Empreendedora deixa a arquitetura para produzir sabonetes artesanais e fatura 30% a mais com a Copa do Mundo

20/06/2014 - 16:59
Carioca Maristela Simões faz sucesso entre turistas com sabonetes alusivos ao Cristo Redentor, ao Pão de Açúcar e também com motivos de futebol, como bolas, chuteiras e a bandeira do Brasil

Giuliander Carpes/ Portal da Copa#Há dez anos, a carioca Maristela Simões estava frustrada com a arquitetura, profissão que havia escolhido. Em uma das incontáveis salas de espera de clientes por que passava, viu uma reportagem sobre sabonetes artesanais. Eles haviam mudado a vida de uma senhora da Rocinha, favela da zona sul do Rio de Janeiro. Maristela pegou a revista emprestada e acreditou que podia dar uma guinada radical na sua própria história também.

Seu marido, Carlos Alberto, aposentado da aviação civil, gostou da ideia. Maristela fez um curso para aprender a produzir e os dois resolveram fazer juntos o primeiro sabonete. “Demoramos quase uns 20 dias. Mas depois que começamos, não paramos mais”, lembra Maristela.

A arquitetura foi deixada para trás, os dois foram aos poucos se qualificando mais, participando de bazares no Rio de Janeiro. Em 2009, procuraram o Sebrae para se formalizarem. Três anos depois, abriram a primeira loja, no bairro de Botafogo, e o Sebrae também ajudou a criar a marca, subsidiando 80% dos valores necessários. Em 2014, integram a iniciativa que visa aproveitar a oportunidade da Copa do Mundo.
Maristela passou a produzir sabonetes com imagens do Cristo Redentor, do Pão de Açúcar, do calçadão de Copacabana, chinelinhos, chuteiras, bolas e a bandeira do Brasil. São tão bonitos e delicados que tem gente que fica com pena de usá-los para tomar banho.

“Pena é não usar. Todos têm extrato de aloe vera. É para usar mesmo, ficar cheiroso, não para enfeite”, brinca Maristela. Além da loja, a empreendedora tem vendido seus produtos no estande do Sebrae no Parque da Bola, um evento voltado para a Copa do Mundo no Jockey Club Brasileiro, na Gávea.

“Teve um dia aqui que só vendia bandeiras do Brasil, me senti no dia 19 de novembro, o Dia da Bandeira”, afirma Maristela. “Esta é uma época que todo mundo está envolvido com a Copa do Mundo. Nossa loja fica perto do Pão de Açúcar, um local turístico, então temos essa vocação também. Naturalmente acabamos agradando bastante os turistas. E temos um foco no Rio que vai ir além da Copa do Mundo”, acrescentou.

Faturamento

O evento que o Brasil sedia, no entanto, já está dando resultados para o negócio de Maristela. Ela calcula que o faturamento vai aumentar cerca de 30% com a Copa. “Já contratamos mais uma pessoa para produção. Ajuda porque ficava me desdobrando entre o escritório e a produção. Há coisas que tenho de delegar, mas o bom é que a pessoa que contratei está amando.”

Maristela conta que há sabonetes que leva dias para fazer. “Principalmente os menores, que são cheios de pequenos detalhes”, fala, enquanto mostra um produto alusivo ao calçadão de Copacabana. Mas é um trabalho que dá retorno financeiro e afetivo. “A pessoa pode levar um pedacinho do Rio para casa”.

Várias outras empresas do ramo de turismo e eventos já perceberam o valor do trabalho de Maristela. Logo no início da parceria com o Sebrae, o Club Med pediu 400 chinelinhos para estrangeiros que se hospedaram no resort na Bahia. “Às vezes uma pessoa que você nem imagina te pede um orçamento para fazer uma grande festa. É muito gratificante quando a gente pode fazer estes acordos comerciais, encontrar empresas que também se beneficiam do seu trabalho”, finalizou.

Giuliander Carpes, do Portal da Copa no Rio de Janeiro 

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