Voluntários da FIFA relatam experiência vivida na Copa das Confederações

27/06/2013 - 20:37
Foram selecionados 5.652 de um universo de mais de 99 mil candidatos. Os brasileiros representam mais de 95% dos escolhidos, enquanto os colombianos são maioria entre os estrangeiros

Os voluntários são parte essencial para que um megaevento esportivo como a Copa das Confederações funcione. Para a edição deste ano, a FIFA selecionou 5.652 de um universo de mais de 99 mil candidatos. Os brasileiros representam mais de 95% dos escolhidos, enquanto os colombianos são a maioria entre os 265 estrangeiros. Trabalham no torneio 35 voluntários do país vizinho, 21 do México e 18 dos Estados Unidos. Mas há casos de pessoas que vieram de muito longe para viver mais uma experiência em uma competição internacional.

O indiano Omprakash Mundra começou a carreira de voluntário em 1982, nos Jogos Asiáticos realizados em Déli. Depois disso, participou das Olimpíadas de Sidney e Atenas, da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, além de muitas outras competições. “Pude viajar a 70 países por causa do esporte. Aprendi que em qualquer evento esportivo os voluntários são essenciais. Depois que fui voluntário pela primeira vez, estou sempre me divertindo e fazendo amigos, porque trabalhamos em equipe e aprendemos a ter disciplina. Isso ajudou na minha vida pessoal e profissional. Ser voluntário é uma grande plataforma para interagir com as pessoas e conhecer a cultura do país”, disse.

Nascido em 1950, mesmo ano da construção do Maracanã, Mundra veio ao Brasil em 2007 para assistir a um clássico carioca no estádio, que hoje ele atua como voluntário. “Essa é uma das satisfações em estar aqui. Sabia que no Maracanã já coube 200 mil pessoas e queria vir conhecer, então vim em 2007 e vi Botafogo x Flamengo. Minha esposa, que também já foi voluntária várias vezes, disse que nunca viu um jogo como aquele nem em Copa. O Maracanã é um marco”.

Para o Mundial de 2014, a presença do indiano é certa. “Se for selecionado de novo, venho. Se não for, venho também, mas da próxima vez virei com a minha esposa. E comprarei os ingressos das partidas, porque é um hobby. Sempre assisto aos jogos nos momentos em que não estou trabalhando”, afirmou, para acrescentar que o planejamento é parte importante da empreitada.

“Eu sempre me planejo com uns dois anos de antecedência em questões de transporte e alojamento. Às vezes é difícil conseguir alojamento porque os hotéis e albergues, durante os eventos, aumentam os preços. Por isso, já estou me preparando para 2014, porque o preço praticamente triplica. Quando vim em 2007 e voltei agora, fiquei assustado com o aumento. Na Índia custa metade, mas trouxe alimentos e fico na casa de uma pessoa que aluga o quarto para mim, perto do Maracanã”, relatou.

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Foto: Abelardo Mendes Jr/Portal da Copa# Voluntários (de azul) também entraram em campo e ajudaram a organizar a atuação da imprensa

Segurança

Gabriel Fialho/ Portal da Copa#Mundra conversa com jornalistas após apresentaçãoO voluntário indiano não esperava que fosse encontrar tantas manifestações pelo Brasil na época do torneio. Ele disse que teve que ficar mais tempo na arena após os jogos, por questão de segurança. “Eu cheguei e vi as manifestações, meu celular não estava funcionando bem, minha mulher tentou falar comigo e ficou preocupada, porque viu o que estava acontecendo no Brasil. Quando acabou o jogo, meus amigos disseram para esperar um pouco”, descreveu Mundra.

O gerente de voluntários do Comitê Organizador Local (COL), Rodrigo Hermida, admitiu que em algumas situações os voluntários tiveram que esperar mais tempo na arena para poder ir embora. “A gente não tem uma orientação específica quanto a isso, confiamos no trabalho da segurança pública. Aconteceram alguns problemas no entorno dos estádios e fomos comunicados e mantivemos os voluntários por mais tempo nas arenas. Por precaução, a gente pediu para esperarem um pouco mais e quando tivemos sinal verde a gente os liberou”.

Idioma

O COL disse que para a Copa do Mundo estuda uma maneira de aumentar o número de voluntários com fluência em outros idiomas. “O Brasil fala português, a gente entende a necessidade dos estrangeiros de ter outra língua, de mais entendimento, claro que a gente não consegue fazer um curso durante esse tempo, o que fizemos foi dar vagas específicas em varias áreas, cujo pré-requisito era fluência em inglês, contamos com teste online opcional. A gente quer incrementar o número de pessoas falando outros idiomas, a gente está planejando para a Copa, notamos algumas deficiências quanto a isso e vamos melhorar”, explicou Hermida.

Esforço

Outro voluntário presente no encontro com a imprensa nesta quinta-feira(27.06), no Rio de Janeiro, Lourenço Neto é professor de inglês e contou que viveu uma verdadeira saga para sair de Assú (RN), onde vive, até Fortaleza, onde atua na Copa das Confederações. “Pedi para uma pessoa ficar no meu lugar em uma das três escolas que trabalho, mas na última hora ela me disse que não ia poder ir. Tentei outra pessoa, que depois também desistiu. Foi o diretor da escola que me ajudou e conseguiu alguém. Mas, depois não recebi o meu dinheiro de uma das escolas e não tinha como viajar. Foi quando as pessoas que conheci em um dia, durante o treinamento para ser voluntário, viram meu esforço e dividiram minha passagem de ônibus e minha hospedagem. Indo para Fortaleza o ônibus ainda quebrou, mas não desisti e fui porque sou amante do futebol e fiz outros trabalhos voluntários”, conta.

Esforço reconhecido por Bebeto, primeiro voluntário da FIFA para a competição. “No lançamento do programa, em Salvador, fui o primeiro inscrito, junto com o Ronaldo. Todo mundo que conversa comigo fala bem do trabalho dos voluntários. Você vê o esforço do Lourenço, o currículo do Mundra, sempre fazendo o trabalho com amor, dedicação, se doando ao máximo. Essa Copa é feita por eles e são eles que dão vida aos estádios”, disse o ex-jogador, que trabalha de forma voluntária para o COL.

No entanto, nem todos seguem no trabalho após terem sido selecionados. A FIFA divulgou que a assiduidade nos dias de jogos é de 80% e na média geral de 70%, números considerados bons, segundo Hermida. “Acontece de desistirem, sim, não é um grande numero, tem tanto a pessoa que veio e foi embora, quanto aquelas que nem vieram, mas mesmo com funcionário contratado acontece isso, mas a nossa seleção inclui essa possibilidade de desistência”.

Divulgação COL#Hermida, Pekka Odriozola, porta voz da FIFA, Saint Clair Milesi, diretor de comunicação do COL, e Bebeto, durante coletivaPara a Copa do Mundo se candidataram 127.629 pessoas, sendo que cerca de 15 mil serão selecionadas para trabalhar como voluntárias em 2014. Apesar de o registro está fechado, 2,5 mil pessoas de todo o planeta enviaram e-mail para a FIFA requisitando a reabertura do processo, que está sendo estudado pela entidade.

Números

Do total de 5.652 voluntários trabalhando na Copa das Confederações, 2.223 são homens (57%) e os outros 2.429 são mulheres (43%).  A maioria tem entre 16 e 25 anos (39%), seguida por aqueles com 26 a 40 anos (38%), depois os com 41 a 60 anos (20,5%), entre 61 e 64 anos são 1,5% e os com mais de 65 anos representam 1%.

O Rio de Janeiro é a sede com o maior número de voluntários com 1.299, seguida por Brasília com 990, Belo Horizonte com 921, Salvador com 900, Fortaleza com 813 e Recife com 729.

Brasil Voluntário

Em 2012 o governo federal lançou seu próprio programa de voluntariado para a Copa das Confederações e Copa do Mundo. A atuação dos voluntários é integrada com o programa de voluntariado da FIFA e funciona como uma ampla rede de mobilização social que atende aeroportos, áreas de fluxo, pontos turísticos, festas públicas, dentre outras. Além disso, eles dão suporte ao público-alvo de atendimento: torcedores, imprensa não credenciada, turistas e população em geral. Com o objetivo de ampliar a integração entre as pessoas cadastradas, o programa conta com uma rede social própria, onde os usuários podem obter informações, tirar dúvidas, receber treinamento e interagir com outros voluntários. Foram selecionados sete mil para trabalhar no torneio de 2013.

» Conheça o site do programa Brasil Voluntário

Foto: Abelardo Mendes Jr/Portal da Copa#

Gabriel Fialho – Portal da Copa

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