Oito toneladas de resíduos sólidos são coletadas, por partida, na Copa das Confederações

18/06/2013 - 18:51
Encontro organizado pela FIFA e pelo Comitê Organizador Local com a imprensa nesta terça-feira, tratou sobre sustentabilidade nos megaeventos. Organizadores se comprometeram a compensar 2,7 milhões de toneladas de dióxido de carbono que serão emitidas com os torneios

Fotos: Gabriel Fialho/ Portal da Copa#Da esq. p/ dir.: Ricardo Trade, Federico Addiechi, Pakka Odriozola, porta voz da FIFA, Saint-Clair Milesi, diretor de comunicação do COL, Luis Fernandes e Sérgio Margulis

Nas quatro partidas da Copa das Confederações, realizadas até aqui, foram coletados oito toneladas de resíduos sólidos, em média, por jogo. A informação foi dada pelo CEO do Comitê Organizador Local (COL), Ricardo Trade, durante o encontro com a imprensa, nesta terça-feira (18.06), no Maracanã, que teve como tema a sustentabilidade. A cada jogo, são 15 voluntários treinados para orientar os torcedores quanto à coleta seletiva nas arenas e 30 catadores de cooperativas locais para controlar a destinação do material.

“O projeto de gestão de resíduos nos estádios da Copa das Confederações conta com um sistema com dois recipientes para coleta, são cerca de 800 por arena. Nós estamos coletando cerca de 8 toneladas, em média, por partida, claro que depende da quantidade de espectadores, ontem em Belo Horizonte tivemos um pouco menos, mas a média é essa”, exemplificou Trade.

Além do controle dos resíduos, outras ações incorporadas pela FIFA para diminuir o impacto da realização da Copa do Mundo no meio ambiente e compensar os efeitos gerados pelo torneio, envolvem a construção de arenas sustentáveis, apoio ao uso de energia limpa e a implantação de mecanismos de “pegada de carbono”, ou seja, formas de retirar gases que provocam efeito estufa da atmosfera.

“Nós fizemos uma análise da pegada de carbono e os resultados são que 2,7 milhões de toneladas de dióxido de carbono, seja por emissões diretas ou indiretas, serão lançados e a FIFA se comprometeu a compensar estas emissões. Vamos implementar um programa no Brasil para isso e vamos trabalhar com nossos parceiros comerciais. Temos projeto de energia renovável e também vamos apoiar as instituições públicas que precisam se beneficiar da energia limpa, para que possamos nos certificar que a Copa tenha o menor impacto no meio ambiente”, garantiu Federico Addiechi, diretor de responsabilidade social corporativa da FIFA.

O representante do Ministério do Meio Ambiente em sustentabilidade, Sérgio Margulis, afirmou que algumas cidades-sede já estão finalizando seus planos de pegada de carbono para a Copa do Mundo. “Temos duas ações principais que minimizam as emissões, que é o uso de combustíveis limpos e de energia renovável e outras para a compensação, como o plantio de florestas e a aquisição no mercado de produtos certificados. Para essas ações de mitigação e compensação, Belo Horizonte já terminou o seu inventário e Fortaleza e Curitiba estão bem avançadas. Mas, o Ministério do Meio Ambiente fez um acordo com o Programa das Nações Unidas sobre o tema, para fazer o inventários nas 12 sedes”.

Inovações

As ações desenvolvidas pelo Governo Federal serviram, inclusive, para aumentar as exigências da entidade máxima do futebol para os organizadores das próximas Copas, como a feita pelo BNDES para os construtores dos estádios, como lembrou Luis Fernandes, secretário executivo do Ministério do Esporte. “Queria destacar as inovações tecnológicas das arenas, que são inúmeras, como o reaproveitamento dos materiais oriundos das demolições dos antigos estádios na construção dos novos ou em outros equipamentos, o uso de energia renovável, algumas arenas com captação de energia solar e tecnologias de poupança do uso de energia usando iluminação natural, coleta e reaproveitamento de água da chuva para abastecimento de áreas internas dos estádios e na irrigação dos campos. São ações incorporadas como condição de financiamento do BNDES para as construtoras, onde estabelecemos um marco para a FIFA para as próximas Copas”.

Cinco eixos

Além dos projetos das arenas, o conceito de sustentabilidade entrou no planejamento do Governo Federal incorporando outras quatro dimensões principais: mudança climática, com o levantamento de emissões e encaminhamento das medidas de compensação; estruturação das cadeias de produtos orgânicos e sustentáveis; melhorias na infraestrutura das unidades de conservação e ecoturismo e; garantia adequada da gestão de resíduos sólidos, com a marca da inclusão social.

Luis Fernandes destacou a importância dos investimentos da Matriz de Responsabilidades em empreendimentos que impulsionam determinados setores da economia. “Estamos aproveitando os megaeventos para apoiar cadeias produtivas gerando renda e emprego. Nesse sentido, o item com maior investimento na Matriz é a mobilidade urbana, com projetos estruturantes para o transporte público no país. Na educação, temos programas de qualificação profissional associadas às cadeias produtivas da Copa, principalmente no turismo, com o Pronatec Copa, que vai qualificar 500 mil trabalhadores até o Mundial e já capacitou 120 mil para a Copa das Confederações”.

Sobre a capacitação de trabalhadores e voluntários, Trade destacou que entre 24 e 30 mil operários passarão pelas obras dos estádios da Copa e que vários deles foram beneficiados com programas que vão desde a alfabetização até a melhoria da capacidade técnica. Na Copa das Confederações a FIFA recrutou 5,6 mil voluntários e na Copa do Mundo serão 15 mil, além de seis mil seguranças privados que atuam nas arenas, todos profissionais que passaram por diversos treinamentos específicos.

Gabriel Fialho - Portal da Copa

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