Com grande fluxo de estrangeiros em Belo Horizonte, comerciantes já projetam legado turístico da Copa

27/06/2014 - 08:56
Movimento intenso surpreendeu lojistas e moradores. Recuperação de áreas tradicionais e inclusão da cidade na rota turística internacional são apontados como os maiores benefícios

Danilo Borges/Portal da Copa#O resgate de áreas tradicionais de convivência em Belo Horizonte e a inclusão da capital mineira no mapa do turismo internacional serão os grandes legados que a Copa do Mundo de 2014 vai deixar para a cidade, na opinião de comerciantes, lojistas e moradores. Milhares de turistas estrangeiros passaram por BH desde o início do Mundial, numa movimentação que surpreendeu os belohorizontinos, transformou o bairro da Savassi em um ponto de encontro de diversas culturas e aqueceu o comércio.

“Nós estamos tendo um fluxo muito grande de turistas em Belo Horizonte. É o maior fluxo que BH já teve de turistas estrangeiros. Estamos muito satisfeitos com o volume de pessoas. Ainda não temos fechamento de faturamento, só troca de informações, mas o pessoal está satisfeito, está feliz”, afirma o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte, Bruno Falci.

Dados preliminares divulgados pela Prefeitura de Belo Horizonte e pelo governo de Minas Gerais após o fim da primeira fase da Copa do Mundo na capital mineira apontam um crescimento de 70% na demanda dos bares e restaurantes da cidade e um total de 22 mil atendimentos de pessoas de 40 nações diferentes nos Centros de Atendimento ao Turista do estado e do município.

“Eu particularmente esperava um aumento na minha clientela, mas esperava mais do brasileiro, que é apaixonado por futebol. Belo Horizonte não tem essa característica de turismo internacional, mas está sendo uma grata surpresa. Os turistas são muito educados, atenciosos. Todos estãa gostando muito de Belo Horizonte, por aquela hospitalidade do mineiro, do brasileiro. Isso está sendo muito positivo. Tem sido melhor que as expectativas”, diz Leonardo Gomide, sócio do Bar do João, que já funciona há 25 anos na Savassi.

As fisioterapeutas Luciana Albuquerque e Juliana Novaes também se surpreenderam com o número de estrangeiros na cidade. “Estou achando superbacana. Eu não esperava esse movimento todo, ainda mais nessa região específica da Savassi. Essa interação com outras culturas está muito legal”, diz Luciana. “Foi uma surpresa. Eu sempre passo na Savassi, todos os dias, e realmente nessa época da Copa está muito movimentado, muito animado. Conversei com alguns estrangeiros que falaram que gostaram muito de Belo Horizonte. A gente até estranha, porque BH não é uma cidade acostumada a receber estrangeiros, então está sendo bem legal”, conta Juliana.

Para ela, a Copa vai ajudar a transformar Belo Horizonte em destino turístico internacional. “BH tem várias coisas legais, como as cidades próximas, Serra do Cipó, Ouro Preto. Os turistas podem vir, conhecer as montanhas, as cachoeiras aqui perto, a culinária mineira, que todo mundo está adorando, essa coisa dos barzinhos, a Lagoa da Pampulha, o Parque da Serra do Curral, o Parque das mangabeiras, aqui tem muitos pontos legais. Acho que Belo Horizonte depois da Copa vai realmente entrar para a rota do turismo no Brasil”, projeta.

A mesma aposta é feita por Bruno Falci, presidente da CDL/BH. “Tive conversas com vários estrangeiros, todos eles encantados com Belo Horizonte, falando que vão voltar e acho que esse é o grande legado nosso. Nós não vamos pagar o custo de investimento da Copa durante a Copa, mas acho que no decorrer de um tempo isso vai ser pago. Depois dessa Copa, BH vai estar inserida definitivamente na rota de turismo. Acho que vai ser uma virada de página para o turismo aqui na cidade”, opina.

Para Leonardo Gomide, do Bar do João, além do ganho de imagem internacional que a capital mineira tem conseguido durante a Copa do Mundo, o resgate da região da Savassi pelos próprios moradores da cidade é um dos benefícios proporcionados pelo Mundial. “A parte boa disso tudo está sendo a redescoberta da região da Savassi pelos mineiros. Isso que eu acho que vai ser o legado da Copa para a gente, para o comercio da região. Vários belohorizontinos estão voltando a frequentar a Savassi, vendo que é uma boa opção de diversão”.

Durante a Copa do Mundo, a Savassi conta também com uma programação de shows e artistas variados. Além disso, uma feira de produtos artesanais está aberta aos turistas todos os dias até o final do torneio. “A gente queria um espaço durante a Copa para mostrar o nosso trabalho, nosso diferencial. E está sendo bem bacana. O pessoal está gostando e a gente também, está surpreendendo pelo lado positivo”, diz Ana Paula Soares Medina, uma das expositoras da feira.

São 30 barracas e em torno de 70 expositores, que fazem rodízio para mostrar os produtos aos clientes. “A gente tem muito artesanato de Minas, confecções com material diferenciado em relação à indústria e também produtos naturais, como sabonete de argila. Temos até produtos dos índios pataxós, que também estão expondo aqui com a gente”, conta Ana Paula.

Mateus Baeta/Portal da Copa#Norte-americanos também elegeram os barzinhos da Savassi como ponto de encontro dos torcedores

Estrangeiros aprovam

Enquanto os mineiros festejam a interação com outros povos e a diversidade cultural que tomou conta da cidade, os estrangeiros fazem questão de elogiar a cidade e a hospitalidade que encontraram. “A cidade é linda, estamos muito felizes e confortáveis aqui. Fomos a Ouro Preto, um lugar histórico muito legal. A organização parece muito boa, tudo parece bom, as placas na rua, só tenho uma reclamação: o tráfego”, diz o colombiano Juan Vasquez, que veio de Medellin com o filho e um amigo para curtir a Copa do Mundo.

Os três estão há duas semanas em Belo Horizonte e, pela primeira vez no Brasil, já planejam até quando vão voltar. “Planejamos voltar ao Brasil sim, quem sabe daqui a dois anos, para os Jogos Olímpicos. É um país muito bonito, queremos conhecer mais lugares aqui”, conta Juan. “Tudo é ótimo, as pessoas são calorosas, felizes. Todo mundo quer sempre se certificar se você está tendo uma boa estada aqui”, completa o filho, Santiago.

O norte-americano Eric Ott, por sua vez, não se cansa de voltar. “Eu já estive no Brasil algumas vezes, porque é o lugar mais bonito do planeta. Belo Horizonte é como se fosse a minha casa”, conta o californiano de San Francisco. Sem economizar nos elogios, ele também não perde a chance de provocar os brasileiros. “Está tudo muito bem organizado, não tive nenhum problema. Vou ficar aqui até os Estados Unidos vencerem o Brasil na final. Só depois eu vou embora. Vou ter que ir depois do desfile no Maracanã com todos os americanos dançando”, brinca.

Mateus Baeta, do Portal da Copa

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