No dia em que comemora 64 anos, Maracanã recebe Zico outra vez

16/06/2014 - 19:21
Ex-jogador da Seleção Brasileira, artilheiro do estádio carioca com 333 gols, afirma após estreia da arena na Copa: "O Maracanã merecia um gol do Messi, daquele jeito”

Getty Images#

O Maracanã foi inaugurado em 16 de junho de 1950, para receber a primeira Copa do Mundo sediada pelo Brasil. O estádio do Rio de Janeiro voltou a ser palco de uma partida do Mundial às vésperas de completar 64 anos, no jogo em que a Argentina venceu por 2 x 1 a Bósnia-Herzegovina neste domingo (15.06). O golaço de Messi, que selou o triunfo dos sul-americanos, foi exaltado por outro craque, o brasileiro Zico. Convidado especial da coletiva de imprensa diária da FIFA, o ex-jogador é o maior artilheiro do templo do futebol nacional com 333 gols em 435 partidas na arena.

“Do Messi eu não preciso falar muito. O Maracanã merecia um gol dele, daquele jeito”, resumiu o “Galinho”, que torce por uma decisão entre Brasil x Argentina na atual edição do torneio. “Gostaria de ver a final entre os dois, porque são duas seleções da América do Sul, que mostraram ao mundo a grande capacidade de seus jogadores. Os melhores da história do futebol estão nesses países, Di Stéfano, Maradona, Messi, Pelé, Garrincha, Ronaldo. Então, Brasil x Argentina viria para coroar a força desses dois grandes países, por tudo que eles representam para o futebol”.

No dia 12 de junho, o Maracanã será o segundo estádio a receber duas decisões de Copa do Mundo. O Azteca, no México, já sediou as finais das Copas de 1970 e 1986. A arena carioca foi o palco da derrota de 2 x 1 do Brasil para o Uruguai em 1950. A partida, aliás, registra o recorde de público em Mundiais, com 173.850 pessoas nas arquibancadas. Marca que não será superado em 2014, já que o local tem capacidade para 78,8 mil torcedores. Zico diz que não é saudosista e elogia o atual modelo da arena.

“Há muito tempo não vinham nem 90 mil pessoas ao Maracanã. Você pensar em 100 mil, 200 mil é pensar nos anos 80. Tivemos decisões aqui com 15 mil pessoas. O Maracanã tinha problemas de infraestrutura e necessitava de mudanças, independente da Copa do Mundo. Até a forma das pessoas torcerem mudou. Eu não sou saudosista. Claro, gosto de ver o estádio sempre cheio, mas você precisa de grandes times, grandes jogadores e eles estão fora, quem leva o público é o grande jogador. O Maracanã está do jeito que o futebol necessita”, analisou.

Danilo Borges/ Portal da Copa#

Lembranças

A imagem mais antiga que o ex-jogador guarda do estádio foi quando ele ainda era criança e frequentava apenas as arquibancadas do Maracanã. Uma decisão entre Flamengo e Fluminense, vencida pelo time rubro-negro, marcou Zico. “Eu tenho uma imagem de 1963 na minha cabeça. Era um Fla-Flu, o estádio estava com um colorido especial e quando entro na arquibancada e vejo aquilo... essa imagem não saiu mais dos meus olhos. Eu não tinha ideia que poderia marcar minha história como atleta, ser o principal artilheiro do estádio e ser homenageado aqui com uma estátua”, recorda.

A identificação também passa pelo fato de Zico ter atuado no Flamengo, que mandava seus jogos no local e tinha uma equipe vencedora na década de 80. “Aqui é a minha terceira casa, a segunda é o Flamengo. A identificação é muito grande, inclusive, eu era taxado de jogador de Maracanã. As pessoas até pensavam que eu ia ficar chateado com isso, mas, era um elogio e fico feliz de ter feito história e de ter tido momentos de grande alegria na minha carreira aqui”.

No treino de reconhecimento prévio à partida que marcou o início da participação do Maracanã na Copa do Mundo de 2014, jogadores argentinos e bósnios ficaram admirando o estádio ao entrar em campo. Para Zico, isso é algo normal, que até favorecia os times cariocas. “Inclusive eu já vi jogadores que jogavam contra o Flamengo ficar admirando, enquanto a gente fazia gol”, disse rindo, para completar.

Portal da Copa#

“Existem certos estádios para certos países que têm esse charme. Quando fiz minha despedida que fui convidar os amigos na Itália eles ficaram muito felizes em poder jogar no Maracanã pela primeira vez. Realmente acabou se tornando um templo do futebol e eu acho que isso é bacana. Você ter a oportunidade de estar na sua cidade, no seu país e ver mais uma final de Copa. Lembro que na Itália o San Siro é assim, na Inglaterra o Wembley tem aquela coisa mágica, então, eu acho que cada país que ama futebol, faz do seu estádio um templo”, afirma.

A fama de templo, para Zico, foi sendo construída ao longo da história, pelos acontecimentos especiais ocorridos no Maracanã. “Pelas coisas que aconteceram, pelo tamanho dele no início. O Pelé, melhor jogador de todos os tempos, onde ele queria jogar? No Maracanã. Eu cansei de ver jogos do Santos no Maracanã, então a história vai fazendo com que o estádio cresça no mundo”.

Reforma

Após dois anos e oito meses de obras para receber a Copa de 2014, o Maracanã reabriu as portas com o jogo entre amigos de Ronaldo x amigos de Bebeto, em 27 de abril de 2013. O estádio foi palco de três partidas da Copa das Confederações, entre elas, a final do torneio, que terminou com a vitória da Seleção Brasileira por 3 x 0 sobre a Espanha.

Da estrutura antiga ficou apenas a fachada, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Com uma área construída de 124 mil metros quadrados (antes eram 112 mil metros quadrados), as reformas tiveram como prioridade garantir conforto e segurança para os 78.838 espectadores.

» Conheça todos os detalhes do Maracanã

Gabriel Fialho - Portal da Copa

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