Governo Federal, FIFA e CBF apresentam legados da Copa do Mundo de 2014

20/01/2015 - 22:29

Há pouco mais de seis meses, a Alemanha conquistava a Copa do Mundo no Brasil e encerrava a 20ª edição do torneio. Mas os benefícios para o país não terminaram com a decisão no Maracanã. A oportunidade de receber o megaevento gerou um legado esportivo, de projeção internacional, em infraestrutura e serviços, que foi destacado durante a apresentação do Plano de Legado da Copa de 2014, nesta terça-feira (20.01), na Arena Corinthians, em São Paulo.

O evento contou com a participação do secretário-geral da FIFA, Jérôme Valcke, que anunciou um fundo de legado da Copa no valor de 100 milhões de dólares (aproximadamente R$ 261 milhões). A entidade destinará os recursos para financiar projetos de desenvolvimento do futebol de base e do futebol feminino nos 15 estados brasileiros que não sediaram partidas do Mundial de 2014.

“Sim, o Brasil organizou uma Copa do Mundo impressionante, com grandes gols, jogos e momentos. Mas hoje estamos aqui para falar sobre o pós-Copa. Desde o princípio afirmei que o Mundial não são somente os 32 dias de competição. Estive na África do Sul há algumas semanas e ainda trabalhamos para desenvolver o legado do futebol lá. É a mesma ideia aqui”, ressaltou o dirigente.

Os recursos do fundo serão repassados pela FIFA à CBF e liberados à medida que os projetos apresentados forem aprovados. A entidade máxima do futebol vai fiscalizar a aplicação dos valores.

“Nós ajudamos a CBF a identificar os projetos corretos para apoiarmos. Temos um sistema permanente de auditoria, para garantir que todo o dinheiro seja usado conforme as regras da FIFA. O dinheiro é monitorado para que seja usado de forma correta. Nenhum único centavo será usado de forma que não aceitemos. Esses milhões não são transferidos imediatamente, não se trata de um repasse único, vai sendo gradualmente transferido, conforme os projetos são aprovados. Trabalhamos em estreita colaboração”, destacou Valcke.

Cerca de 60% dos valores serão destinados à construção de Centros de Treinamento, como o que está sendo erguido ao lado do estádio Mangueirão, em Belém. O local contará com dois campos sintéticos e um de grama natural, além de estrutura de refeitório, vestiários e espaço para eventos. O modelo será replicado nos outros estados, conforme explicou o diretor de Infraestrutura da CBF, Oswaldo Gentille, com administração das federações estaduais.

“As prioridades serão o desenvolvimento do futebol feminino e juvenil, mas buscaremos o legado social, que visa ao desenvolvimento do cidadão, incluindo também a família e a comunidade. O objetivo é proporcionar o desenvolvimento humano, físico e cognitivo, tendo como base o futebol”, disse Gentille.

A capitã da Seleção Brasileira de futebol feminino, Bruna Benites, comemorou o novo aporte financeiro na modalidade e espera que o fundo ajude na formação de novas atletas. “Felizmente temos esse legado da Copa e espero que ele seja usado para o futebol de base. A gente precisa de mais meninas começando a jogar futebol e também precisamos de infraestrutura”, afirmou a zagueira.

Rodrigo Corsi/FPF#

Desenvolvimento

O Governo Federal antecipou investimentos em projetos de mobilidade urbana, aeroportos, portos, telecomunicações, infraestrutura turística, entre outros, para aproveitar as oportunidades geradas pela Copa do Mundo. O secretário executivo do Ministério do Esporte e coordenador do Grupo Executivo da Copa (Gecopa), Luis Fernandes, destacou durante a apresentação dos legados do megaevento que os projetos foram além das exigências da FIFA para realizar a competição.

“O Brasil é um país em desenvolvimento e identificamos que sediar a Copa era uma forma de alavancar investimentos fundamentais em infraestrutura e serviços de que o país necessita. Essa é a ideia de legado que norteou o nosso planejamento. Além dos equipamentos essenciais para o torneio, como os estádios, pensamos nas obras de infraestrutura que ficariam como legado após a Copa, na ampliação de políticas públicas e direitos de cidadania do povo e na inovação de cadeias produtivas que seriam potencializadas com o torneio. O legado que emana da Copa é múltiplo, tanto tangível, nas obras construídas, como intangível, na projeção da imagem do país, que se mostrou capaz, apesar do ceticismo de alguns, de entregar um evento com excelência”, afirmou.

Luis Fernandes ainda comentou sobre a iniciativa inédita do governo brasileiro, que passou a ser uma exigência da FIFA para as próximas edições da Copa do Mundo: a certificação ambiental das arenas que receberam as partidas do torneio. Os 12 estádios do Mundial receberam, ou estão em processo para receber, o selo ambiental LEED, concedido pela organização internacional Green Building Council.

Na área esportiva, o secretário executivo ressaltou o investimento nos Centros de Treinamento do catálogo da FIFA que elencou 83 locais para as seleções escolherem onde fixar bases durante o torneio. O Ministério do Esporte aplicou mais de R$ 93 milhões em 30 estádios e CTs públicos.

Por fim, o secretário-geral da FIFA destacou a projeção que o país ganhou no exterior com a realização do Mundial. “Eu penso que o sucesso do Brasil se tornou um exemplo de como o país é um local incrível para ir. A maioria dos turistas veio pela primeira vez e disse que quer voltar. Isso colocou o Brasil em um patamar diferente em termos turísticos”, elogiou Valcke, que acrescentou não ter ouvido nenhuma reclamação sobre o país.

A FIFA ainda lançou o primeiro relatório de sustentabilidade de uma Copa do Mundo, disponível no site da entidade. O evento desta terça-feira também contou com as presenças do presidente da CBF, José Maria Marin, e do futuro mandatário da entidade, Marco Polo del Nero, além do CEO do Comitê Organizador Local (COL), Ricardo Trade.

Gabriel Fialho - Portal da Copa

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