Funcionários de hotel no Rio de Janeiro que passaram por qualificação atendem turistas estrangeiros durante a Copa

11/07/2014 - 19:17
50 colaboradores do Hotel Novo Mundo concluíram curso de inglês do programa de aprendizagem técnica do governo federal

Um ano atrás, Vilma da Conceição, que trabalha há 24 anos na rouparia do hotel Novo Mundo, no Rio de Janeiro, passava para a recepção qualquer cliente estrangeiro que precisasse de algum dos seus serviços. Não falava inglês e a necessidade era limitada, afinal a maioria dos hóspedes do estabelecimento vinha do resto do Brasil. Mas a Copa do Mundo haveria de mudar esta situação.

Às vésperas da final do Mundial, o hotel está lotado e mais de 80% dos hóspedes são turistas estrangeiros. Tanto Vilma quanto sua colega Elizete Rosa Goulart, do setor de governança, não passam mais apuros. Concluíram um curso de inglês aplicado a serviços turísticos sem precisar sair do local de trabalho devido a um convênio com o programa de ensino técnico do governo federal.

“Antes eu ficava nervosa quando atendia o telefone, dava um bloqueio. Tinha que passar os turistas estrangeiros para os recepcionistas, o que atrapalhava o trabalho. Agora a gente consegue atender, tem mais segurança de falar com os estrangeiros”, explica Vilma, 54 anos. “Quando os hóspedes percebem que a gente fala inglês até se empolgam, querem conversar mais, perguntar dicas da cidade”.

Cerca de 50 funcionários do Novo Mundo se capacitaram dentro das próprias dependências do hotel, que disponibilizou sala para duas turmas e flexibilizou o horário de trabalho dos alunos. “Normalmente, o hotel é corporativo, está mais cheio durante a semana. A grande maioria dos clientes é brasileira. Mas a gente imaginava que com a Copa do Mundo isso mudaria. Quando aconteceu, nós e nossos funcionários já estávamos preparados”, afirma o gerente geral do hotel, Abdias Queiroz.

Fotos: Giuliander Carpes/ Portal da Copa#

O sucesso foi tanto que o hotel já firmou novo convênio com o Pronatec e mais duas turmas, uma de espanhol e outra de inglês, serão disponibilizadas para os funcionários após a Copa do Mundo. Elizete, 43 anos, que já aprendeu inglês, agora falará suas primeiras palavras na língua de um dos times finalistas do Mundial.

“O inglês é universal, a base de tudo. Além de usar para trabalhar, vou levar para a vida. Vamos ver como será com o espanhol. A gente recebeu muitos clientes sul-americanos durante a Copa do Mundo. Parece mais fácil de falar, mas às vezes é difícil de se entender”, diz ela, que trabalha há 13 anos no hotel.

Os funcionários e o hotel agora se sentem mais preparados para os grandes eventos que a cidade se habitou a receber nos últimos anos. “Para nós é um divisor de águas. O mercado é muito competitivo e precisamos de mão de obra qualificada. Para os funcionários, é uma qualificação muito importante, que aumenta sua empregabilidade”, conta Queiroz, que trabalha no hotel há 20 anos.

Além dos cursos de inglês e espanhol aplicados a serviços turísticos, o Pronatec ofereceu cursos de Garçom, Recepcionista de Eventos e em Meios de Hospedagem com foco na Copa do Mundo. Somente no Rio de Janeiro, há 10.230 alunos formados, matriculados ou em sala de aula por meio do Pronatec Turismo. No Brasil, este número já ultrapassou 160 mil matriculados em 54 cursos distribuídos por 120 cidades do país, incluindo as outras 11 sedes do Mundial.

Giuliander Carpes, do Portal da Copa no Rio de Janeiro

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