Theo, até 20 jogos. Paulo, 15. Conheça dois torcedores que vão participar intensamente da Copa de 2014

25/04/2014 - 13:19
Apaixonados por Mundiais de futebol, eles já acompanharam outras Copas e relatam como cuidam da logística e desfrutam, a cada quatro anos, do torneio que mobiliza o planeta

A menos de dois meses para a Copa do Mundo da FIFA 2014, Theo e Paulo fazem os últimos ajustes de logística. Afinal, eles vão estar, dentro de estádios, em 20 e 15 jogos, respectivamente. No Mundial que já bateu recorde com mais de 11 milhões de pedidos de ingressos, acompanhar tantas partidas parece um grande lance de sorte. Mas é, na verdade, fruto da experiência e da persistência desses dois torcedores apaixonados por mundiais de futebol, que também contam com a ajuda dos amigos.

“O limite para compra no site da FIFA são sete jogos por pessoa. Então a gente tem que contar com a colaboração de amigos, que nos colocam como convidados em outras partidas. Só assim dá pra conseguir tantas partidas”, explicou o jornalista Theo Saad, 37 anos. Ele está no processo de preparação para atuar como voluntário, orientando torcedores, nos seis jogos de São Paulo, onde mora. Com ingressos comprados, Theo irá a 14 partidas em Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Salvador e Fortaleza.

O engenheiro e blogueiro Paulo Torres, 35, também teve ajuda para chegar aos 15 ingressos, principalmente dos irmãos. Ele vive em Belo Horizonte e vai assistir a cinco jogos na capital mineira. Conseguiu entradas para mais dez partidas em outras oito sedes: Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, Natal, Fortaleza e Manaus. “Não conheço quatro dessas cidades e, dentro do possível, vou tentar conhecer um pouco mais. Por isso, vou ficar dias a mais em Natal e Manaus”, explicou.

Para definir deslocamentos e hospedagens, os dois usaram como base a experiência que tiveram em outros Mundiais. Acompanhar a Copa, viajando bastante e conhecendo torcedores do mundo todo, já é a rotina de Paulo e Theo a cada quatro anos. Ambos estiveram nos Mundiais de 2006, na Alemanha, e de 2010, na África do Sul. Theo teve a primeira experiência como turista de Copa ainda em 1998.

Fotos: Felipe Campbell/Arquivo Pessoal#Theo em três momentos na África do Sul, em 2010. Torcedor também presenciou a festa da Copa do Mundo em 2006, na Alemanha, e em 1998, na França.

França 1998: um sonho

A primeira viagem para um Mundial deveria ter sido em 1994. Naquele ano, o pai ia levá-lo para os Estados Unidos. Na última hora, entretanto, a viagem foi cancelada. “Meu pai não pôde ir e foi decepcionante. Eu já tinha olhado visto, comentado com amigos. Mas ele prometeu que eu iria em 1998, com ou sem ele. E deu certo”, relembrou Theo.

A expectativa para a Copa da França era imensa e não houve preocupação com logística. “Meu pai comprou um pacote em uma agência de viagem, com todos os ingressos e traslados a partir das oitavas de final. Vi jogos em Paris, em Marselha, em Nantes e o que mais me marcou foi a organização: era fácil ir de uma cidade para outra e fácil entrar e sair dos estádios. Outra coisa fantástica é o intercâmbio. Conheci um cara da Eritreia, até hoje posso ir à casa de um escocês que conheci, também mantenho contato com um brasileiro do Acre, que dificilmente teria conhecido em outra ocasião”,contou.

Theo viu o Brasil ganhar do Chile, da Dinamarca e da Holanda, mas amargou, ao vivo, a derrota por 3 x 0 para a França na final em Saint-Denis. “Foi frustrante, mas estava em uma final de Copa do Mundo, um sonho. Eu só lembro do Roberto Carlos. Ele fez bobagem contra a Dinamarca, e um vacilo dele originou o escanteio em que saiu o gol da França na final. Minha implicância começou ali, mas só foram me dar razão em 2006, quando ele aprontou de novo no dia da eliminação do Brasil”, desabafou o torcedor.

O orçamento de Theo não foi suficiente para a Copa de 2002, mas a economia ficou guardada para 2006. E foi o mundial da Coreia do Sul e do Japão que fez Paulo começar a guardar dinheiro para ver de perto os mundiais seguintes. “Eu e um amigo alimentávamos um site de notícias de futebol desde 1999 e ele foi para o Japão. Falávamos sempre pela internet e ele relatava o clima dos estádios, o contato com a torcida, a logística. Eu sempre tive vontade de ir, mas acompanhando a experiência dele, vi que era viável e incrível”, explicou Paulo.

Alemanha: time to make friends

O site de notícias cresceu e Paulo foi para a Alemanha credenciado pela FIFA, com a missão de cobrir a Copa de 2006 com o amigo. A maratona foi pesada: 24 jogos, um por dia, incluindo as 12 sedes do torneio. “Era um clima de paz, sem confusão. Conheci bastante gente e não só nos jogos. As Fan Fests na Alemanha deram muito certo, com muita gente, e sempre que possível eu ia. O única dia ruim foi quando a Alemanha perdeu para a Itália na semifinal. Todo mundo quis sair do estádio ao mesmo tempo em Dortmund, faltou ônibus e tive que ir a pé até a estação de trem. Passei em frente à Fan Fest e parecia quarta-feira de cinzas”, contou.

Theo chegou à Alemanha com quatro ingressos, novamente a partir das oitavas. Como o Brasil perdeu o jogo de quartas de final, os ingressos de semifinal e final foram direcionados a outros torcedores, de acordo com as regras da FIFA. Dessa forma, ele só assistiu a dois jogos, mas saiu com uma excelente impressão do povo e com alguns aprendizados para a Copa seguinte.

“Vi que os alemães são muito legais. Funcionou bem o slogan 'time to make friends (tempo de fazer amigos). Aprendi a trocar camisas do Brasil por uniformes dos voluntários, uma lembrança ótima e algo que quero fazer em todas as Copas. Também aprendi que tinha que chegar bem mais cedo no país-sede, para aproveitar os jogos de primeira fase”, disse Theo.

Fotos: Arquivo pessoal#Paulo em estádios e Fan Fests, na Alemanha e na África do Sul: tudo certo para fazer igual em 2014

A Copa da África

Já “profissionais” no turismo de Copa, tanto Paulo quanto Theo começaram a economizar para a África do Sul logo após o fim do Mundial da Alemanha. Ambos foram como torcedores e o esforço para conseguir ingressos resultou em 13 jogos para Paulo e 12 para Theo. “Conheci as noves cidade-sede. Era mais difícil ir de uma para outra, mas gostei da maioria dos aeroportos. Comprei voos em promoção e fiquei em albergues. Algumas sedes, como Cidade do Cabo e Durban, impressionaram pela organização, mas tive problemas em outras, como Joanesburgo, onde faltava informação e o transporte público praticamente não existia”, disse Paulo.

A experiência de Theo começou diferente já na bagagem: ele e os amigos levaram diversas lembrancinhas do Brasil, como apitos, broches e flâmulas, para dar e trocar na África. O resultado foram vários sorrisos e muitos bate-papos com africanos e outros torcedores. À África, ele chegou para a primeira fase e optou por alguns deslocamentos de carro e outros de avião.

“Vi o tanto que é legal ver jogos que não são do Brasil nem de times mais conhecidos. O empate de Eslovênia e Estados Unidos foi um dos melhores. Quanto à logística, nós concentramos oito jogos em nove dias em duas cidades muito próximas, Joanesburgo e Pretória. Alugamos um carro e ficou fácil. Também viajamos para outros lugares, fomos a Moçambique e fizemos um safari no dia do jogo de Nelspruit”, relatou Theo. Paulo também curtiu jogos menos badalados, mas não conseguiu fazer todos os roteiros turísticos desejados durante o Mundial, então voltou à África do Sul em 2011 com os irmãos.

Os dois contaram que a festa da torcida local era grande nos estádios, especialmente quando times africanos estava em cena, mas Theo ponderou que essa festa nem sempre acompanhava o jogo em si. Paulo acrescentou que os torcedores chegavam muitas vezes alguns minutos após o início da partida e iam embora antes do fim, um hábito muito comum no rugby, um dos esportes preferidos dos sul-africanos.

Foto: Portal da Copa/ME/Março de 2014#Theo e Paulo ainda não conseguiram ingressos para a final, mas garantem que estarão no Rio em 13 de julho para curtir a festa: dentro ou fora do Maracanã

A Copa em casa

Para esses dois torcedores loucos por Copa, era impensável ficar de fora em 2014. Paulo e Theo, então, seguiram o mesmo caminho: férias no período do Mundial e determinação na compra de ingressos e na organização logística. “Tentei o maior número de partidas possível. Consegui 16 ingressos, mas dois eu terei que devolver porque coincidiram com dias de jogos em que possivelmente serei voluntário em São Paulo. Ainda faltam algumas passagens e o preço está nas alturas, vários trechos a 999 reais. Muitos deslocamentos vou fazer de ônibus, que é mais barato e garantido”, explicou Theo. Para dar conta dos 20 jogos, a logística inclui vários trechos “bate e volta” e poucas hospedagens nos locais de jogos. Ele está prevendo um investimento de até R$ 15 mil.

Já Paulo conseguiu comprar várias passagens com milhas, o que aliviou o orçamento. Ele imagina que gastará, ao fim, de oito a dez mil reais. Ficar na casa de amigos ou em albergues foi a solução para hospedagem, mas mesmo assim alguns preços estão salgados. “A diária no albergue de Natal está 150 reais, o triplo do que paguei no albergue da Cidade do Cabo, por exemplo”, relatou.

Expectativas

Ambos torcem para que a organização do Mundial funcione bem. “Espero que a Copa ocorra sem incidentes, que nenhuma companhia aérea 'me derrube' e que a operação de transporte não falhe a ponto de perder jogos ou voos”, disse Theo.

“Se houver manifestações, que elas não fechem o caminho do aeroporto ou da rodoviária. No mais, acho que vai dar certo. Quero ver bons jogos e aproveitar a festa. Já estou imaginando os torcedores ingleses fazendo farra na Savassi no dia anterior ao jogo contra a Costa Rica”, contou Paulo, em referência a uma região de Belo Horizonte.

Nenhum dos dois tem ingresso para a final, mas ambos vão estar no Rio em 13 de julho. Como bons conhecedores de Copa, sabem bem o que é o clima da cidade-sede da final. “Vou entrar todo dia no sistema para ver se alguém devolveu ingressos, vai que dá? Se não der, paciência, Mas uma coisa é fato: vou estar no Rio, não importa se dentro ou fora do Maracanã”, disse Theo.

Carol Delmazo – Portal da Copa

Notícias Relacionadas

Mundial de futebol quebrou recordes históricos e se tornou o evento mais comentado do ano nas redes sociais em todo o mundo
+
Secretário executivo do Ministério do Esporte afirma que o aprendizado adquirido com o Mundial dará melhores condições para o Brasil enfrentar os desafios da preparação do maior evento esportivo do planeta
+
Evento “Copa 2014: legados para o Brasil” mostra resultados econômicos, culturais e de infraestrutura
+