Em clima festivo, primeiro jogo da nova Arena da Baixada terminou com empate

29/03/2014 - 21:08
Atlético-PR e J. Malucelli ficaram no 0 x 0, mas o placar inalterado não tirou a alegria dos torcedores rubro-negros que puderam vivenciar o estádio

Fotos: Danilo Borges/Portal da Copa#O placar do amistoso entre Atlético Paranaense e J. Malucelli não saiu do 0 x 0, mas o resultado foi o que menos importou para os 10 mil torcedores que viram a bola rolar pela primeira vez na nova Arena da Baixada, em Curitiba. Emocionados por voltar para casa após dois anos, os atleticanos tingiram parte da arquibancada inferior de preto e vermelho e fizeram uma festa repleta de músicas de apoio e gritos de exaltação ao time. 

A Arena da Baixada passa por obras de reforma para receber quatro jogos da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014. E o jogo deste sábado (29.03) serviu como o primeiro teste do novo estádio. Com a estrutura ainda incompleta – falta instalar parte das cadeiras, terminar os acabamentos internos e concluir a fachada -, a presença foi restrita a 10 mil pessoas, entre sócios do Atlético, funcionários do clube, operários da obra, conselheiros, patrocinadores e convidados diretamente envolvidos com a realização da Copa do Mundo em Curitiba. Quando estiver pronta, a arena terá capacidade para 43 mil espectadores. De acordo com o cronograma do Atlético Paranaense, a conclusão das obras está prevista para o dia 30 de abril.

Duas horas antes do início do jogo, que foi marcado para as 15h, a torcida já se concentrava nos arredores do estádio, esperando a abertura dos portões. Já dentro do estádio, a emoção tomou conta dos atleticanos. “Nossa, é inexplicável. Foram dois anos de sofrimento. O primeiro ano a gente estava na segunda divisão e foi terrível. Mas agora a gente esquece tudo e volta o foco na arena, que está bem mais bonita”, derramou-se o administrador Rafael Cury.

Otávio Moreira da Silva Neto também não escondeu a alegria. “É arrepiante. Na hora que eu entrei, eu me arrepiei. Sou atleticano desde criança e frequentei esse estádio quando ainda era o estádio do tijolinho, com a arquibancada de tijolinho, e hoje ver essa estrutura é emocionante”, contou o advogado, que pretende também ver dois jogos da Copa do Mundo na arena.

Para Joaquim Pedroso, que trabalha nas obras de reforma da arena, a emoção era ainda maior. “O pessoal deu tudo de si para acelerar as obras e deixar pronto para hoje. Foi correria, mas por mais que o pessoal esteja cansado, poder entrar no estádio hoje é muito gratificante. Eu sou atleticano e parece até que você faz parte da equipe. Dependia de nós conseguir fazer tudo para o pessoal entrar”, disse o encarregado de estruturas metálicas.

Sem filas

A entrada dos torcedores foi tranquila, sem filas nas catracas, tumulto ou incidentes. O clima de paz reinou também nos bares - que serviram refrigerante e pipoca como brinde para os torcedores – e se estendeu até o fim do evento.

Os maiores arroubos de agressividade foram gritos e palavrões direcionados ao árbitro e aos auxiliares. Com a arquibancada praticamente colada ao banco de reservas e muito próxima do campo de jogo, alguns torcedores puderam até estender a mão para tocar os jogadores. Quem sofreu mais, além da arbitragem, foi o técnico do Atlético Paranaense, o espanhol Miguel Ángel Portugal, que teve de ouvir vaias e cobranças, mas ainda assim demonstrou muita tranquilidade.

A proximidade também permitiu uma troca de carinho ainda maior entre torcida e jogadores. E os próprios atletas fizeram questão de frisar a importância disso. “É uma emoção muito grande estar perto da torcida. É algo que impressiona: o que eles passam para o nosso jogo. Eles estão de parabéns pelo respeito que tiveram por nós hoje”, elogiou o atacante Ederson.

Para o goleiro Weverton, a virtude de se transformar um caldeirão, uma das principais características do antigo estádio, será ampliada no novo. “A gente viu aqui que o torcedor também está muito feliz com isso, de estar mais perto do jogador. Aqui, com a capacidade máxima, não vai ser qualquer time que vai ganhar da gente. Acho que todos estão com a expectativa de jogar um jogo oficial aqui dentro porque vai ser um palco de muita alegria”, disse o arqueiro rubro-negro.

Os torcedores fizeram coro às palavras dos jogadores. “Dá vontade de entrar dentro. Eu nunca estive num estádio assim tão perto dos jogadores. É muita emoção. Foi tudo perfeito, tudo muito organizado”, elogiou a estudante Letícia Sutil. “Eu fiquei impressionado com a distância, Estou aqui muito perto. A torcida vai ajudar muito. A característica não perdeu. O caldeirão continua”, disse João Márcio Domingues, que foi ao estádio com o filho de 13 anos, Vinícius.

O jogo

Disposto a voltar ao seu estádio com o pé direito, o Atlético começou a partida indo para cima do adversário. O Furacão entrou em campo com um esquema ofensivo, um 4-3-3 que tinha Marcelo, Adriano e Ederson na frente. O J. Malucelli, no entanto, estava disposto a estragar a festa dos rubro-negros, e endureceu o jogo. O time chegou a arriscar alguns ataques, assustando a torcida rubro-negra. As melhores chances, no entanto, foram do Furacão, que mesmo assim não conseguiu marcar.

No segundo tempo, o atacante Adriano, que a cada toque na bola recebia o carinho da torcida, teve pelo menos duas chances claras de gol, mas não conseguiu mandar para as redes. O treinador rubro-negro tentou várias opções, mas mesmo assim o Atlético não tirou o zero do placar.

Ao fim da partida, o goleiro Weverton teve pelo menos um motivo para comemorar: não levou gols. “No primeiro tempo falei para meus colegas: vocês estão brincando com coisa séria. Daqui a pouco os caras fazem um gol e aí? Mas deu tudo certo, não tomamos gol. Também não fizemos, mas creio que vai sair na hora certa. O importante foi o torcedor ver como está a sua nova casa, essa lindeza de estádio. A gente está muito feliz com isso porque a gente sabe o tanto que foi difícil construir isso aqui novamente. O torcedor tem que se sentir orgulhoso e feliz porque não é qualquer casa, é um estádio maravilhoso”, resumiu.

A emoção dos torcedores de estar na nova arena foi partilhada pelos jogadores. “Estar em um dos melhores estádios do mundo, isso para um jogador é gratificante demais. O gramado não tem nem o que falar, o estádio não tem nem o que falar. Só tenho que agradecer muito por estar jogando aqui”, disse o volante rubro-negro João Paulo. “Entrar nesse estádio é algo inexplicável, que arrepia mesmo. Está muito bonita a arena, acho que quem veio gostou muito”, completou o atacante Ederson.

Na hora de ir embora, os sorrisos, os abraços e as muitas câmeras na mão mostraram que o 0 x 0 foi esquecido em poucos minutos pelos atleticanos. “Só a emoção de estar aqui já vale a pena”, decretou o garoto Vinícius Domingues, de 13 anos.

Mateus Baeta - Portal da Copa

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