Histórias de um bósnio e um iraniano no amigável Brasil

25/06/2014 - 20:59
Torcedores das duas seleções contam suas experiências no país e elogiam a receptividade dos brasileiros

A Copa do Mundo da FIFA 2014 é no Brasil, envolve outros 31 países além do anfitrião e tem um poder incrível de misturar culturas. Nesta quarta-feira (25.06), a Arena Fonte Nova promoveu o encontro entre torcedores da Bósnia e do Irã em Salvador. À primeira vista, dois povos diferentes, com costumes distintos, mas basta começar a conversar para surgirem as semelhanças.

Haris Domazet, da Bósnia, e Martin Kassir, do Irã, moram nos Estados Unidos e vieram ao Brasil acompanhar suas seleções. Encontraram-se por acaso nas arquibancadas do estádio baiano, conversaram e viveram uma experiência única. Inédita, no caso de Haris, que nunca tinha assistido a seleção de seu país jogar na Copa, e recorrente para Martin, que esteve nos Mundiais da França, da Alemanha e da África do Sul.

O resultado do jogo uniu ainda mais os dois. Afinal, a Bósnia, mesmo eliminada, venceu o Irã por 3 x 1, decretando a eliminação de ambos. Agora, Haris e Martin vão para casa, nos Estados Unidos. Mas em comum vão lembrar as boas lembranças do Brasil, da Copa do Mundo, e principalmente do povo brasileiro, a quem rasgaram elogios.

Foto: Vagner Vargas/Portal da Copa#

O lado da Bósnia, por Haris Domazet

“Estou há duas semanas no Brasil e fui a todos os jogos da Bósnia. Foi uma experiência muito interessante. Estive em três cidades – Rio de Janeiro, Cuiabá e Salvador – e são todas bem diferentes. Eu gostei muito do Rio, foi a minha preferida. As praias, o centro... é maravilhoso, uma cidade incrível. Provavelmente vou voltar, quero passar mais tempo lá.

Tivemos um bom aperitivo do que é o Brasil estando nessas três cidades. Claro que viemos para apoiar a Bósnia, é nossa primeira Copa e não fomos tão bem, mas estamos orgulhosos dos jogadores, eles representaram bem o país. Mas o que mais vou levar é o contato com o povo brasileiro. Todo mundo foi muito simpático conosco.

Os bósnios e os brasileiros são mais parecidos do que as pessoas pensam. Eu fui ao Mercado Central de Salvador e me lembrou muito um mercado que temos na Bósnia. Os produtos vendidos eram diferentes, mas o clima e as pessoas eram bem parecidos”

O lado do Irã, por Martin Kassir

“Cheguei ao Brasil em 13 de junho, assisti ao primeiro jogo do Irã em Curitiba e voltei aos Estados Unidos para trabalhar. Depois retornei para o Brasil e fui para Belo Horizonte para o jogo contra a Argentina. Agora estou aqui para a partida contra a Bósnia.

Fui a várias Copas do Mundo e a infraestrutura aqui não é como na França e na Alemanha, mas o povo é tão amigável que quase não dá para acreditar. Você tem que lembrar que nas Copas da França e da Alemanha você podia ir dirigindo ou de trem para as outras cidades. O Brasil não é um país, é um continente. Seria ótimo se houvesse trens, é um pouco inconveniente ter que voar o tempo todo, mas até agora foi tudo tranquilo, nenhum voo atrasou ou algo do tipo. Em toda a Copa você tem o lado bom e o ruim. Na Alemanha, por exemplo, o povo não era tão amigável quanto aqui.

A diversidade cultural também é incrível. São Paulo é como Nova York, uma selva de concreto; Curitiba parece uma cidade europeia; Salvador tem uma mentalidade mais relaxada; e Belo Horizonte fica no meio termo entre tudo isso. Me sinto em casa aqui. As pessoas diziam que o Brasil era perigoso, que era isso e aquilo, mas não é verdade. Em todos os lugares as pessoas me ajudaram bastante.

Mas a coisa mais interessante é a cultura dentro dos estádios. No jogo entre Irã e Argentina, todos os brasileiros do estádio estavam torcendo para o Irã. Não sei até agora se foi Argentina e Irã ou Argentina e Brasil. Eles gritavam olé quando o nosso time tocava a bola. Foi uma atmosfera incrível”

Vagner Vargas – Portal da Copa

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