Argentinos celebram classificação. Torcida homenageia Neymar. Técnico belga exalta valentia do elenco

05/07/2014 - 17:18
Embalada por uma incansável torcida nas arquibancadas do Mané Garrincha, Argentina se classifica às semifinais depois de um jejum de 24 anos. Brasileiros homenageiam Neymar

Eles chegaram cantando, passaram 90 minutos gritando, cantando e pulando, e, ao final, saíram do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha fazendo festa. Em resumo, a manhã e a tarde dos torcedores da Argentina na capital foi perfeita.

A vitória do time de Messi & Cia. sobre a Bélgica, a exemplo do que tem ocorrido nesta Copa do Mundo, não foi marcada por goleada. Pelo contrário. O time triunfou por um magro 1 x 0, com gol de Higuain, aos 8 minutos do primeiro. Mas o fato foi que o resultado tirou um enorme peso dos ombros dos jogadores e do técnico Alejandro Sabella, uma vez que a classificação argentina para as semifinais pôs fiz a um jejum que já durava 24 anos. Até este sábado, a última vez que a seleção se classificou entre os quatro melhores de um Mundial tinha sido em 1990, na Itália.

Getty Image#Festa dos argentinos nas arquibancadas do Estádio Mané Garrincha em Brasília

“O que eu sinto é uma grande alegria por todo o time e por todos os argentinos que depois de 24 anos estão de novo entre os quatro melhores da Copa”, comemorou Alejandro Sabella. “É uma alegria muito grande, mas é moderada, pois queremos mais e tivemos um desfalque importante hoje. Mas pelo menos cumprimos o objetivo mínimo que era deixar a Argentina entre os quatro melhores”, continuou o treinador, referindo-se ao atacante Di Maria. O principal nome da Argentina ao lado de Messi teve de ser substituído por Perez aos 32 minutos do primeiro tempo por conta de uma lesão na coxa direita e agora é dúvida para o duelo da semifinal.

Sem show de Messi

Desde que a Copa do Mundo começou, Brasília viu passar pelo gramado do Estádio Nacional Mané Garrincha grandes craques como James Rodrigues, Neymar, Cristiano Ronaldo e Benzema.  Nesse sentido, os torcedores da capital e aqueles que desembarcaram na cidade para acompanhar o duelo entre Argentina e Bélgica esperavam que um jogador em especial, Lionel Messi, brindasse o público, de 68.551 pessoas, com lances geniais.

Entretanto, não foi isso o que se viu. Apesar de ter lutado bastante e participado durante toda a partida, Messi não mostrou o brilhantismo costumeiro. Tanto que, no último minuto, ele poderia ter estufado as redes quando avançou sozinho ao gol belga, mas o chute parou diante do goleiro Courtois. Com o placar aberto no primeiro tempo, os argentinos tiveram a festa garantida desde o início do jogo. Mas no intervalo, os torcedores deixaram claro que esperavam mais gols, de ambos os lados.

Nascido na Nova Zelândia, casado com uma argentina e pai de um filho brasileiro, Michael Roe entrou no estádio confiante no sucesso da Argentina. Ao lado da esposa, Rocio Serrati, com quem vive em Cristalina, cidade distante cerca de duas horas de Brasília, Michael, com o rosto pintado com as cores azul e branco, apostava em um placar de 2 x 0. “Gostaria de ver uma final entre Brasil e Argentina. Seria incrível. Mas se for assim mesmo eu vou torcer pela Argentina”, adiantou.

Luiz Roberto Magalhães/Portal da Copa#O neozeolandês Michael Roe com a esposa argentina Rocio Serrati: se der Brasil e Argentina na final ele vai torcer pelos Hermanos. Ao lado, o  belga Jean-Marc Van Bever

Pelo lado belga, Jean-Marc Van Bever não se deixava intimidar com o placar de 1 x 0 no intervalo. Ele chegou ao Brasil no dia 25 de maio e, viajando sozinho, acompanhou a seleção da Bélgica em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Brasília. Vestido de super-herói e com um uniforme predominantemente vermelho, Jean-Marc confiava em uma virada que não veio. “Nos primeiros minutos nosso time estava muito nervoso. Mas vamos voltar melhor e vamos virar. Vamos ganhar por 2 x 1”, previu.

Se para Jean-Marc a Copa terminou, é certo que ele voltará para casa feliz com a experiência vivida no Brasil, uma vez que o belga elogiou a organização do Mundial e o carinho dos anfitriões, embora tenha feito uma ressalva. “Os hotéis são caros e o transporte (de avião) também. Mas tirando isso foi tudo ótimo. Os estádios são muito bons e os brasileiros são fantásticos, gostei muito”, declarou.

Comandante do time belga, o técnico Marc Wilmots obviamente não celebrou o resultado. Mas embora tenha lamentado a derrota, ele ressaltou a boa campanha da Bélgica. “Acho que aprendemos muito hoje. Lamento por termos perdido, mas estou orgulhoso de meus jogadores. Houve algumas pessoas que choraram no vestiário e isso só prova o quanto eles se dedicaram. O mundo viu que a Bélgica tem um time excelente e podemos nos orgulhar de nossa seleção.”

“Olê, Olê, Olê, Olê, Neymar, Neymar”

Das arquibancadas, a partida entre Argentina e Bélgica foi dominada por cantorias provocativas dos argentinos durante a maior parte do jogo (eles insistiam em gritar que Maradona é melhor do que Pelé). Mas um momento em particular no primeiro tempo mostrou-se arrepiante. Foi quando a torcida brasileira prestou sua homenagem a Neymar, cortado da Copa devido a uma lesão nas costas sofrida na partida contra a Colômbia.

“Olê, Olê, Olê, Olê, Neymar, Neymar”. Esse grito ecoou pelo Estádio Mané Garrincha e deixou claro como o país se solidariza com o jogador em um momento tão difícil. Indagado sobre a contusão do craque brasileiro, o técnico Alejandro Sabella lamentou e se juntou aos brasileiros no apoio a Neymar.

“É como uma lágrima que cai”, resumiu. “Ficamos tristes e certamente entendo a frustração e a tristeza que ele está sentindo. Da minha parte, só o que posso fazer é mandar um abraço e dizer que estou do lado dele”, continuou o treinador.

O momento também foi de solidariedade a outro jogador espetacular, o argentino Alfredo Di Stéfano, 88 anos, uma lenda dos gramados, que sofreu uma parada cardíaca neste sábado e está em coma no hospital Gregorio Marañon, em Madrid. Di Stéfano marcou a história do Real Madrid e é presidente de honra do clube espanhol

Eleito The man of the match (o craque do jogo), o atacante Higuain lamentou a situação de saúde de Di Stéfano. “Soube no vestiário e não é uma boa notícia para o futebol. O Alfredo sempre teve um carinho especial por mim e mando as minhas saudações. Espero que ele se recupere”, declarou Higuain.

Argentino preso terá que deixar o país

A partida em Brasília teve, também, a prisão do barra brava argentino Pablo "Bebote" Alvarez. O torcedor acompanhou o duelo no Mané Garrincha disfarçado e com uma camisa do Flamengo. Ele tinha, ainda, os cabelos pintados de verde e usava um óculos com bigodes falsos. Pablo estava proibido de entrar no Brasil, mas conseguiu assistir ao jogo da Argentina contra a Suíça, em São Paulo, e depois ainda provocou postando fotos em redes sociais e ironizando as policias brasileira e argentina.

A Polícia Federal informou que o argentino foi preso depois de ter sido identificado por um agente argentino do Centro de Cooperação Policial Internacional (CCPI) que estava dentro do estádio. Ele foi encaminhado para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília e, de acordo com o Ministério da Justiça, após sua liberação ele terá 72 horas para deixar o Brasil.

Luiz Roberto Magalhães, do Portal da Copa em Brasília

Argentina x Bélgica - Estádio Nacional de Brasília - Jogo

Argentina x Bélgica - Estádio Nacional de Brasília - Jogo

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