O Maracanã é deles! Argentinos prometem lotar arquibancadas para ver Messi. Bósnios sonham com estreia em Copas

15/06/2014 - 16:22
Após 64 anos, o estádio que foi construído para receber o primeiro Mundial sediado pelo Brasil em 1950, terá novamente uma partida da competição. Argentina x Bósnia-Herzegovina está marcado para às 19h

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Este domingo no Maracanã será especial. Argentinos e bósnios podem não conhecer a canção entoada pelas torcidas cariocas, mas sabem que o confronto entre eles, que abrirá a participação do templo do futebol na Copa do Mundo de 2014, será histórico. Após 64 anos, o estádio que foi construído para receber o primeiro Mundial sediado pelo Brasil em 1950, terá novamente uma partida de Copa.

A representatividade deste momento pôde ser vista no treino de reconhecimento do gramado, na véspera do duelo. Jogadores de Argentina e Bósnia-Herzegovina contemplavam a arena durante a atividade. “É a primeira vez que estou aqui e será incrível poder jogar em um estádio com tanta historia”, destacou o goleiro argentino Sergio Romero.

Getty Images#Técnico bósnio elege Messi o melhor da história

O Maracanã é a única arena da Copa de 2014 que também recebeu jogos em 1950. Quis o destino do sorteio dos grupos, que a única estreante da atual edição do torneio fizesse sua primeira apresentação contra uma das favoritas ao título, no local. “Será uma honra jogar a Copa pela primeira vez e se pudéssemos escolher uma cidade e um estádio para a ocasião, não teríamos lugar melhor”, resumiu o técnico bósnio Safet Susic.

Se a Bósnia-Herzegovina, após a independência da antiga Iugoslávia, chega a sua primeira Copa, do outro lado, o adversário, bicampeão mundial (1978 e 1986), é acostumado a formar grandes equipes e conta com ninguém menos que o craque Lionel Messi. Para o comandante bósnio, ele é o melhor jogador da história. “Não vamos permitir que joguem livres, vamos marcar quem estiver com a bola. Temos jogadores de qualidade e quem nos acompanha sabe disso. Nossos jogadores estão prontos e ofereceremos resistência. Mas, vamos enfrentar, os brasileiros talvez não gostem do que vou dizer, o melhor jogador de todos os tempos”, exaltou.

Enquanto o adversário tratou de jogar o favoritismo para a Argentina, apontada por Susic como uma das candidatas ao título, o treinador da Albiceleste, Alejandro Sabella, descartou o rótulo e tratou de fazer mistério sobre a equipe que levará a campo para a estreia. “Não gosto da palavra favorito, porque o futebol está muito equilibrado. É difícil fazer qualquer prognóstico e cada vez mais a palavra favorito está em desuso. A primeira partida é sempre difícil, há uma pressão maior, e a palavra favorito perde peso”, disse antes do treino deste sábado no Maracanã. “Conversaremos com os jogadores, faremos um treino leve e veremos como estão. Estou meio misterioso e meio indeciso”, completou.

As dúvidas são em parte pelas condições físicas dos jogadores e em parte pela indefinição sobre o esquema tático. “A equipe ainda não está definida. Estarão todos os jogadores à disposição, menos o Rodrigo Palacio. Avaliaremos quais estarão em melhores condições para jogar os 90 minutos”, revelou Sabella, que pode colocar a seleção para jogar com três atacantes, ou escalar mais jogadores no meio-campo.

O comandante bósnio, que tem no atacante Edin Dzeko a esperança de gols, não escondeu o jogo e disse que a equipe é a mesma que atuou nos últimos amistosos, com apenas uma dúvida de ordem física. Ele também prometeu não mudar o esquema ofensivo da seleção. “Não vamos mudar nossa maneira de jogar. Temos três na frente, dois meias e dois laterais que apoiam. Sou um treinador que sempre quer mais um gol, tenho a filosofia do ataque e o perfil dos nossos jogadores é esse. Somos melhores atacando”, analisou.

Argentina e Bósnia-Herzegovina se enfrentaram duas vezes na história. O retrospecto é amplamente favorável aos sul americanos, que têm duas vitórias, sete gols marcados e nenhum sofrido.

» Veja o perfil completo da Argentina

» Veja o perfil completo da Bósnia-Herzegovia

» Conheça todos os detalhes do Maracanã

Getty Images#Messi participa do reconhecimento do gramado do Maracanã, neste sábado, sob os olhares do técnico Alejandro Sabella

Torcida

E não é que os argentinos se sentirão em casa no Brasil. O Rio de Janeiro foi “invadido” por milhares de pessoas que vieram do país vizinho das mais diferentes formas para mostrar o apoio à seleção. A Argentina era o terceiro país no ranking de venda de ingressos para a Copa (61.021) até o dia 5 de junho, quando 95% dos bilhetes haviam sido comercializados.

No entanto, muitos deles não adquiriram os ingressos e tentarão a sorte, ou darão seu apoio de fora do estádio. “A gente não conseguiu comprar ingresso pela internet. Também não havia bilhetes disponíveis no Centro de Distribuição da FIFA. Vamos mais cedo para o estádio ver se achamos alguém arrependido”, prometeu o torcedor Sergio Díaz, que está hospedado em Copacabana.

A praia mais famosa do Rio de Janeiro, aliás, virou o ponto de concentração dos argentinos, que coloriram o local de azul e branco. “O apoio deles será muito importante e temos que dar uma resposta positiva. Espero corresponder às expectativas”, declarou o goleiro Romero, que agradeceu o carinho recebido pelos compatriotas no Brasil.

» Às vésperas da estreia de Messi e companhia, torcida argentina toma conta de Copacabana

A festa está preparada, cabe ao jogadores argentinos a missão de superar os bósnios, que prometem se empenhar pela vitória. “Sabemos a importância desse jogo, todos sabem contra quem jogaremos, mas, em outubro de 2013, realizamos o nosso sonho (classificação inédita para a Copa) e acredito que podemos continuar sonhando. Vamos entrar com orgulho para elevar esse sonho. Cada jogador bósnio estará ansioso por esta estreia. O futebol já teve muitas surpresas e quem sabe, não podemos ser mais uma”, disse o zagueiro Emir Spahic.
 

Torcedores argentinos no Rio de Janeiro

Torcedores argentinos no Rio de Janeiro

Mobilidade

O sistema de transporte público é a melhor opção para o torcedor que for ao Maracanã assistir ao jogo, marcado para este domingo (16.06), às 19h. A Prefeitura do Rio de Janeiro sugere aos torcedores utilizarem o metrô. Quem sair da Zona Norte e Zona Sul, pode pegar as linhas 1 e 2 em direção ao Maracanã. A transferência entre as duas linhas pode ser feita em todas as estações no trecho compartilhado entre Central e Botafogo.

Para facilitar o deslocamento até o estádio, os torcedores deverão priorizar a estação de acordo com o portão de entrada – há letreiros com informações dentro do próprio sistema do metrô. Todas as estações ficam em um raio de 10 minutos de caminhada do estádio e o trajeto será sinalizado com placas instaladas pela Prefeitura.

Pela primeira vez numa partida de futebol, torcedores que saírem do Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão) ou da Zona Oeste poderão utilizar o BRT Transcarioca para se deslocar até o Maracanã. Haverá ônibus expressos saindo do terminal Alvorada, na Barra da Tijuca, do Fundão e do aeroporto. Os passageiros devem desembarcar na estação Vicente de Carvalho e fazer a integração com a linha 2 do metrô no mesmo local.
O torcedor que chegar ao Aeroporto Santos Dumont no dia da partida pode também pegar um ônibus gratuito até a estação Cinelândia, no centro, e tomar o metrô.

» Confira o esquema completo de mobilidade urbana para a partida

A prefeitura estima que 58% dos torcedores chegarão ao Maracanã de metrô. Outros 18% usarão BRT e metrô - 76% do público passará pelo sistema de trilhos subterrâneos. Mais 8% devem ir ao estádio de trem; 9%, de ônibus; 6%, de táxi; e menos de 2% a pé.

Segurança e trânsito

A Guarda Municipal do Rio de Janeiro montou um esquema especial de patrulhamento com 341 profissionais de controle urbano e de trânsito para o primeiro jogo. Todas as ações de fiscalização serão coordenadas em um Centro Móvel de Comando, próximo ao Maracanã. Os agentes contarão com uma torre de observação, com até nove metros de altura, equipada com câmera de vigilância digital com visão 360º e capacidade noturna, que alcança até dois quilômetros de distância.

A orientação é para que seja cumprida a proibição local de consumo e comercialização de bebidas alcoólicas duas horas antes e após a realização de jogos no entorno do estádio. O Centro de Operações do Rio acompanhará, em tempo real, os deslocamentos por 110 rotas que poderão ser utilizadas pelas delegações, árbitros e autoridades da FIFA.

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Gabriel Fialho e Giuliander Carpes - Portal da Copa

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