Pragmatismo alemão avança, mas alegria e coração argelinos encantam

30/06/2014 - 22:36
Derrotada na prorrogação em Porto Alegre, equipe africana ganha status de protagonista e conquista o público no Beira Rio

O gol argelino, marcado por Djabou já nos acréscimos da prorrogação contra a Alemanha, foi uma triste apoteose à passagem da seleção africana por Porto Alegre nesta Copa do Mundo. A equipe, de futebol intenso e deteminado, sem perder a perspectiva de atacar sempre que possível, encantou os torcedores presentes ao Beira-Rio. Por isso, apesar do 2 x 1 para a Alemanha, classificada às quartas de final, a festa no estádio foi muito mais para a Argélia, que volta para casa.

O esquema montado pelo técnico Vahid Halilhodzic, com duas linhas cerradas de marcadores e roubadas de bola no meio campo que proporcionaram diversos contra-ataques perigosos, deu mesmo chances para que o grupo surpreendesse os europeus. Mas contra a robustez alemã, sólida na defesa e adiantando o time, deixando o goleiro Neuer como líbero, era mesmo difícil achar brechas.

Ainda assim, o jogo quase perfeito da Argélia só ruiu no segundo minuto da prorrogação, em uma das poucas saídas erradas da defesa argelina. O contra-veneno alemão, ao contrário das tentativas argelinas, foi fatal: gol de Schurrle, que substituíra Goetze no começo do segundo tempo. Depois de superar o incrível goleiro Mbohli, o jogo mudou. A Argélia teve de virar Alemanha, mas não tinha mais pernas para a façanha. Após o 2 x 0, com Özil, a Alemanha só cedeu o gol de honra porque relaxou.

Oitavas de final - Alemanha x Argélia - Beira-Rio

Oitavas de final - Alemanha x Argélia - Beira-Rio

Referência para o país

Na coletiva de imprensa, o goleiro argelino, escolhido melhor jogador da partida, estampava no rosto uma pesada expressão de decepção. "Nós sentimos que poderíamos ter passado adiante, apesar do adversário, que era muito forte. De qualquer forma, essa equipe escreveu seu nome na história do futebol argelino e nosso feito será referência para a evolução do esporte em nosso país", disse.

Bougherra, que entrou no lugar do capitão, Halliche, esgotado, já na prorrogação, avaliou que a melhor condição física dos alemães pesou na segunda etapa da partida e, principalmente, depois disso. "Fizemos a Alemanha trabalhar muito o tempo todo. Faltou-nos o gol na primeira etapa, para dar mais confiança. Tivemos muitas oportunidades, e mesmo depois de estarmos perdendo por 2 x 0 continuamos lutando. Essa equipe joga com o coração", ressaltou.

» Alemanha bate a Argélia na prorrogação e avança às quartas 

Ele também deu ênfase ao papel de Halilhodzic, que não falou com os jornalistas após a partida. "A Argélia deve muito a ele, que nos deu essa imagem, a disciplina e o valor. Estamos muito agradecidos. Halilhodzic merece uma grande homenagem", finalizou.

Vitória da força de vontade

O tamanho do esforço alemão para conseguir avançar na Copa do Mundo foi destacado pelo técnico alemão, Joachim Löw. Ele observou que as dificuldades, principalmente no primeiro tempo, o obrigaram a mexer na equipe para dar mais solidez ao meio campo. "Perdemos muitas bolas nesse setor, permitindo a criação de contra-ataques com lançamentos longos para os atacantes velozes da Argélia. Essa foi uma vitória da força de vontade, que sobrou nas duas equipes".

Agora, antes da decisão da vaga na semifinal contra a França, no Rio de Janeiro, Löw vai dar dois dias de descanso ao grupo. "Tivemos uma partida muito desgastante. Vamos recuperar os jogadores e só depois ver o que iremos fazer". A tendência é pela manutenção dos quatro zagueiros, apostando na disciplina e na segurança defensiva para, com paciência, encontrar os espaços para marcar sem correr riscos demais.

A Alemanha vai seguir na Copa buscando a eficiência, não mais do que isso. "Numa Copa, não se pode esperar que as equipes joguem um futebol fantástico. Hoje, não fomos fantásticos, mas vencemos. Torneios são assim. Vamos procurar fazer a melhor campanha possível e ser campeões".

Claudio Medaglia, do Portal da Copa em Porto Alegre

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