Classificação leva argentinos ao delírio no Anhangabaú

09/07/2014 - 21:43
Torcida dos hermanos foi da tensão absoluta à festa irrestrita na Fan Fest de São Paulo

Fotos: Adalberto Leister Filho/Portal da Copa#Parafraseando um dos gritos de torcida dos argentinos, o “sofrimento não pode parar”. Foi novamente um sufoco. Principalmente para quem estava longe da Arena Corinthians, e assistiu à semifinal da Copa do Mundo contra a Holanda na Fan Fest, no Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo.

Dois feriados deram a oportunidade para argentinos e paulistas estarem na festa. Em São Paulo, era feriado pela Revolução Constitucionalista de 1932. Na Argentina, dia da independência.

A torcida argentina só deixou de pular e gritar incentivos a sua seleção no minuto de silêncio em homenagem ao craque Di Stéfano, que morreu nesta semana. Em seguida já ensaiou um “Olê, olê, olê, olê, olê, olá, sou Argentina. Esse sentimento não pode parar”.

Alguns poucos holandeses se concentravam nas beiradas e assistiam ao jogo em silêncio. A torcida do time de Robben e Van Persie era engrossada pelos brasileiros, muitos com camisa da Seleção Brasileira, mas com a bandeira holandesa pintada no rosto.

Nem a chuva que começou a cair, nem as escassas chances de gol desanimavam os festeiros argentinos, que não parava de pular e gritar. A garoa fina que incomodou a torcida durante quase todo o jogo fez com que o comércio se modificasse. Alguns vendedores de cervejas passaram a circular pela Fan Fest vendendo capas de chuva por R$ 5. Quase não sobrou nenhuma.

Em todo o primeiro tempo, o time de Messi e Higuaín bem que tentava, mas as defesas se sobressaíam. O rosto tenso dos argentinos, que dominaram todo o espaço próximo ao telão, mostrava o que foi o jogo. “Fico muito nervosa. Só sei que vamos ganhar. Sofro muito com a Argentina”, dizia Maira Flores no intervalo do primeiro tempo.

Desespero

O tormento permaneceu na segunda etapa, deixando a torcida da Argentina em desespero. Mãos na cabeça, pose de oração, cigarros acesos compulsivamente. Aos 30min, parecia a catarse: Enzo Pérez cruzou para Higuaín, que enganou a todos, finalizando pelo lado de fora da rede. Pela TV, pareceu gol. As comemorações foram logo abortadas, com ar de decepção.

“Precisamos encaixar um ataque, seguir apertando. Falta um definidor”, analisava Gonzalo Gómez, de Posadas, capital da Província de Missiones, no norte da Argentina.

Pênaltis

O clima permaneceu tenso na prorrogação. Na melhor chance do tempo extra, Messi se livrou de três marcadores e cruzou para Maxi Rodríguez, que pegou mal na bola, fazendo com que Cillessen fizesse fácil defesa, para desespero dos torcedores. Ali ao lado, os brasileiros entoavam cânticos provocativos, lembrando que a Argentina tem o mesmo número de títulos mundiais do Cafu. O preferido, porém, para a irritação dos Hermanos, é o que afirma que só Pelé fez mil gols, enquanto Maradona teve problemas com drogas.

O clima de tensão chegou ao ápice na disputa de pênaltis. Alguns começaram a chorar antes mesmo do início das penalidades. Muitos deram as costas para as imagens da Arena Corinthians, não queriam ver.

Mas a Holanda não confirmou a vantagem de bater sua cobrança primeiro, e Romero defendeu as batidas de Ron Vlaar e Sneijder, para delírio dos argentinos. Quando Maxi Rodríguez anotou o pênalti definitivo, o Anhangabaú explodiu. Os milhares de argentinos no local pareciam ter dificuldade até de definir pelo que estavam passando. “Que loucura, que loucura”, repetia um torcedor.

Terceira vez

A vitória por 4 a 2 na disputa de pênaltis recolocou a Argentina em uma final de Copa do Mundo após ausência de 24 anos. Os hermanos disputam o título pela terceira vez contra a Alemanha, na final de Copa mais repetida da história.

“Estamos na final, estamos na final”, gritavam enlouquecidos os argentinos na Fan Fest. Velhos e jovens se abraçavam e pulavam rodando a camisa no ar, atingindo uns aos outros. Quem se importava.

“Não sei o que isso significa. Não dá para explicar. Não tenho palavras”, dizia, aos prantos, Matias Álvarez. Assim como uma famosa propaganda da TV, ele verá sua Argentina pela primeira vez em uma decisão.

Adalberto Leister Filho e Leonardo Lourenço, do Portal da Copa em São Paulo (SP)

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