Argentinos dominam Fan Fest de São Paulo e lamentam contusão de Neymar

05/07/2014 - 19:39
Torcedores que acompanharam a classificação argentina na exibição pública superam rivalidade e manifestam pesar com a ausência do craque brasileiro na reta final do Mundial

Foto: Adalberto Leister Filho/Portal da Copa#Brasileiros e argentinos torceram juntos no AnhangabaúHá fatos que superam qualquer desavença ou rivalidade. Foi o caso da lesão de Neymar na sexta-feira, quase no final da partida contra a Colômbia. Os torcedores da Argentina poderiam comemorar o fato de o Brasil ter perdido seu principal jogador para o resto da Copa do Mundo. Não é isso o que ocorre.

“É uma pena. Sinto muito pelos brasileiros. A Copa do Mundo não vai ser a mesma”, lamentou Sabrina Alderete, que sonha em uma final entre Argentina e Brasil, no Maracanã. “Mas se não for nesta Copa, Messi e Neymar irão se enfrentar na próxima”, acrescenta ela, que foi até a Fan Fest, no Vale do Anhangabaú acompanhar o confronto de sua seleção com a Bélgica, pelas quartas de final.

“Foi uma pena o que aconteceu com o Neymar. Ele não merecia sair da Copa deste jeito”, afirmou Agustin Roldán, de Buenos Aires, que mesmo assim acredita que os arquirrivais serão os adversários na decisão do título.

“O Brasil, para mim, tem a melhor defesa. Nós temos o melhor ataque. Vai ser uma grande partida”, afirmou. “Espero que ganhe a Argentina. Mas nem sempre ganha o melhor. Foi o que aconteceu no Maracanazo [derrota do Brasil para o Uruguai na Copa de 1950]”, comenta.

Dominantes

Como tem sido usual em dias de jogos do time de Lionel Messi, os argentinos tomaram conta da Fan Fest. O grupo, dominante no espaço para 25 mil pessoas, se concentrou mais próximo ao telão, embalado pelo cântico que relembra a vitória sobre o Brasil na Copa de 1990. Trajados com a camisa listrada de azul e branco e com bandeiras e faixas, eles não deixaram de provocar os brasileiros ali perto, que longe de partir para a briga, se contagiavam pela animação dos hermanos. Alguns pulavam com a bandeira do Brasil e não se intimidavam em falar que “Maradona é maior do que Pelé”.

A grande expectativa, na verdade, é superar uma boa recordação de 24 anos atrás. De lá para cá, os argentinos não ganharam mais nenhuma Copa e, até este sábado, nunca mais tinham retornado a uma semifinal. Nos mesmos 24 anos, viram o Brasil acumular mais dois títulos mundiais (1994 e 2002), além de ter participado de mais uma final (1998). “Seria sensacional ganhar o título no Brasil”, afirma Roldán, cuja seleção enfrentou outro jogo difícil nesta Copa.

Precoce

Logo no início do jogo, os argentinos tiveram motivo para comemorar. Higuaín, que ainda não havia balançado as redes na Copa, acertou um sem pulo, sem chances para o goleiro Courtois. E tome mais: “Brasil, decime qué se siente, tener em casa tu papá...” Para o desânimo de alguns brasileiros que compareceram à festa para tentar secar o adversário.

“Não está dando certo. O ataque da Bélgica está mal. O Hazard [principal jogador belga] está apagado”, lamentava o guia turístico Celso dos Santos no intervalo do jogo.

A pressão belga, que não havia sido muito efetiva no primeiro tempo, se intensificou na etapa complementar. O técnico Marc Wilmots tentou aumentar a velocidade do ataque, com a entrada de Lukaku no lugar de Origi. Contra os Estados Unidos, o atacante do Everton pôs fogo no jogo, quando ocorreu a mesma substituição. Contra a Argentina, a troca não deu resultado.

No final do jogo, aos 48 minutos do segundo tempo, Messi escapou livre e quase ampliou a vitória, mas foi parado pelo goleiro Courtois, seu rival antigo no Campeonato Espanhol. Um minuto depois, após confusão na área argentina, Witsel chutou de fora da área com perigo, mas a bola foi para fora. Argentina classificada, para delírio do público no Anhangabaú.

“Foi duríssimo. Se jogo da Argentina não for sofrido, não vale”, afirmou Roldán, após a partida. “Deve ter sido como a partida contra a Colômbia para os brasileiros”, comparou ele, esperando sofrer em mais duas vitórias. Tudo para esquecer o cântico feito especialmente para o Mundial do Brasil e poder inventar novas canções de incentivo, com façanhas mais atuais.

Adalberto Leister Filho, do Portal da Copa em São Paulo (SP)

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