Polícia prende 11 pessoas acusadas de integrar máfia de cambistas

03/07/2014 - 14:14
Operação no Rio de Janeiro contou com 50 mil interceptações telefônicas e apreendeu cerca de cem ingressos da Copa do Mundo vendidos a preços abusivos

A polícia civil do Rio de Janeiro prendeu 11 pessoas acusadas de fazer parte de uma quadrilha internacional que revendia ingressos da Copa do Mundo a preços abusivos. Eles vão responder processo por crimes de lavagem de dinheiro, associação criminosa e cambismo. A investigação interceptou 50 mil ligações telefônicas e chegou ao argelino Lamine Fofana, um dos chefes do grupo, com quem foram apreendidos cerca de cem bilhetes.

A quadrilha vendia ingressos para todos os jogos da Copa do Mundo e chegava a lucrar até R$ 1 milhão por partida. A polícia civil começou a investigação a partir da apreensão de centenas de bilhetes nas imediações do Estádio Maracanã nas rodadas iniciais do torneio.

“O preço que eles pediam oscilava de acordo com a procura e a qualidade do jogo. É como se fosse uma bolsa de valores. Eles esperavam as seleções passarem de fase. Estavam cobrando R$ 15 mil por um ingresso para a final. Se o Brasil fosse para a decisão, venderiam por R$ 35 mil. Antes do evento, estavam vendendo por R$ 10 mil”, explicou o delegado Fabio Barucke, da 18ª Delegacia de Polícia do Rio de Janeiro, que conduz a investigação. A operação foi batizada de Jules Rimet, em alusão ao primeiro presidente da FIFA.

Das 50 mil ligações telefônicas interceptadas, a polícia ainda tem de ouvir 25 mil. O delegado finaliza a identificação de mais sete pessoas envolvidas na quadrilha que devem ter os mandados de prisão expedidos em breve. Foram apreendidos ingressos provenientes da FIFA e seus patrocinadores, clientes de pacote de hospitalidade, de organizações não governamentais (ONGs) e até de delegações.

“Apreendemos ingressos de várias fontes que estão sendo objetos de investigação e surgiram indícios de envolvimento de um membro da FIFA. Agora vamos entrar em contato com a entidade e ver se ela pode nos auxiliar com informações a respeito desta pessoa”, disse Barucke.

O diretor de marketing da FIFA, Thierry Weil, afirmou que para a entidade sempre foi prioridade proteger os torcedores contra os riscos associados à venda ilegal de ingressos e garantir que as ações devidas sejam tomadas contra qualquer pessoa que viole os regulamentos de venda. “É por isso que temos solicitado constantemente aos fãs que comprem entradas apenas pelo site oficial da entidade, a única fonte legítima de ingressos”, declarou.

Weil afirmou ainda que combater a prática da venda não autorizada de ingressos requer um esforço conjunto. “A FIFA está muito satisfeita com os vários casos concluídos com sucesso até o momento em estreita cooperação com as autoridades locais, antes e durante a Copa do Mundo em curso.”

Prática antiga

A polícia tem indícios da prática de cambismo pela quadrilha em outras edições da Copa do Mundo. Segundo o delegado Tarcísio Jansen, coodenador estratégico da polícia civil do Rio de Janeiro no Mundial, os integrantes da organização criminosa mencionavam nas ligações que trabalhavam com esquema semelhante desde 1998, na França.

Ainda não foi possível identificar se algum jogador ou integrante de comissões técnicas de seleções participantes do Mundial tivessem ligação com o esquema de venda ilegal de ingressos, mesmo que muitos conheçam Fofana pessoalmente.

“Ter ingresso e dar ou vender pelo mesmo valor não é crime. Cada envolvido terá sua conduta pormenorizada. Vamos evitar especulações neste momento. Este inquérito continuará por alguns meses e no final vamos ter uma lista de participantes”, afirmou Jansen.

Giuliander Carpes, do Portal da Copa, no Rio de Janeiro

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