Rocinha é campeã da Copa Social no Rio de Janeiro

10/07/2014 - 18:10
Evento paralelo à Copa do Mundo reuniu equipes de jovens de oito comunidades pacificadas da cidade

Foto: Divulgação#Há pouco tempo, quando o tráfico de drogas ainda dava as cartas no Rio de Janeiro, Vidigal e Rocinha eram comunidades vizinhas e rivais da zona sul da cidade. Cada uma era dominada por uma facção. Ambas receberam Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) e esta realidade mudou. Nesta quinta-feira (10.07), equipes de jovens das duas favelas fizeram a decisão da Copa Social, na Marina da Glória. O jogo foi mais uma prova de integração que de rivalidade.

A equipe da Rocinha, que representava a Inglaterra, marcou um gol a poucos minutos do fim da partida, venceu por 3 x 2 e levantou a taça. Não houve briga nem ameaças, como se poderia prever em outros tempos, mas companheirismo. Desolados pelo resultado, os jogadores do time do Vidigal foram consolados em campo pelos adversários.

“A rivalidade é só no jogo. Fora de campo somos todos amigos”, disse Mike Souza de Oliveira, 15 anos, atacante da Rocinha que também foi o artilheiro da competição e deu entrevistas para emissoras de televisão pela primeira vez na vida. A novidade não lhe intimidou. “A gente suou muito. O suor faz mágica. A gente treinou muito para chegar aqui. Vamos levar este caneco para festejar o título lá na Rocinha. Faz até a gente esquecer um pouco que perdemos na Copa do Mundo. Agora é só alegria.”

Comunidades

A Copa Social é um evento com jovens do projeto Escola Zico 10, que já atendeu 90 mil pessoas em todo o país em seis anos de existência. Os programas das oito comunidades mais antigas do Rio de janeiro participaram de um torneio de futebol em que cada um representava um país campeão mundial. Além da competição, havia iniciativas educacionais, cursos sobre meio ambiente e sustentabilidade e sobre pacificação durante o evento, além de atividades de integração entre os jovens – todos com menos de 15 anos.

“É uma satisfação de, num momento de Copa do Mundo, dar oportunidade a essas crianças que participam dos nossos projetos sociais. Para ficar no projeto tem que estar na escola e manter boas notas. A gente sabe que elas vão aos projetos querendo ser jogadores de futebol, mas o que digo é que a escola nunca me impediu de ser um bom jogador”, afirmou Zico.

O ex-jogador e treinador de futebol, idealizador do projeto, assistiu a final da competição pessoalmente e entregou o troféu e as medalhas para as equipes finalistas.  “Essas crianças estão aproveitando a chance que estão recebendo. Muitos jovens que passaram pelo projeto hoje estão na faculdade. Maior alegria nossa é essa. Formação de jogadores a gente deixa para os clubes. A nossa meta é formação de cidadãos.”

O torneio foi disputado numa arena montada na Marina da Glória. A grama sintética usada na competição vai ser doada para a comunidade vencedora e se tornará uma quadra de uso comum na Rocinha.

Giuliander Carpes, do Portal da Copa no Rio de Janeiro

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