Comunidade de descendentes em Itu lamenta derrota do Japão na estreia

15/06/2014 - 22:47
Festa típica na cidade foi programada para coincidir com estadia da dos japoneses

A derrota do Japão para a Costa do Marfim, na estreia da equipe na Copa do Mundo, no sábado, frustrou as cerca de 5 mil pessoas que participaram da Festa Japonesa de Itu. A cidade hospeda a seleção de Kagawa e Honda. O evento, que teve a quinta edição neste fim de semana (14 e 15.06), foi programado exatamente para coincidir com o período em que a equipe japonesa estaria no Brasil.

“Mesmo que eles não ganhassem o jogo, poderiam vir. Seria uma oportunidade única para a gente”, afirmou Akiko Hashimoto, de 65 anos, que participou de um grupo que apresentou danças típicas do Japão durante a festa.

A vinda da delegação nipônica a Itu foi uma grande vitória para uma cidade que não conta com uma comunidade japonesa assim tão grande. “Há cerca de 100 famílias associadas. Contando todo mundo, há mais ou menos 800 pessoas com ascendência japonesa em Itu”, contou Carlos Maeda, presidente da Acendi (Associação Cultural Esportiva Nikkey de Itu) e empresário na cidade, de cerca de 157 mil habitantes.

Adalberto Leister Filho/ Portal da Copa#

Maeda reconhece que outros municípios, como Mogi das Cruzes, Bastos e Sorocaba possuem comunidades japonesas muito maiores. O trunfo de Itu para atrair a delegação, além do sossego e isolamento necessário para a preparação, é a existências de várias filiais de indústrias japonesas no local, como a Kirin, fábrica de bebidas, e a Aisin, fabricante de peças para indústria automotiva.

“Acho que, se a gente for para o Japão, vamos querer ficar no lugar em que tenha mais brasileiros, para estar mais à vontade. Acho que eles pensaram da mesma forma quando escolheram Itu”, opina o vendedor Rodrigo Kenji, de 29 anos, que assistiu ao jogo e ficou chateado com a derrota. “O time, depois de fazer o primeiro gol [com Honda], estagnou. E ficou intimidado quando entrou o Drogba [astro da Costa do Marfim]. O pessoal que joga na Europa faz diferença. E eles [marfinenses] são mais fortes, têm mais altura”, acrescenta.

Apesar de comunidade mais reduzida, a visita japonesa mexeu com todos. O comércio se intensificou com a vinda de torcedores e jornalistas. “Vieram muitos membros da imprensa. Os hotéis lotaram”, conta Maeda, lembrando que a delegação de jornalistas japoneses é uma das mais representativas em megaeventos, como Copas e Olimpíadas. Não bastasse isso, Itu também foi escolhida como lar pela delegação da Rússia.

Nas barraquinhas, bonecos do Fuleco, bandeiras, cornetas e reproduções da Taça Fifa dividiam espaço com o Maneki, o gato da sorte japonês. “Esse, com a patinha direita levantada atrai dinheiro. O com a pata esquerda para cima, atrai saúde”, explica o vendedor Jorge Katayama, 65. “Mas o que está vendendo hoje mesmo é corneta. O povo gosta de fazer barulho.”

Os principais astros do Japão podem ser desconhecidos da maioria dos brasileiros, mas não para os ituanos. “Tirei uma foto com o Uchida [zagueiro do Schalke 04, da Alemanha]”, conta animada Bruna Hiromi, que serviu de intérprete de português para uma emissora japonesa durante os treinos da equipe. “Ele é meu segundo maior ídolo. O primeiro é o Hasebe [meio-campo do Nuremberg, da Alemanha]”, acrescenta ela, desfiando conhecimento pouco comum para o torcedor médio.

A oportunidade de servir de intérprete também deu o privilégio de Hiroshi Yamamoto de ficar perto dos ídolos. Ele foi escalado pela prefeitura em cerimônia de recepção da delegação. “Fiquei nervoso, foi difícil. Mas não gaguejei”, brinca ele. “Eles são simpáticos.”

Adalberto Leister Filho, do Portal da Copa em Itu (SP)

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