São Paulo: os dois lados de Brasil e Colômbia na Fan Fest do Anhangabaú

04/07/2014 - 21:30
Acompanhe a história da partida sob o ponto de vista de torcedores das duas seleções

Que o jogo entre Brasil e Colômbia, na tarde desta sexta (04.07), pelas quartas de final da Copa,  seria tenso,  o brasileiro Rafael Moraes, 30, já sabia. Só não esperava emoção semelhante à vivida na partida anterior, contra o Chile, em que ele teve o privilégio de estar no estádio. “Quase morri. É sensacional assistir a um jogo de Copa no estádio e em seu país. Não há palavra que explique isso”, afirmou.

Ele escolheu assistir à partida contra a Colômbia na FIFA Fan Fest do Anhangabaú, no centro de São Paulo. Teve que chegar cedo. O espaço ficou abarrotado, lotando a capacidade para 25 mil torcedores cerca de duas horas antes do jogo.

Carol Delmazo/ Portal da Copa#Brian (primeiro à esquerda) e Alejandra (abaixo, à direita), com o grupo de amigos: confiança total antes do jogoA poucos metros dele, estavam Brian Carbono, 24, e Alejandra Foreo, 26. Eles eram crianças quando a Colômbia jogou o último Mundial, em 1998 e pouco se lembram. Escolheram o Brasil para torcer nas Copas que se sucederam. Mas 2014 trouxe a chance de vibrar com a própria seleção. A empolgação se fortaleceu na campanha das eliminatórias e sofreu um forte golpe com o corte de Falcao García.  “Perdemos nosso goleador, mas eu confiava mesmo assim”, disse Brian.

Chegou a Copa, a Colômbia mostrou força e futebol bonito. “Nosso time está jogando como grupo.  Acho até que a saída de Falcao contribuiu para fortalecer a equipe”, opinou Alejandra. A seleção liderada por James Rodríguez atingiu uma fase inédita: quartas de final. O desafio agora era enfrentar os donos da casa.

Pré-jogo

Assim como tinha sido no estádio, era visível a ansiedade de Rafael e das pessoas que o cercavam. Trajado com a camisa da seleção com um Neymar Jr. estampado nas costas, chapéu amarelo do Brasil e faixa com as cores da seleção, ele tentava se descontrair com as músicas e com a festa que antecedia o jogo, mas guardava energia para o grande momento.

Os colombianos, que estavam em um grupo de 12 pessoas, eram só alegria: curtiram as músicas, arriscaram alguns passos de samba, tiraram fotos com  vários brasileiros, ensaiavam cantos:“Obrigado, Brasil / Obrigado Brasil / Já tomamos caipirinha / Ahora vamos por ti”.Alteravam o famoso grito dos anfitriões: “Yo soy colombiano, con mucho orgullo, con mucho amor”. E soltaram o grito durante o hino. A emoção foi tanta que se esqueceram de gravar o momento, como haviam planejado.

Rafael, na sequência, também cantou o hino brasileiro. Era hora de a bola rolar.

Primeiro tempo

A confiança  colombiana estava em alta.  A cada aparição de James Rodríguez no telão, Alejandra gritava. Brian estava mais quieto, concentrado nas jogadas. Mas a empolgação deles levou o primeiro golpe aos sete minutos, com o gol de Thiago Silva. Os semblantes se fecharam. “Falta muito. Podemos virar”, disseram.
Para Rafael, a ansiedade se transformou em celebração. Dessa vez parecia que o sufoco ficaria longe. Assim como foi comum na Copa das Confederações, no ano passado, o Brasil marcava bem a saída de bola e abria o placar logo no início do jogo.

“O campeão voltou! O campeão voltou! O campeão voltou!”, berravam os torcedores que estavam à sua volta, após incentivo do telão, mostrando o mesmo grito no Castelão, em Fortaleza, palco do jogo.
A bomba que Cuadrado soltou de fora da área, logo depois, puxou o grito de “Sí se puede” entre os colombianos. As duas boas defesas de Ospina em jogada brasileira, aos 19 minutos, deram força aos dois. “Não é um goleiro, é um goleiraço”, gritava Alejandra.  Do outro lado, Rafael fazia previsões: “Vamos fazer mais um gol para deixar o jogo mais tranquilo”.

Com bom toque de bola, o Brasil criava constante perigo. O tempo passava, e a Colômbia não conseguia jogar. Quem sofreu as consequências foram as unhas de Alejandra. Brian reclamava: “Estamos muito atrás, não pode ser assim. Hoje o Brasil está jogando como uma equipe, mas voltaremos melhores”, apostou Brian.

Segundo tempo

A etapa final  não foi aquela facilidade que o torcedor brasileiro esperava. A Colômbia voltou, de fato, melhor, e isso fez crescer a esperança dos jovens torcedores do país vizinho. James aparecia mais, como eles queriam.

E, após uma confusão na área, o zagueiro Yepes tocou para as redes de Júlio César. Mas o  auxiliar marcou impedimento, para o alívio de Rafael. Brian e Alejandra vibraram loucamente... Por poucos segundos.  “Não foi, não foi! Ele não estava impedido”, disse Brian.

Adalberto Leister Filho/ Portal da Copa#Rafael vibra com o segundo gol brasileiroRafael aplaudiu o árbitro espanhol Carlos Velasco quando sacou o cartão amarelo para James Rodríguez, após cometer falta no meio do campo. Esse lance e uma nova marcação de falta, perto da área, na sequência, fizeram a revolta tomar conta do grupo de colombianos. A cobrança de David Luiz foi perfeita, e deu origem ao segundo gol brasileiro, aos 24 minutos.

“Foi um golaço, realmente. Mas a falta não existiu, os brasileiros estão se jogando”, disse Brian. “Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”, entoava a turma de Rafael.

Gritos de “eliminado” soaram no Anhangabaú. Alejandra fez questão de lembrar: “É muito cedo. Nas eliminatórias, nós nos classificamos ao empatar como o Chile por 3 a 3. E estava 3 a 0 para eles. Eu acredito.”

O aperto tomou conta de Rafael quando o juiz marcou pênalti de Júlio César em Bacca, que havia entrado no segundo tempo. James Rodríguez acertou a cobrança, colocando a Colômbia de volta ao jogo. Os olhos dos colombianos nem piscavam, e a conversão fez explodir a alegria entre eles. “Sí se puede! Sí se puede”, repetiam, entre abraços.

Mais 10 minutos regulamentares e outros cinco extras se passaram. A cada jogada, uma esperança colombiana ia embora, mas eles acreditaram até o fim.  Até o “goleiraço” Ospina foi para a área nos lances finais. Mas não deu. Fim de jogo.

“Não concordei com o árbitro, o nosso gol foi legítimo. Mas o Brasil jogou melhor desde o começo. Vocês mereceram”, avaliou Brian. “Quer saber? Estou feliz mesmo assim. Fizemos história neste Mundial”, acrescentou Alejandra.

Para Rafael, o apito final foi pura festa. Nem os desfalques do Brasil para a semifinal contra a Alemanha, terça-feira, em Belo Horizonte, desanimam o torcedor. O capitão Thiago Silva levou o segundo cartão amarelo e está fora.  A saída de Neymar – que levou uma joelhada nas costas - , naquele momento, ainda era uma especulação, mas tampouco tirou a fé de Rafael.

“Vamos de Dante, que conhece os alemães, e Bernard, para dar velocidade. Vamos para cima da Alemanha. Vamos comer chucrute”, acrescentou ele, que espera estar no estádio do Maracanã para assistir à final, com o Brasil em campo. “Não tenho ingresso, mas vou conseguir. Vou ficar no site até comprar”, disse.

Brasil x Colômbia: Fan Fest em São Paulo

Brasil x Colômbia: Fan Fest em São Paulo

Adalberto Leister Filho e Carol Delmazo  – Portal da Copa

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