Influência da invasão holandesa

Uma das cidades mais antigas do país, Recife tornou-se a principal referência da Capitania de Pernambuco, conhecida em todo o mundo comercial da época, graças à cultura extensiva da cana-de-açúcar. Isso despertou o interesse dos holandeses que, atraídos pela riqueza e pela posição estratégica de Recife, invadiram e ocuparam a cidade por 24 anos, entre 1630 e 1654.

Se por um lado o período da invasão inibiu a ampliação do patrimônio material e artístico da região, favoreceu o aparecimento de uma nova cidade, a Mauritiópolis, implantada na ilha de Antonio Vaz, junto à foz dos rios Capeberibe e Beberibe, construída com os sistemas e urbanização tradicionais dos invasores. Desse período ainda podem ser vistos os Fortes das Cinco Pontas e do Brum, construídos pelos holandeses para sua defesa. O Parque Histórico Nacional dos Guararapes, localizado na cidade de Jaboatão dos Guararapes, foi criado em 1971, e mantém a memória do local onde ocorreram as duas batalhas que colocaram fim ao domínio holandês no Brasil.

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Foto: Embratur#

Recife tem 33 bens tombados pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). São igrejas, palácios, fortalezas, conventos, prédios, conjuntos urbanos e várias outras obras que testemunham as diferentes fases e aspectos da capital pernambucana. Destacam-se os fortes, o conjunto paisagístico do Sítio da Trindade, o conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico de Recife, as igrejas do Convento de Santo Antônio, de Nossa Senhora da Conceição dos Militares, da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, o Convento e Igreja de Santo Antônio, o Mercado São José, entre outros.

Não é somente a riqueza arquitetônica da cidade que chama atenção. Há ainda uma rica variedade cultural que inclui o artesanato – com as figuras de barro modeladas por mestres artesãos, tornados ainda mais populares pela influência do ceramista popular Mestre Vitalino - e festas populares: na música e na dança a maior expressão é o Frevo, declarado Patrimônio Mundial Imaterial pela UNESCO, em 2012, uma forma de musica, coreografia e poesia densamente enraizada em Recife e Olinda, e que marca o carnaval dessas duas cidades.

A cidade de Olinda, vizinha a Recife, é uma das mais antigas do Brasil. Fundada em 1535, foi originalmente a Sede da Capitania de Pernambuco. Sua localização de difícil defesa levou à primazia de Recife. Incendiada pelos holandeses, após a retomada dos portugueses, a cidade voltou ao status anterior, perdendo definitivamente o título de capital para Recife, em 1837. Olinda foi a segunda cidade brasileira a ser declarada Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela Unesco, em 1982, após Ouro Preto. Destacam-se na cidade excepcionais exemplos de arquitetura religiosa dos séculos XVI e XVII, como o Convento e Igreja de Nossa Senhora do Carmo e o Convento de Nossa Senhora das Neves, que integra o conjunto arquitetônico do Convento de São Francisco, perfeitamente integrados ao conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico de Olinda. Uma tradição do carnaval de Olinda desde os anos de 1930 são os bonecos gigantes, personagens peculiares da inconfundível festa.

Pode-se chegar a Recife e Olinda pelo Aeroporto Internacional, através das rodovias BR 101 e BR 232 ou pela rodoviária, o Terminal Integrado de Passageiros Antônio Farias, aonde chegam ônibus de várias regiões do país.

Monumentos selecionados

Capela Dourada, claustro e casa de oração da Ordem Terceira de São Francisco de Assis
A Igreja datada dos séculos XVII e XVIII possui arquitetura barroca exuberante, sendo as paredes do claustro, bem como a cúpula, ricamente ornamentadas com azulejos e entalhes no estilo rococó, expressando o apogeu econômico vivenciado à época em Pernambuco. É toda revestida de talha dourada e os painéis de autoria de José Pinhão de Matos, representam os santos da ordem franciscana. Seu teto é curvo e completamente ornamentado de talha dourada, exceto quando há azulejos e pinturas. A capela é aberta para culto religioso e se localiza na Rua da Imperatriz, 147.

Forte de São João Batista do Brum
A fortificação começou a ser construída em 1629, no istmo de Olinda. Teve o projeto continuado pelos holandeses, em invasão ocorrida em 1630. Após a retomada portuguesa do forte, em 1654, foi elaborada uma planta para sua reconstrução, que incluiu o fosso inundado protegido pelo muro. Estruturada em pedra e cal, de planta quadrangular, possui dois baluartes para o lado do rio Beberibe. O Forte Brum serviu de refúgio, durante a Revolução Pernambucana, para o Governador e Capitão-general da Província de Pernambuco, Caetano Pinto de Miranda Montenegro, e de cárcere para prisioneiros de guerra na Confederação do Equador e Insurreição Praieira. Atualmente é um Museu Militar. O Forte fica na Praça Comunidade Luso-Brasileira, s/n, Cais do Apolo, Recife.

Conjunto paisagístico do Sítio da Trindade
Situado no bairro de Casa Amarela, no Recife, o Sítio da Trindade representou um espaço importante no período da invasão holandesa (1630 – 1654) como local de resistência contra os invasores. Naquela área de terreno elevado, existiu o Forte Arraial do Bom Jesus, também chamado de Arraial Velho. Posteriormente as terras foram adquiridas pela família Trindade Paretti, que deu origem ao nome atual. Em 1952, o Sítio da Trindade foi desapropriado e declarado como um bem de utilidade pública. Em reconhecimento à sua importância histórico-social, no dia 17 de junho de 1974, o local foi classificado como um conjunto paisagístico e tombado pelo IPHAN.