Cinco histórias de quem ampliou o leque de opções profissionais com o Pronatec

23/05/2014 - 13:10
Com mais de 166 mil matriculados, projeto aproveita a influência da Copa e cria oportunidades em funções ligadas às atividades do receptivo turístico em todo o país

Foto: Agnaldo Oliveira Junior/Portal da Copa#A partir do curso de padeiro, Eliane pretende abrir uma pequena padaria“Meus olhos, hoje, são minhas mãos. Com elas sinto o ponto da massa e desenvolvo minhas habilidades”. A amazonense Eliane Freitas perdeu a visão há 14 anos, em função de um aneurisma no nervo ótico.  Nos últimos dez anos, procurou superar a deficiência visual com atividades ocupacionais, mas foi ao fazer a inscrição num curso de padeiro ligado ao Pronatec que descobriu que tinha uma boa possibilidade de inserção no mercado. 

“A minha vontade agora é me tornar uma empreendedora social e abrir o próprio negócio. Com vai ser possível abrir uma pequena padaria”, afirmou. Atualmente, ela já se dedica à fabricação caseira de salgados e doces. No curso, incluiu ao seu leque de conhecimentos o aprendizado sobre o processo de panificação, escolha e seleção de ingredientes, fabricação de pães especiais, preparação da massa e como usar equipamentos, tanto de forma industrial como artesanal.

» Página especial do Pronatec Turismo

Eliane é uma das 166 mil pessoas que buscaram aprimorar habilidades e qualificação profissional via Pronatec Turismo em 22 estados e no Distrito Federal.  Dessas, mais de 75 mil já concluíram a capacitação. São oportunidades em 54 especialidades ligadas às atividades do receptivo turístico. De garçom a pizzaiolo. De organizador de eventos a programador Web. De aulas de idiomas a instalação e reparação de rede de TV a cabo. Alternativas para aprimorar o currículo e aproveitar nichos de mercado gerados pela organização do Mundial de 2014.

Foto: Mellyna Reis/Portal da Copa#Jéssica renovou habilidades e foi contratada como recepcionista de hotel em Salvador

Do seguro- desemprego à reinserção

"Mudança de vida radical". Foi assim que a recepcionista de meio de hospedagem Jéssica Farias Alves, 31 anos, definiu a nova fase profissional. A funcionária do Golden Park Hotel de Salvador (BA) conseguiu o atual emprego quando estava prestes a concluir o curso do Pronatec, realizado na unidade do Senac da Pituba. Na capital baiana, houve mais de 11.800 inscrições, e cinco mil concluíram os cursos.

Após ser demitida da empresa onde atuava como atendente de telemarketing, Jéssica Alves procurou uma agência de trabalho para dar entrada no Seguro-Desemprego. No início, chegou a ficar insatisfeita com a necessidade de se inscrever em um curso para receber o benefício. Optou, então, pela formação em recepcionista em meio de hospedagem, por ser oferecida em um bairro próximo de sua residência. Se no começo estranhou os conteúdos, na medida em que estudava foi se interessando, ao ponto de conseguir a primeira entrevista de trabalho antes do fim das aulas. "Fui gostando, me envolvendo e deu certo", conta.

Contratada há pouco mais de um mês, a ex-aluna do Pronatec revela que lidar diretamente com o público é o que mais gosta na função. "Adoro conversar, conhecer as pessoas. Hoje me sinto melhor no ambiente de trabalho. Fazia tempo que não sentia isso", afirma.

O coordenador de eventos do hotel, Ricardo Neves, elogia a recepcionista pela simpatia, dedicação e maneira de atender os hóspedes. "Ela veio com esse diferencial", destaca Neves. O coordenador também ressalta as vantagens de ter uma recepcionista especializada. "A gente consegue o funcionário mais capacitado", acrescenta.

A supervisora pedagógica do curso do Pronatec da Pituba, Geni Ferreira, aponta o exemplo de Jéssica como referência para outras pessoas que estejam em busca de oportunidades. "A gente deixa claro para eles que é um momento único na vida, um curso de qualificação e que eles podem realmente entrar no mercado, principalmente através da Copa", explica.

Além de melhorias financeiras e trabalhistas, como a carteira assinada, salário fixo e a possibilidade de receber comissões por produtividade, Jéssica se sente realizada com a nova área. "Hoje trabalho mais feliz, alegre, fazendo algo que gosto de fazer".

Foto: Thiago Cafardo#Carol fez o curso de agente de informações turísticas em Fortaleza e hoje trabalha em uma agência de viagens

História e Geografia

Quando se mudou com a família de Manaus para Fortaleza em 2010, Carolina Praia ainda estava no ensino médio. Porém, mesmo com apenas 15 anos, já vislumbrava a possibilidade de trabalhar com turismo na capital cearense. “Eu sentia que faltava qualificação na área e resolvi tentar. Encontrei aqui a oportunidade para crescer”. Ela é uma das mais de 11 mil pessoas matriculadas em cursos do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec Copa) desde 2012 no Ceará, segundo dados da Secretaria Extraordinária da Copa de Fortaleza (Secopafor) . 

Carol, como prefere ser chamada, conseguiu vaga no curso de agente de informações turísticas do Senac-CE e se destacou. Tanto que há três meses foi contratada por uma de suas professoras para trabalhar na agência de viagens Nova Lisboa, no bairro da Aldeota. “Turismo é uma área que me encanta. Sempre gostei muito de geografia e história. E nessa área você tem que lidar com o conhecimento das duas matérias”.

Na agência, Carol recebe os turistas e ajuda a organizar pacotes de viagens, além de ensinar os pontos da cidade que não podem deixar de serem visitados. A proprietária Roberta Riviane está satisfeita com o trabalho da ex-aluna. “Ela está muito bem. Claro que tem um pouco de dificuldade por ser o primeiro emprego na área, mas nada como você ver o dia a dia na prática para aprender a profissão”, diz Roberta, destacando as diferenças da teoria aplicada em sala de aula com a prática do mercado de trabalho.

Mesmo sem estudar idiomas, Carol conta que se comunica bem em inglês e arrisca algumas palavras em espanhol. “Ler e escutar músicas em inglês me ajuda muito a aprender. Tenho mais facilidade com o inglês do que com o espanhol”, relata

Com o salário que recebe na agência, Carol afirma que usa uma parte para ajudar a família nas contas da casa. Ela mora com a mãe, o padrasto e três irmãos, de 11 e cinco anos (gêmeos). A jovem conta que a família precisou se mudar de Manaus por causa do alto custo de vida na capital amazonense. A adaptação, diz ela, não é simples. Mas inserida no mercado de trabalho tudo fica mais fácil.

Foto: Laura Cortizo/Portal da Copa#Itharlan quer se tornar um "expert" na arte de receber pessoas

Um novo olhar para a própria comunidade

O que um bacharel em turismo tem a aprender em um curso de Agente de Informações Turísticas? Graduado desde 2011, o pernambucano Itharlan Américo, de 27 anos, tem a resposta na ponta da língua: “Aprendi a olhar minha comunidade com outros olhos. Saí do macro para o micro”. Ele vive na Bomba do Hemetério, bairro da Zona Norte do Recife e famoso celeiro cultural da cidade. Após mais de dois meses de aulas, Itharlan recebeu seu certificado, somando-se ao grupo de mais de 2 mil jovens formados pelo Pronatec na capital pernambucana.

"Tenho certeza que estarei preparado para qualquer oportunidade que aparecer, seja antes, durante ou após o mundial", afirma o jovem, que aproveitou para sugerir a criação de um banco de talentos com os egressos da capacitação. Ele destaca que assuntos como ética, inglês, roteirização e qualidade no atendimento foram alguns dos que mais acrescentaram na sua vivência como profissional.

As aulas ocorreram na própria comunidade, o que facilita o trabalho de campo dos alunos. “Aprendi com o grupo como poderíamos aproveitar a riqueza cultural do nosso bairro”, pontuou. “Quero ser expert na arte de receber as pessoas.”

Para colocar em prática o aprendizado, Itharlan tem dado suporte a grupos de turistas que chegam à comunidade. “Já foi montado um cardápio cultural com os mais de 50 grupos que atuam aqui na Bomba. Fazemos sugestões de acordo com o perfil dos turistas e o tempo que eles têm disponível”, explica o turismólogo. Entre as opções de programação estão grupos de dança africana, escola de samba, terreiros de candomblé e grupos de maracatu.

Foto: Leonardo Lourenço/Portal da Copa#Fagner tem aulas de inglês no próprio ambiente de trabalho: "É prático"

Inglês no templo da língua portuguesa

Fagner Geraldes Braga, de 30 anos, é assistente de operações tecnológicas no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo. Ele participa de aulas de inglês promovidas por meio do Pronatec Copa desde meados de 2013. “A iniciativa é deu oportunidade para muita gente”, diz ele. Com as habilidades adquiridas, ele costuma ajudar colegas quando há dificuldade de atendimento a visitantes estrangeiro. “Sempre me coloco à disposição”.

O assistente tem aulas duas vezes por semana, às quartas e sextas, ali mesmo, em uma das salas do museu – o grupo também recebe funcionários do Museu do Futebol, que é gerido pela mesma Organização Social de Cultura, a IDBrasil Cultura, Educação e Esporte. Para ele, essa é uma das grandes vantagens. “Eu faço no meu local de trabalho e no horário do expediente. É prático”, afirma. Além disso, é uma chance única para muitos de seus companheiros de classe. “Muitos não teriam condições de aprender inglês fora daqui”. Segundo informações do Ministério do Turismo, 7.107 pessoas se inscreveram no Pronatec na capital paulista, e mais de três mil concluíram o curso.

Leonardo Lourenço, Mellyna Reis, Agnaldo Oliveira, Thiago Cafardo e Laura Cortizo, do Portal da Copa

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