Com a Transcarioca, Mercadão de Madureira espera entrar na rota dos turistas

01/06/2014 - 11:00
“Maior mercado popular do mundo” vai ter estação do BRT na porta

O Mercadão de Madureira é o maior mercado popular do mundo, segundo um estudo da Universidade Federal Fluminense (UFF), feito em 2002. Mas o conglomerado de estabelecimentos comerciais que tem de tudo – desde ervas medicinais, passando por brinquedos, fantasias, vestidos de noiva e até animais vivos -, não figura na maioria dos guias turísticos do Rio de Janeiro. Com a inauguração do BRT Transcarioca, neste domingo (02.06), os comerciantes do mercado esperam entrar de vez na rota de atrações da cidade.

Giuliander Carpes/ Portal da Copa#John Emanuel é um dos responsáveis por animar os consumidores durante as compras“Há muitas pessoas que não vêm ao Mercadão porque não conhecem ou porque não têm onde deixar o carro. Se você for olhar os estacionamentos numa hora dessas (16h de uma quinta-feira), vai ver que eles estão todos lotados. Isso faz com que eles acabem aumentando o preço e isso afugenta o cliente. O BRT vai conseguir reverter um pouco esta história”, afirma Vicente Gazola, 56 anos, um dos mais de 300 lojistas do centro popular.

Madureira vai ficar no meio do caminho do corredor de ônibus expressos de 39 km e 45 estações que ligará a Barra da Tijuca ao Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão). Há uma parada bem em frente ao Mercadão e uma estação de integração com o metrô Vicente de Carvalho, a menos de 10 minutos dali.

“O Rio de Janeiro vai estar todo interligado. Vai ser mais rápido chegar aqui. Porque até agora, se a pessoa resolve vir de carro ou de ônibus, fica presa no engarrafamento. Acho que as pessoas vão passar a deixar o carro em casa para vir de BRT. Se vier de carro da Zona Sul ou até da Barra, vai demorar 2h, 3h, dependendo de como estiver a Linha Amarela. Com a Transcarioca, tanto de um lado quanto do outro vai ser possível chegar em cerca de 1h. E sem estresse com o trânsito”, diz Gazola, que está há 46 anos no shopping.

“Quando eu tinha nove anos já ajudava minha mãe no Mercadão. A loja era muito maior, a gente chegava aqui às 3h da manhã para começar a trabalhar. Eram outros tempos”, recorda o comerciante.    

O administrador do Mercadão, Antônio Tanque, também confia que a obra vá ajudar a revitalizar todo o bairro. “Acredito que realmente chegou a hora de Madureira. Nosso bairro vinha sendo esquecido por muitos anos e ultimamente tem recebido mais atenção. Com isso também a iniciativa privada virou seu olhar para nossa região e está chegando com novos investimentos. Muita coisa está acontecendo e irá acontecer para tornar Madureira novamente a capital do subúrbio”, explica.

O “síndico”, como é conhecido Tanque, mostra quase tanta animação quanto o comediante John Emanuel, um dos responsáveis por animar os consumidores durante as compras pelos corredores do shopping popular.  Ele inventou três músicas para apoiar a Seleção Brasileira durante a Copa do Mundo e, a partir do dia 5 de junho, vai vender um DVD com sua interpretação de vários personagens no Mercadão.

“A gente como brasileiro sempre gosta de futebol e samba. A minha expectativa é que o Brasil ganhe a Copa. E eu espero que muitos turistas venham ao Mercadão para se fantasiar e se preparar para a festa”, conta Emanuel, enquanto dança e brinca com vendedores de brinquedos, instrumentos musicais, roupas e chapéus com as cores da bandeira do país.

Giuliander Carpes/ Portal da Copa#Leia mais sobre a experiência de AlaíasOportunidade

Um dos milhares de trabalhadores que foi empregado pela obra da TransCarioca, Alaías Oliveira também será uma das 320 mil pessoas que utilizarão o novo transporte. “Vai facilitar para muita gente mesmo, inclusive para mim. Antes precisava pegar dois ônibus e, dependendo de como estava a Linha Amarela, demorava uma eternidade. Quando a Transcarioca tiver funcionando, não vai demorar nem uma hora, eu acho”, explica.

O BRT foi a primeira grande obra de sua curta carreira, de três anos na construção civil. Antes, ajudava a fazer pequenas reformas, construir casas.  “Aqui se aprende muito mais. Tem muito mais noção de obra. Fazer um viaduto é muito mais difícil que fazer uma casa”, diz ele, enquanto mistura concreto. “Também é mais motivador. Aqui o cara está toda hora indo para um lugar diferente, não cai na rotina.”

Giuliander Carpes, do Portal da Copa no Rio de Janeiro

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