Presidenta Dilma recebe jogador Tinga e árbitro Marcio Chagas, vítimas de racismo no futebol

13/03/2014 - 20:02
Ministro do Esporte, Aldo Rebelo, também participa de encontro e destaca importância de o tema da Copa do Mundo abranger questões universais como a promoção da paz e o combate ao preconceito

Foto: Ricardo Stuckert/PR#A presidenta Dilma Rousseff mostrou solidariedade às vítimas de racismo e reiterou a disposição do governo federal em combater este tipo de crime e o preconceito de maneira geral, nesta quinta-feira (13.03), quando recebeu o volante Tinga e o árbitro gaúcho Marcio Chagas. Eles foram vítimas de manifestações racistas em partidas de futebol, recentemente. Após o encontro, o jogador do Cruzeiro afirmou que espera pela punição de quem cometer esse tipo de ato e que o preconceito só poderá ser combatido por meio da educação.

“Espero que tenha a punição, mas não acho que somente isso vai mudar as coisas, mas a educação. Eu acredito muito que uma das maneiras de combater o preconceito é a educação. O preconceito está ligado à falta dela. Quando falamos em educação, não é só a escolar. Falo da cultura dentro de casa, começar a fazer nossa parte. Temos o costume de esperar tudo dos professores, do governo, mas temos que começar fazendo nossa parte como ser humano, como família. Combater o preconceito leva tempo e tem que ser feito pela educação.”

O árbitro relatou que o episódio ocorrido na partida entre Esportivo e Veranópolis, no dia 6 de março, não foi o primeiro caso em que sofreu racismo, mas foi o mais agressivo. Quando chegou a seu carro, Marcio encontrou bananas espalhadas pelo veículo, que também foi depredado. Além disso, o árbitro disse ter sido ofendido verbalmente. “Após o fato, resolvi expor a situação, que não foi a primeira, mas foi muito dolorosa. Acho que deve haver punições exemplares para coibir esse tipo de crime porque é algo que fere o sentimento, como ser humano. Acredito que fiz a coisa certa, que foi denunciar”.

Para Tinga e Marcio, o encontro mostrou que a presidenta está empenhada e preocupada com o preconceito no país. “Eu acho muito importante vir aqui, não somente como árbitro, mas como cidadão. Também foi importante ver a preocupação da presidenta quanto ao racismo. Eu, agora, posso transmitir a todos que há essa preocupação do governo. O futebol é um agente importante no nosso país, as pessoas param para assistir aos jogos e nada melhor que boas ações no futebol, para plantar e depois colher os frutos de um convívio harmônico”, opinou o árbitro.

“Achei interessante o fato de ela estar preocupada com essa situação que acontece no país todo”, comentou o jogador Tinga, que foi alvo de atos racistas em partida realizada no Peru, pela Libertadores, quando o Cruzeiro enfrentou o Real Garcilaso, em 12 de fevereiro. Cada vez que o atleta brasileiro tocava na bola, a torcida adversária imitava sons de macacos.

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, também participou do encontro e destacou a importância de o tema da Copa do Mundo abranger questões universais como a promoção da paz e o combate ao preconceito. “Evidente que a preocupação da presidente é a de expressar solidariedade e a determinação do governo em enfrentar esse tipo de problema. A presidente já manifestou a intenção de fazer uma Copa pela paz e contra o preconceito, junto à ONU e à FIFA, criando mecanismos de expressão de repúdio, com frases, faixas e ações que definiremos. É um evento com muita visibilidade, e as mensagens, transmitidas por ídolos como são os atletas, causam muito impacto”, afirmou.

Aldo Rebelo lembrou também que a lei brasileira classifica o racismo como um crime que não prescreve e com pena inafiançável.

Após receber Tinga e Marcio, a presidenta se reuniu com representantes do movimento negro. A ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Bairros, afirmou que o encontro dá continuidade às iniciativas do governo para combater o racismo e que a mensagem contra o preconceito deve ser propagar para além da Copa do Mundo.

“A grande contribuição que o movimento negro trouxe para essa discussão é que a questão principal não é o racismo na Copa do Mundo. Que a questão principal é o racismo que existe nas sociedades, e portanto se manifesta no futebol. E todas as propostas apresentadas hoje para a presidenta Dilma apontaram nessa direção. De todo modo, o governo está empenhado numa campanha que será feita da Copa contra o racismo”, disse a ministra.

Foto: Paulino Menezes/ Portal da Copa/ ME#

Gabriel Fialho - Portal da Copa, com informações do Blog do Planalto

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