturas pretende evidenciar os serviços prestados pelos correios unindo os continentes. Outros dois grupos de esculturas na fachada evidenciam uma linha familiar: a mãe que enlaça o filho e com o outro segura uma carta (mostrando a dor da separação dos imigrantes e a função doméstica da mulher como base da família). A ideia de mostrar nas esculturas as expectativas dos imigrantes agradava ao governo positivista. Havia, nesse período, uma política de incentivo à imigração e sua integração à economia colonial.

Pórtico Central e Armazéns do Cais do Porto
A levíssima estrutura de ferro do Pórtico Central do Cais do Porto era a porta de entrada da capital para os viajantes que, nos anos 20, chegavam a bordo dos paquetes. O pórtico, de origem francesa, construído entre 1911 e 1922, descortina 3,2 mil metros de calçadas de pedra, onde se alinham 17 armazéns.

Palacete Argentina
A edificação foi construída em 1901, pelos irmãos Tomatis, para Sebastião de Barros. A partir de 1940 abrigou o Grupo Escolar Argentina, sendo desapropriada pelo Governo do Estado em 1971. Em 1984 o IPHAN restaurou a edificação para instalar sua sede regional. O requintado sobrado urbano, com características ecléticas, integrava o conjunto de edificações da Avenida Independência do qual restam poucos exemplares. Com um pavimento principal e porão alto, o acesso era feito por uma escadaria lateral. Reformado em 1928 recebeu um acréscimo nos fundos com um jardim de inverno no pavimento superior. Possuía paredes pintadas com padronagens geométricas ou com motivos florais , executadas com cores fortes e barras decorativas junto aos forros. Destaque para os vitrais art nouveau, art déco e elementos trabalhados em madeira jacarandá.

Observatório Astronômico da UFRGS
Projeto do engenheiro Manoel Barbosa Assumpção Itaqui, foi construído entre 1906 e 1908. Segundo especialistas, é o mais completo exemplar da arquitetura art-nouveau existente em Porto Alegre. Suas fachadas são ricas em elementos decorativos de inspiração animal e vegetal. No ponto mais elevado da edificação se encontra a cúpula giratória, construída em ferro e revestida de madeira. Merecem destaque ainda a pintura mural existente no terceiro pavimento, representando Saturno, o Deus do Tempo e a requintada caixilharia em madeira com acabamentos rendilhados.

Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Em 17 de fevereiro de 1900 foi criada a Faculdade Livre de Direito de Porto Alegre, a primeira do gênero na região sul do Brasil e um dos marcos do ensino humanístico na UFRGS. Sua arquitetura monumental e simétrica é definida pela regularidade do seu volume em forma de prisma retangular, dotado de um frontão clássico, exuberante mas bem proporcionada ornamentação nas fachadas, coberturas e platibandas e sua cúpula central adornada com rica estatuária figurativa. Internamente, o hall principal marca a simetria e reforça a monumentalidade do conjunto, com sua escadarias de mármore e corrimão em estuque veneziano, as pinturas decorativa dos tetos e paredes e os vitrais representando a Justiça, a Doutrina e a Ciência. Convém destacar, ainda, o magnífico mural de Ado Malagoli presente no auditório.

Sítio Histórico da Praça da Matriz
Localizada no coração da cidade de Porto Alegre, em 1770, a praça era conhecida como Alto da Praia e, com poucas edificações era apenas um terreno com declive acentuado, marcado pela erosão. Entre 1772 e 1773, foi construída, na área da atual Catedral Metropolitana, uma Igreja Matriz, em homenagem a Nossa Senhora de Madre de Deus. Por isso, a área passou a ser chamada de Largo ou Praça da Matriz. A região só ganhou destaque em 1858 com a inauguração do Theatro São Pedro. As obras de ajardinamento, arborização e calçamento começaram a partir de 1881. Com a Proclamação da República, em 1889, passou a se chamar Marechal Deodoro, denominação oficial que permanece até hoje. Desde 1914 há no centro da praça o monumento em homenagem a Júlio de Castilhos, criado pelo escultor Décio Villares, projetado em forma de uma pirâmide onde foram alinhadas figuras para representar a biografia do primeiro presidente republicano do estado. Palco de relevantes fatos históricos e manifestações populares, também é conhecida como a praça dos poderes. Porque abriga os centros decisórios dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Sítio Histórico da Praça da Alfândega (foto acima)
A história da Praça da Alfândega está ligada às suas atividades  no século XVIII, no antigo porto fluvial da cidade no rio Guaíba. Em julho de 1782, um cais de pedra foi construído para facilitar o embarque e desembarque de passageiros e mercadorias. Em 1804, o local ganhou um trapiche de grandes dimensões, com 24 pilares de cantaria adentrando o leito do rio. Em 1866, a Companhia Hidráulica Porto-Alegrense instalou um chafariz de ferro bronzeado na praça e deu início à arborização. O ajardinamento e os adornos da área foram feitos pelos moradores, seguindo as orientações da engenharia pública. A Praça da Alfândega é cercada por importantes construções, algumas delas históricas, como o Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli e o Memorial do Rio Grande do Sul. Desde 1955, sempre na segunda quinzena do mês de outubro, a praça abriga a tradicional Feira do Livro de Porto Alegre.

Ponte do Imperador
Localizada sobre o Rio Feitoria, teve sua construção iniciada em 1855. Recebeu o nome de Ponte do Imperador em homenagem ao imperador Dom Pedro II, que governava o Brasil à época de sua construção. Construída em cantaria de pedra grês, possui 88 metros de comprimento, 14 metros de altura e 14,2 metros de largura, com três arcos plenos para a passagem de água e de saídas laterais com rampas de acesso às residências. Uma obra notável para a época, em função de suas grandes dimensões, foi construída em substituição a uma ponte de madeira. Servia de articulação entre a região colonial e a capital da província, por onde passava toda produção dos imigrantes a caminho do mercado consumidor, em Porto Alegre. Por isso é considerada importante referencial para historia econômica do Estado

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição
A região conhecida originalmente como Campos de Viamão (RS) foi um dos primeiros núcleos do povoamento do Rio Grande, no Sul do Brasil. Teve sua ocupação iniciada em 1732 com doação de sesmaria a Manoel Gonçalves Ribeiro. Posteriormente, a vinda de casais açorianos à região consolidou a posse portuguesa das terras. A construção da capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição é do início dessa ocupação. Viamão tornou-se Freguesia em 1741, e teve a construção de sua Igreja Matriz iniciada em 1747, segundo o projeto do arquiteto José Custódio de Sá e Faria. Foi capital da Província de 1763 a 1773. A Igreja Matriz de Viamão, incluindo todo o seu acervo, foi inscrita pelo IPHAN no Livro de Belas Artes em 1938. Possui grande importância arquitetônica, histórica e artística.