Copa do Mundo desperta cultura do voluntariado em Recife

30/06/2014 - 23:55
A capital pernambucana conta com 500 voluntários distribuídos em pontos de mobilidade e área externa da Arena Pernambuco

Fotos:Laura Cortizo/ Portal da Copa#Se os brasileiros têm sido elogiados por ser um povo gentil e prestativo com os estrangeiros, boa parte dessa impressão é passada pelos voluntários, o cartão de visitas do país nesta Copa do Mundo FIFA Brasil 2014. Em Recife, os voluntários atuam há três semanas recebendo turistas e tirando dúvidas nos mais variados pontos da cidade. Metrô, estações de BRT, área externa da Arena Pernambuco, pontos turísticos. Em todos estes lugares é possível vê-los prontos para atender a quem precisa.

Para Fernanda Lima, coordenadora dos voluntários no Recife junto com Marcos Nunes, a experiência tem sido bastante positiva não apenas porque é uma forma de valorizar a cidade, mas porque cria uma cultura de voluntariado na capital pernambucana. “Mês que vem teremos um campeonato de handebol de areia aqui e já temos muita gente querendo dar continuidade ao trabalho”, conta ela, destacando ainda a heterogeneidade do grupo como um fator positivo. “Há uma troca de experiência muito forte entre as pessoas que estão atuando, um compartilhamento de visões de mundos diferentes”, pontua.

Os perfis são os mais variados possíveis. Dona de casa, a pernambucana Edinalda Galdino nunca havia pensado em trabalhar como voluntária. Conversa vai, conversa vem, uma amiga falou a respeito do trabalho no Mundial e ela, que mora em São Lourenço da Mata, a 19 quilômetros do Recife, se interessou. Os treinamentos só trouxeram a confirmação de que ela estava no caminho certo. Agora, passado quase um mês de atividade na rua do Bom Jesus, no Bairro do Recife, ela conta que a oportunidade abriu um mundo que ela não conhecia. “Nunca tinha vindo aqui no Recife Antigo, não sabia como ficava cheio e bonito principalmente nos finais de semana. Descobri a cidade”, confessou.

A atividade também passou a ser vista com outros olhos por Edinalda. “Penso em trabalhar como voluntária em hospitais e também em fazer cursos. Chega de ficar sem fazer nada dentro de casa. Quero expandir meus conhecimentos”, afirma, contando que o próximo passo será um curso de inglês.

O idioma é algo que merece atenção. É o que defende o estudante de turismo Edvaldo Francisco, também estreante no trabalho voluntários, com atividade na área externa da Arena Pernambuco, onde cerda de 80 pessoas têm atuado. “O atendimento só tende a melhorar quando você entende a língua da outra pessoa. O trabalho aqui tem me incentivado a correr atrás desse conhecimento”, afirma ele para quem a atuação tem sido motivo de orgulho. “Ser voluntário é trabalhar para o seu Estado e para o seu País e mostrar que podemos receber muito bem um evento tão importante como esse”, declarou.

Histórias de dedicação

Como em toda a equipe de trabalho, há histórias que acabam chamando mais atenção. Uma delas foi a de Marcelo Ximenes, que coordena a equipe do aeroporto e protagonizou cenas de solidariedade que inspiraram colegas. Percebendo que um turista dos Estados Unidos estava com dificuldades para sacar dinheiro e precisava ir ao hotel, Marcelo pegou o carro da amiga emprestado e deixou o americano no destino. “Faltava uma hora e meia para o jogo da Alemanha e Estados Unidos e os amigos do rapaz terminaram vendendo o ingresso dele, pois achavam que ele não chegaria a tempo. Ele ficou muito desapontado e eu acabei chamando ele para sair com os meus amigos e fazer uma refeição antes de deixá-lo de volta no hotel”, contou Marcelo.

O coordenador confessa que essa não é a primeira vez que toma esse tipo de atitude. “Eu trabalho com turismo e tenho um prazer imenso de ajudar as pessoas. A gente não faz em busca de um retorno, mas acaba tendo um: um sorriso, ver que ajudamos a pessoa”, afirma.

A coordenadora Fernanda Lima conta que o caso não é isolado e que os elogios chegam aos montes na Central dos Voluntários, localizado no Bairro do Recife. “De vez em quando vem alguém aqui elogiar o atendimento dado pelos meninos. Houve um deles que recusou dinheiro, alegando que estava servindo ao País. Isso é algo para se orgulhar”, contou emocionada.

Laura Cortizo, do Portal da Copa em Recife

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