Bonjour, Ribeirão Preto: seleção francesa na cidade motiva moradores a aprender a língua dos visitantes

18/06/2014 - 17:18
Profissionais de diversas áreas fizeram cursos básicos de capacitação e querem continuar os estudos após o fim da Copa. No clima dos Bleus, um francês abriu um bar só para a Copa e o local já é sucesso da cidade

Bonjour, ça va bien? Em Ribeirão Preto, a língua do momento é o francês. Motivados pela presença da equipe da França na cidade do interior paulista, os moradores decidiram aprender o idioma e aproveitaram os cursos de capacitação oferecidos na cidade.

Fotos: Carol Delmazo/ Portal da Copa#Cabo Marcelo Alves (E) e Capitão Cícero Melo fizeram cursos de francês em Ribeirão PretoPoliciais, taxistas, garços, agentes de viagem e pessoal de recepção de hotéis são exemplos de profissionais que cursaram módulos de francês gratuitos na Fundação de Formação Tecnológica de Ribeirão Preto (Fortec). As primeiras aulas começaram muito antes da classificação da equipe de Didier Deschamps para a Copa de 2014, em agosto do ano passado, quando a escolha de Ribeirão Preto como Centro de Treinamento era ainda uma possibilidade. Desde então, mais de 30 turmas foram formadas, somando cursos em andamento e já finalizados.

A média é de 30 alunos por turma. Entre eles, está o cabo da Polícia Militar de São Paulo, Marcelo Alves, que fez os módulos I e II do curso da Fortec, cada um com duração de três meses. Ele não está envolvido na segurança da seleção francesa, mas a mídia do país europeu mandou dezenas de representantes para Ribeirão Preto e o contato com os jornalistas vem sendo frequente. “Muitas vezes os jornalistas franceses perguntam uma coisa ou outra e a gente consegue ajudar. Pedindo para falar devagar, sempre conseguimos nos comunicar”, disse.

O capitão Cícero Santos Melo foi colega do cabo Alves nas aulas. Gostou tanto que decidiu entrar em um curso regular na Aliança Francesa de Ribeirão Preto. “Fiquei com vontade de aprender mais sobre a cultura. É um investimento, conhecer outra língua estrangeira, além do inglês, é sempre importante”, contou.

Apoio à imprensa

Os dois policiais trabalham perto do Centro de Imprensa da França em Ribeirão Preto que foi montado no belo Theatro Pedro II, inaugurado em 1930 no centro da cidade. Um incêndio quase pôs fim ao segundo maior teatro de ópera do país, mas ele foi reconstruído e reinaugurado em 1996, voltando a ser o principal cartão postal da cidade. Por estes dias, a fachada ostenta duas bandeiras: a do Brasil e a da França.

Na área interna do prédio, os jornalistas encontram apoio para o trabalho de cobertura da seleção, com estações de trabalho e internet gratuita. Nas entrevistas coletivas, jogadores e comissão técnica ficam no placo e os jornalistas sentam-se no espaço da plateia. Para os profissionais da mídia brasileira que também estão acompanhando os Bleus, há tradução simultânea dos prossores da Aliança Francesa de Ribeirão Preto. Dez profissionais da escola se revezam, de 8h às 23h, no apoio aos jornalistas.

Nos últimos seis meses, a Aliança também ofereceu cursos de capacitação para profissionais do setor hoteleiro e de turismo, entres outros. "Com o time aqui em Ribeirão, é natural que o interesse cresça. Mesmo em situações adversas, como na Copa de 98, houve uma procura pelos cursos, pessoas interessadas na cultura. Agora não seria diferente , disse Desirée Resende, diretora da Aliança Francesa.

Segurança no atendimento

No hotel JP, onde a seleção francesa está hospedada, trinta pessoas passaram por cursos de francês e cultura francesa. São trabalhadores do departamento comericial, do setor de governança, de alimentação e de serviços gerais. O objetivo é oferecer a Karim Benzema e companhia o melhor atendimento possível. “Aprendemos vocabulário de situações envolvendo o restaurante e está sendo útil para atender as solicitações da delegação. Além disso, despertou minha curiosidade, pretendo continuar aprendendo mais tanto sobre a cultura quanto a língua”, disse Ronaldo de Sá, maître executivo do restaurante do hotel.

De acordo com a  gerente comercial do JP, Luciana Marotta,  a equipe está bastante motivada no trabalho envolvendo a equipe francesa. A empolgação, segundo ela, se estende aos moradores da cidade. "Os shopping estão com programações sobre cultura francesa.Várias casas estão decoradas com bandeiras do Brasil e França, uma forma de dizer eles que são muito bem-vindos. Também vemos um deslocamento da população até o hotel para tentar ver os jogadores, fazer uma selfie ou pegar um autógrafo. Ribeirão Preto acolheu com muito carinho a delegação, por onde o ônibus passa é cortejado”, contou.

Bar des Bleus

Não só os brasileiros se esforçam para fazer os europeusnse sentirem em casa. O chef francês Sidney Degaine, que mora em Ribeirão há dois anos e meio, tem um papel duplo: o primeiro é agradar o paladar dos jogadores e comisstão técnica, como auxiliar do chef da delegação francesa, e o outro é promover o intercâmbio entre os ribeirãopretanos e os franceses que estão na cidade.

Para atingir o segundo objetivo, Sidney teve a ajuda do dono da concessionária que fica ao lado do restaurante dele. Os carros deram lugar a mesas e o ponto foi emprestado por um mês para a criação do Bar Des Bleus – Arena 12.

#Bar des Bleus lotado em dia de jogo do Brasil. No alto à direita, Sidney Degaine. Em baixo, à direita, Michel posa para foto com frequentadoras do bar

“A gente pegou características bem brasileiras: cerveja gelada, petiscos, telão, música ao vivo.  São dois públicos: tendo o nome francês, atrai os franceses que estão na cidade, já que só de jornalistas têm uns 150. Mas a ideia é virar um ponto de encontro deles com os moradores da cidade, estimulando a interação”, explicou.

Na abertura da Copa, em 12 de junho, dia da inauguração do bar, 80 pessoas assistiram a Brasil 3 x 1 Croácia por lá. No domingo (15.06), quando a França venceu Honduras por 3 x 0, o bar encheu mais, contanto com a presenção de cinquenta franceses entre os frequentadores. Na última terça (17.06), dia em que Brasil e México empataram em 0 x 0, foram 200 pessoas. A ideia está dando tão certo que Sidney cogita a possibilidade de manter o bar depois do Mundial. Para o trabalho, foram contratadas 15 pessoas, entre elas o francês Michel Tavella.

“Conheci uma brasileira na internet e prometi visitá-la na Copa e, quem sabe, ficar mais no Brasil. Cheguei à procura de um emprego. Olhei os restaurantes franceses na internet, fui a dois e me disseram que não tinha vaga. Aí eu vi o bar, entrei e perguntei se podia trabalhar. O Sidney disse: pode vir amanhã. E eu comecei no dia da abertura”, disse.

A comunicação é feita de várias formas: em francês, inglês, com o pouco de português que já sabe e com o gestual. Mas umas das características mais importantes de Ribeirão Preto e do Brasil ele já aprendeu em poucos dias.  "As pessoas são adoráveis, é um povo alegre, todo mundo sorri para você. Eu me apaixonei pelo Brasil”, disse.

Carol Delmazo – Portal da Copa em Ribeirão Preto (SP)

 

Notícias Relacionadas

Aeroportos, segurança pública e atrativos turísticos têm mais de 80% de aprovação entre os profissionais de imprensa
+
Ao todo, 1,6 milhão de passageiros passaram pelos terminais entre 10/6 e 13/7. A cada 10 passageiros que desembarcaram no país, um passou pela capital
+
Principais emissores de turistas foram Argentina, Chile, Colômbia e Estados Unidos
+