Argentinos tomam conta da Fan Fest do Anhangabaú

01/07/2014 - 18:06
Evento, com capacidade para 25 mil pessoas, lotou antes do início do jogo entre Argentina x Suiça

Houve uma invasão de argentinos na Fan Fest, no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, nesta terça-feira. Se uma minoria dos torcedores do país conseguiu ingresso para entrar na Arena Corinthians, para o confronto contra a Suíça, a imensa maioria que veio até a capital paulista estava no cercadinho da festa ou nas imediações, bebendo e festejando nos bares ou na rua.

Dos 65 mil ingressos disponibilizados pela Fifa aos torcedores no Itaquerão, 7.500 foram referentes a pedidos vindos da Argentina. No Expresso da Copa, trem que sai da estação da Luz com destino à Corinthians-Itaquera em 19 minutos, dava a desproporção. A imensa maioria era de brasileiros que seguiam para o estádio, que reuniu 63.255 torcedores. A maioria não escondia a preferência pela Suíça.

Já no Anhangabaú, para a festa gratuita, a proporção se inverteu. Muitos dos visitantes de última hora, que ficaram acampados no autódromo de Interlagos e no Sambódromo do Anhembi, optaram pela festa na rua. Com capacidade para 25 mil pessoas, a Fan Fest teve início às 9h e logo às 10h os portões já estavam fechado porque a lotação havia sido atingida. Dentro, um mar de azul e branco, as cores da camisa da Argentina. O predomínio era maior até do que o de brasileiros quando a seleção nacional enfrentou o Chile, no último sábado.

Fotos: Adalberto Leister Filho/Portal da Copa#Tensão e ansiedade dos argentinos se transformou em festa e alívio só no fim do segundo tempo da prorrogação

Os brasileiros, em minoria, festejavam com os hermanos, muitas vezes ouvindo, sem ligar muito, provocações do arquirrival. A principal delas é o cântico-chiclete que lembra a vitória da Argentina sobre o Brasil, na Copa de 1990 e afirma que “Maradona é melhor do que Pelé”.

Dos outros países sul-americanos, apenas a Colômbia aparecia com um número significativo de representantes. Bolivianos, venezuelanos e peruanos, que nem se classificaram para o Mundial, também circulavam pelo evento, com camisas de suas seleções e bandeiras.

Calor e apreensão

A concentração de argentinos, desde o início da partida, aconteceu próximo ao telão. Cerca de 50 metros antes do palco já era difícil se movimentar. Nem o sol, que chegou a mais de 25C, esfriou os ânimos dos torcedores, que não paravam de entoar algum dos vários cânticos de louvação à pátria e à seleção. Alguns, tiraram, as camisas. Havia até mulheres com visual praieiro, de shorts e a parte de cima do biquíni.

Sem Agüero, machucado, e com Messi pouco inspirado, a Argentina tinha dificuldades de criar chances contra o gol de Benaglio. O Ferrolho suíço, tática característica do país que consiste em muita retranca e um jogo de velocidade no contra-ataque, funcionou durante todo o jogo, causando preocupação nos torcedores.

“Para a Argentina, é sempre mais difícil jogar contra equipes que ficam fechadas na defesa”, lamentava Gustavo Roleri, de Buenos Aires, lembrando do sufoco que havia sido o duelo contra o Itã, ainda na primeira fase. “Messi apareceu pouco. Não criou muitas jogadas. A Argentina depende muito dele”, lamentava Diego Roca, também da capital argentina.

Tempo adicional

A prorrogação foi o momento de aflição. As cantorias animadas deram lugar ao silêncio geral e aos lamentos diante das poucas chances criadas. A apreensão só acabou quase no final do jogo, com o gol de Di Maria, após boa jogada de Messi. O cronômetro já marcava 13 minutos do segundo tempo da prorrogação. Apenas mais dois minutos de 0 x 0, e o jogo iria para a loteria dos pênaltis.

A explosão de alegria levantou até poeira no Anhangabaú. “Olê, olê, olê, olê, olê, olá. A cada dia te amo mais. Sou Argentina, é um sentimento que não posso parar”, entoavam os animados hermanos, lembrando o cântico que foi o mais entoado pelos torcedores do país na Copa do Mundo da Alemanha, em 2006.

“Prefiro agora enfrentar a Bélgica”, afirmou Gustavo Barrameda, de Buenos Aires. “Se passar os Estados Unidos, eles vão jogar lá atrás. Para nós, é melhor enfrentar um adversário que joga e deixa jogar, como foi a Nigéria”, acrescentou.

Adalberto Leister Filho, do Portal da Copa em São Paulo (SP)
 

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