Mesmo em minoria em Brasília, marfinenses esbanjam alegria

19/06/2014 - 16:50
Apesar de estarem em pouco número e da derrota para a Colômbia no Estádio Mané Garrincha, africanos elogiam a organização da cidade e a emoção de torcer por sua seleção

Para as 32 seleções que disputam uma Copa do Mundo, a competição é muito mais do que um simples torneio de futebol. É um momento especial na carreira de todos os jogadores, que têm plena ciência de que a cada partida eles contam com a torcida de milhões de pessoas em seus países.

Mas se entre as quatro linhas a competição se dá sempre em condições de igualdade, nas arquibancadas essa disputa nem sempre é equilibrada. Em muitos casos, torcer por um determinado time se torna uma verdadeira disputa entre Davi e Golias.

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Foi o caso do duelo entre Colômbia e Costa do Marfim, disputado no início da tarde desta quinta-feira (19.06), no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, e que terminou com vitória dos sul-americanos por 2 x 1.

Pela proximidade com o Brasil, a viagem de milhares de torcedores colombianos se tornou bem mais fácil do que um deslocamento da África para o país sede da Copa. Assim, o que se viu dentro do estádio foram algumas dezenas de camisas laranjas cercadas por um mar de camisas amarelas.

Luiz Roberto Magalhães/Portal da Copa#Georges Kam (de boné  branco), com os amigos: terceira Copa do Mundo dentro de um estádio

O público na arena bateu um novo recorde no Estádio Mané Garrinhca, com 68.748 pessoas na arena. No primeiro jogo da Copa do Mundo em Brasília, no domingo (15.05), entre Suíça e Equador, foram 68.351 torcedores. E nessa multidão de apaixonados por futebol, a maioria esmagadora era de colombianos.

Apesar da enorme desvantagem numérica, os torcedores da Costa do Marfim não se intimidaram antes de bola rolar. Integrante de um grupo de cerca de 100 marfinenses que ocuparam algumas fileiras do anel inferior logo atrás do gol do banco de reservas de sua seleção, o marfinense Georges Kam, 40 anos, já conhecia a emoção de torcer pelos Elefantes (como é conhecido o time africano) dentro de um estádio em uma Copa do Mundo.

“Estive na Alemanha, em 2006, e na África do Sul, em 2010”, explicou Georges, que desembarcou em Brasília na manhã desta quinta-feira e veio direito do aeroporto para o Estádio Mané Garrincha. “Não deu tempo de ver a cidade, mas achei o estádio muito bonito”, elogiou.

Sem se intimidar com a quantidade de torcedores da Colômbia, que faziam um enorme barulho, Georges acreditava que tudo aquilo mudaria quando assim que seu time fizesse um gol. “É verdade que quando a gente grita não dá para ouvir muito por causa da barulheira deles. Mas quando a Costa do Marfim fizer um gol todos eles vão ficar calados e aí nós seremos ouvidos”, confiava.

No mesmo grupo de Georges, Patricia Djejdje, 30 anos, estava encantada por estar no estádio para acompanhar um jogo de sua seleção no Mundial. Moradora do Texas, nos Estados Unidos, ela desembarcou em Brasília na noite de quarta-feira (18.06) e, por isso, disse que não teve tempo de conhecer a capital. Mas fez questão de ressaltar que foi muito bem tratada na chegada à cidade. “Gostei muito do aeroporto. Quando chegamos até nos deram um drink de graça de boas-vindas”, destacou.

Luiz Roberto Magalhães/Portal da Copa#A marfinense Patricia Djejdje: recebida com drink de boas-vindas no aeroporto de Brasília

Para ela, o fato de estar em menor número no estádio não chegava a ser um problema. “Estou muito animada e muito feliz por estar aqui. Viajei sozinha dos Estados Unidos, mas encontrei meus amigos no Brasil. Não somos muitos, mas somos bastante unidos. O futebol é uma paixão e estamos aqui para dar nosso apoio à seleção e empurrá-los para uma vitória.”

Segundo tempo emocionante

Apesar do maior apoio aos colombianos, o primeiro tempo terminou sem gols. Em campo, os africanos tiveram mais posse de bola, mas foi a Colômbia quem teve a melhor chance de abrir o placar, aos 28 minutos, quando Rodríguez fez belo cruzamento pela esquerda e encontrou Gutiérrez livre na área. O camisa 9, entretanto, tentou bater de primeira, pegou muito mal na bola e perdeu uma grande oportunidade de estufar as redes.

No segundo tempo, entretanto, o confronto ganhou em emoção. A Colômbia partiu com tudo em busca do gol e aos 13 minutos uma bola na trave após um chute de dentro da área de Rodriguez esquentou a torcida. Um minuto depois, Drogba entrou no lugar de Bony e encheu de esperança os torcedores da Costa do Marfim. Mas a empolgação durou pouco, já que aos 18 minutos, após cobrança de escanteio, James Rodriguez abriu o placar com um belo gol de cabeça.

O gol incendiou o Estádio Mané Garrincha e simplesmente sufocou qualquer pretensão dos marfinenses de gritar pela Costa do Marfim. E se 1 x 0 já era motivo de festa, os colombianos ficaram alucinados aos 24 minutos quando Juan Quintero ampliou, após um contra ataque rápido da Colômbia.

O duelo, então, se transformou em uma partida emocionante quando, aos 27 minutos, Gervinho invadiu a área, driblou dois jogadores e bateu forte para marcar o primeiro gol dos Elefantes. Mas apesar de o restante da partida ter sido marcada por grande pressão da Costa do Marfim, os colombianos conseguiram segurar a vitória, para delírio de sua torcida.

“Levamos 16 anos para voltar a uma Copa do Mundo e poder viver um momento desses de perto e acompanhar mais uma vitória da Colômbia é um sonho para mim”, declarou o colombiano Kleisson Vasquez, 30 anos, que esteve em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte antes de desembarcar na capital. “Brasília foi a melhor cidade que eu estive e é a mais bonita. Gostei muito da organização, da arquitetura, do lago e os dias que passei aqui foram muito tranquilos, não tive qualquer problema. E para melhorar a Colômbia ganhou, então foi tudo perfeito”, elogiou o torcedor, que agora embarca para Cuiabá para acompanhar a partida entre Colômbia e Japão.

Luiz Roberto Magalhães/Portal da Copa#O colombiano Kleisson Vasquez: dias perfeitos em Brasília, ressaltados pela vitória da Colômbia sobre a Costa do Marfim

Mesmo sem a vitória, o marfinense Ludovic Gnagne, 50 anos, deixou o estádio bem-humorado pelas emoções que viveu em Brasília. Acima de tudo, ele elogiou a organização da Copa do Mundo no Brasil e a hospitalidade do povo brasileiro. “Estive na Copa de 2006, na Alemanha, e na de 2010, na África do Sul. Acho que essa Copa está no mesmo nível daquela na Alemanha e melhor do que a da África do Sul. Em relação a Brasília, gostei muito da cidade. A infraestrutura é muito boa, adorei o design do projeto em forma de avião e as pessoas são muito legais e gostam de ajudar o turista. Então só tenho elogios a fazer”, declarou.

Jogadores agradecem apoio da torcida

Após a partida, o meia James Rodriguez, que recebeu o troféu de craque da partida, falou sobre a importância que os jogadores da Colômbia dão ao apoio de sua torcida no Mundial do Brasil.

“Nós esperávamos o apoio de muitos colombianos no estádio e ficamos muito felizes com isso. Quando vimos a quantidade de torcedores nas arquibancadas isso foi extraordinário. É algo que nos dá ainda mais forças para tentar vencer a partida”, declarou.

O técnico da Colômbia, José Pekerman foi ainda mais longe. Além de ressaltar o carinho dos torcedores no estádio, ele mandou um recado a todos os colombianos que não puderam vir ao Brasil: “Estamos muito satisfeitos e esperamos que o povo da Colômbia esteja realmente apreciando o que estamos fazendo. É muito difícil disputar uma Copa do Mundo e estamos suando a camisa para atendermos às expectativas do povo colombiano que confia muito nesta seleção.”

O técnico da Costa do Marfim, Sabri Lamouchi, por sua vez, lamentou a derrota e declarou que, para ele, o resultado mais justo teria sido um empate.

Na última rodada do Grupo C, a Colômbia, praticamente classificada, enfrenta o Japão no dia 24 de junho, na Arena Pantanal, em Cuiabá. Já a Costa do Marfim tenta uma vaga nas oitavas de final contra a Grécia, no mesmo dia, no Castelão, em Fortaleza.

Luiz Roberto Magalhães, do Portal da Copa em Brasília

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