Marta Suplicy: "Temos de mostrar o Brasil para nós mesmos e para o mundo"

04/09/2013 - 08:55
Titular da Cultura foi a entrevistada do Bom Dia, Ministro desta quarta-feira. Ela comentou os investimentos da pasta para reforma e revitalização de monumentos históricos e para a realização de eventos culturais nas sedes da Copa

A ministra da Cultura, Marta Suplicy, foi a entrevistada do Bom Dia, Ministro, nesta quarta-feira. Na pauta da conversa, o investimento na revitalização de monumentos e espaços culturais em cidades históricas e as ações culturais pensadas para o período da Copa do Mundo. Confira as principais respostas.

Cultura para a Copa de 2014

O edital do Concurso da Cultura 2014, voltado para a Copa do Mundo, já está no site do ministério da Cultura e contempla não só as 12 cidades-sede. São projetos para que possamos conhecer mais da cultura brasileira. Ele contempla a área do audiovisual, conteúdos artísticos, moda, design, arquitetura. Tudo de expressão local. As mais variadas linguagens. Há recursos também para projetos de exibições artísticas na área de música, circo, dança, literatura, artes visuais. E há uma iniciativa para mapear as atividades culturais de cada região. Os grandes mestres, os grandes saberes, os grandes artesãos.

Ações nas cidades-sede

Os prefeitos escolheram os equipamentos em que o ministério da Cultura deveria aportar recursos para revitalização, em conjunto com o Iphan. O que a cidade gostaria de recuperar para a Copa. E, depois do evento, a estrutura fica para a cidade. As pessoas não percebem e muitas vezes questionam o investimento nos estádios. Fui em um, o de Brasília, que é lindo. Não fiquei no lugar mais privilegiado, e parece que você está no meio do gramado. Será que o Maracanã, no país do futebol, não merecia uma reforma dessa? E os outros? Em Brasília, que muitos diziam que seria um elefante branco, está tendo jogo sem parar. Está lotado. Tem shows. Na parte da cultura, o legado da Copa é o aporte às prefeituras para recuperar alguns equipamentos culturais.

>> Cultura anuncia investimento de mais de R$ 35 milhões para a Copa

O Brasil para si e para o mundo

Vamos aproveitar a Copa para mostrar o Brasil para nós mesmos. As pessoas não conhecem. Fui a Roraima, por exemplo, e assisti a uma apresentação de quadrilha. Até então eu conhecia quadrilha com aquela característica junina. Lá, as pessoas apareceram com roupa de carnaval. Uns tigres pulavam no meio. Era uma coisa maravilhosa e que eu não conhecia. Isso tem de ser mostrado. Temos de nos apresentar a nós mesmos e nos apresentarmos para o mundo.

PAC das cidades históricas

São 44 cidades contempladas e 425 obras. O critério adequado foi chegar a monumentos, museus, lugares históricos em processo de degradação, que tivessem dano que pusesse em risco o monumento. E não é só ter o monumento que simbolize a cidade, mas preservar a nossa história. A presidenta Dilma deu uma orientação que nos pareceu muito importante. Não é só recuperar o monumento, mas fazer com que a região se revitalize. Por isso, dos R$ 1,9 bilhão investidos, há R$ 300 milhões para prédios particulares para serem restaurados para fazer livrarias, hotéis. Em Natal, por exemplo, temos a fortaleza dos Reis Magos. Está lá, inteira, mas se colocarmos recursos e investir será um polo extraordinário para a Copa. E o importante é revitalizar e preparar o espaço para ter sustentabilidade econômica.

Garantia de orçamento

Os recursos são do PAC, o que significa que não são contingenciados. O ministério está contingenciado em um terço do orçamento, o que cria dificuldades, mas, quando o orçamento é do PAC, temos garantia de que acontece. O recurso é enviado para prefeituras, e as prefeituras realizam as obras. Em alguns casos é o próprio Iphan que executa. Uma coisa importante: nessas 44 cidades, todas as obras já têm projeto pronto.

Fiscalização e gerência

O foco na sustentabilidade vai depender também, em muitos casos, da prefeitura. Quem vai fiscalizar? É a União. O Iphan. A presidenta do Iphan conhece milimetricamente tudo dos projetos, mas vai depender da prefeitura vitalizar, ter ideias, propor ações. Todos eles têm condições de ser espaço de cultura. O importante é que tem de ser usado, precisam ser lugares de vida. 

Repasse de recursos na medida das licitações

Essa prática não é inédita. O governo faz assim com obras de prefeituras. Repassa o recurso depois de medição feita pela Caixa. É uma forma de controle. Às vezes faz o processo ficar mais lerdo, mas tem menos confusão.

Portal da Copa

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