Comitiva do Ministério do Esporte conhece experiências portuguesas em grandes eventos

20/02/2012 - 19:52
O secretário-executivo, Luis Fernandes, visitou a Federação Portuguesa de Futebol e o Parque das Nações para conhecer detalhes da preparação do país para a Eurocopa de 2004 e para a Exposição Mundial de Lisboa, em 1998

 

Rafael Brais#

Para conhecer a experiência dos portugueses na preparação de grandes eventos, o secretário-executivo do Ministério do Esporte, Luis Fernandes, visitou, nesta segunda-feira (20.02), em Lisboa, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e o Parque das Nações (Expo 98), onde teve acesso a dados da construção e concepção da Exposição Mundial de Lisboa 1998, que deu origem a um projeto de inovação urbana em uma área anteriormente degradada da cidade.

Para o secretário executivo Luis Fernandes, a agenda desta segunda-feira foi rica em informações relevantes tanto para a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014 como para os Jogos Olímpicos de 2016. “Ficou ainda mais clara a necessidade de se pensar no desafio do legado. No caso da Eurocopa 2004, apesar do sucesso da competição, o legado teve certa frustração na subutilização de alguns estádios“, comentou.

Na ocasião, dez estádios foram construídos para a competição, que terminou com o título da Grécia e os donos da casa como vice-campeões. “Já o Parque das Nações é um grande exemplo de utilização de um grande evento para alavancar o desenvolvimento da região. Temos que pensar na Copa e Olimpíadas para além do evento”, afirmou.

Eurocopa 2004

O Campeonato Europeu de Futebol foi sediado por Portugal em 2004. Para isso, os anfitriões construíram e reformaram dez estádios. Cerca de um milhão de turistas visitaram o país no período. Para o coordenador administrativo e financeiro da Federação Portuguesa de Futebol e antigo membro da Sociedade Euro 2004, Paulo Lourenço, a organização de um grande evento esportivo é uma grande possibilidade de desenvolver vários setores da sociedade. “Aprendemos muitas coisas, inclusive na criação da estrutura de governança, que depende muito da união e trabalho conjunto de todos os envolvidos“, disse.

Dentre os principais desafios na organização da Euro 2004, segundo Lourenço, estiveram a estruturação de uma equipe ampla para lidar com temas sensíveis como proteção das marcas dos patrocinadores, segurança, vistos e até conflitos interculturais. “Um dos nossos legados foi o trabalho de conhecimento das culturas dos outros países”, afirmou, citando o aumento do respeito com os outros povos. “Muitos cumprimentam de um jeito, abraçam de outro, têm outras tradições. É tão importante essa questão que até virou matéria de universidade aqui em Portugal”, comentou.

Sobre os estádios, Lourenço admitiu que se tornaram uma referência para o esporte no país, apesar de alguns não terem tido o planejamento inicial executado após o torneio. Sobre o Brasil, ele apostou no sucesso dentro e fora de campo. “O Brasil, no futebol e em outras coisas mais, está um patamar acima de muitos países”, acredita.

Parque Expo 98

Fernandes visitou também o Parque das Nações, um grande complexo urbano, comercial e turístico concebido após a Exposição de Lisboa de 1998, chamada de EXPO 98. Na época, em 132 dias de evento, mais de 10 milhões de pessoas visitaram as atrações da Expo. Atualmente a área abriga várias atrações, como o Oceanário, além de um complexo de transporte urbano, cassino, hotéis, centros comerciais, teatro, ciclovia, entre outras estruturas distribuídas por um área de 330 hectares.

O presidente do Parque Expo, John Antunes, citou o grande investimento no local e a criação de uma infraestrutura sustentável, que agregou valor a uma área anteriormente degradada. “O parque, que se tornou um dos fatores que impulsionou o turismo em Lisboa, tem uma forte característica de multifuncionalidade e, por isso, tem uma grande vivência todos os dias”, explica.

Para Luis Fernandes, o exemplo da Expo 98 pode ser adotado pelo Rio de Janeiro nas Olimpíadas de 2016 em áreas como o porto da cidade. “Um modelo muito impressionante de aproveitamento de área degradada em um projeto absolutamente inovador”, comentou.

Rafael Brais/ ME

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